Crítica | Never Sleep Again: The Elm Street Legacy

estrelas 5,0

Como vimos em nosso extenso especial, a franquia A Hora do Pesadelo é uma das mais eficientes e criativas do gênero slasher, certamente devendo-se à imaginação de seu protagonista e as diferentes formas de se explorar o mundo dos sonhos. Freddy Krueger é um pedaço importantíssimo da cultura pop e, antes de seu remake estrear em 2010, os fãs foram presenteados com uma obra que talvez faça justiça mais do que qualquer filme da franquia iniciada por Wes Craven: Never Sleep Again: The Elm Street Legacy.

Isso é um fascinante deleite para os fãs. São 4 horas de bastidores, entrevistas e making ofs sobre absolutamente toda a jornada de Krueger no audiovisual (com exceção do remake, que, na época, ainda não havia chegado às telas), incluindo os filmes e até mesmo a série de TV que o assassino teve por um curto período. O material discutido aqui é vasto e rico, trazendo a grande maioria de depoimentos de Wes Craven, Robert Englund e Robert Shaye (na época, o cabeça da New Line e produtor de todos os longas da franquia), além de contar com narração de Heather Langenkamp (a icônica Nancy Thompson, do original) e participação de praticamente TODOS os envolvidos com a franquia, desde elenco até realizadores. Claro, seria interessante se Johnny Depp, Patricia Arquette ou Laurence Fishburne pudessem oferecer algum depoimento sobre a série, já que foi um importante veículo para a carreira de todos, mas sua ausência não é sentida de forma agressiva, sendo que os diretores conseguiram até mesmo reunir a banda Dokken para falar do hit “Dream Warriors“, do ótimo A Hora do Pesadelo 3.

O documentário começa da forma obrigatória: uma apresentação sobre Wes Craven e o processo de criação de Freddy Krueger, porção que é explicada de forma clara e direta, sem uma reverência tiete à Craven, acertando bem na colagem de imagens e vídeos da referências que inspiraram o diretor. A montagem de Andrew Kasch e Michael Benni Pierce é espetacular, sendo extremamente organizada e fluída ao dar espaço para os inúmeros depoimentos, cenas de bastidores e imagens que servem como colagem. E, além da franquia em si, o documentário explora como o personagem praticamente jogou a New Line no mercado como uma força a ser reconhecida.

As sequências certamente têm os depoimentos mais interessantes, com muitos membros admitindo a qualidade inferior da maioria dos casos. Particularmente, é hilário perceber como nem o diretor nem a equipe de A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy percebeu o forte simbolismo homossexual da trama, sendo divertido quando estes analizam pontos específicos do longa (a dancinha inspirada em Negócio Arriscado ou a frase “Algo quer penetrar o meu corpo!”) que corroboram essa teoria – bem óbvia, por sinal – mas que acabou tornando-se popular e até adorada posteriormente, especialmente na Europa. A insatisfação de Craven diante das continuações é bem evidente (ainda que ele elogie o trabalho de Renny Harlin em A Hora do Pesadelo 4), sendo interessante também analisar os motivos que o levaram a retornar à franquia com O Novo Pesadelo. Por fim, acho muito bacana a discussão dos envolvidos sobre Freddy vs Jason, assim como suas interpretações sobre o vencedor (não é uma questão tão clara, afinal) e os possíveis finais alternativos do longa – que incluiria Hellraiser!

E ainda vale mencionar o brilhante trabalho de stop motion de Michael Granberry para a belíssima sequência de abertura e os interlúdios visuais que servem de transição para cada objeto de entrevista; no caso, cada filme da franquia discutido. Por fim, é divertido que os atores e atrizes reprisem frases de efeito impactantes de seus respectivos filmes da franquia durante os créditos finais. Uma maneira eficiente e nostálgica de se encerrar uma obra absolutamente consistente.

Never Sleep Again é o maior presente que um fã de Freddy Krueger poderia receber. Se você é um fã do trabalho de Wes Craven ou apenas de cinema de terror em geral, eu imploro que assista. Serão as 4 horas mais rápidas já experienciadas.

Never Sleep Again: The Elm Street Legacy (Idem, 2010 – EUA)
Direção: Daniel Farrands, Andrew Kasch
Roteiro: Thommy Houston
Elenco: Heather Langenkamp, Robert Englund, Wes Craven, Robert Shaye, Sara Risher, Lin Shaye, Rachel Talalay, David Chaskin, Jack Sholder, Jim Doyle, Jacques Haitkin, Amanda Wyss, Jsu Garcia, John Saxon, Charles Bernstein
Duração: 240 min.

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.