Crítica | Next Music Station – Marrocos

estrelas 4

Depois de assistir ao documentário Marrocos (2011), um dos seis filmes do Panorama Mundial: Next Music Station, do In-Edit Brasil 2012, eu só posso manifestar a minha alegria em ter escolhido essa sessão, dentre tantas outras, e de ter me deparado com um filme de qualidade impressionante, uma viagem gloriosa através da música do país, visitando o máximo de tendências e aspectos de sua história e ritmos.

Em primeiro lugar, é importante lembrarmos que o diretor do filme é um ativista político e músico do País Basco, aquela área montanhosa entre a Espanha e a França, no sopé dos Pirineus, que hoje nada contra a maré dos problemas financeiros e unificação entre as nações do continente, o que dificulta ainda mais o sonho de independência. Tendo isso em mente, justifica-se o tom de liberdade e engajamento político que o filme nos apresenta, sem, no entanto, tornar-se uma obra politizante. O diretor consegue falar de música e apontar os aspectos geopolíticos e históricos do Marrocos sem desviar sua atenção para outra abordagem, uma obrigação cumprida que se torna um deleite para o espectador.

Em 2009, Fermín Muguruza realizou um documentário chamado Checkpoint Rock. Canciones desde Palestina, filme que aborda de maneira muito ampla a cena musical local, algo que não vemos ocorrer frequentemente no cinema. O filme obteve tanto sucesso, que a maior rede de televisão do Catar, a Al Jazeera, encomendou ao diretor uma série de filmes que abordasse a cena musical nos países árabes, dando início à odisseia de tons chamada Next Music Station.

Em Marrocos, o diretor é acompanhado pela cantora Oum, que o conduz pelas principais cidades do país apresentando-lhes músicos e manifestações musicais de rua. Do flamenco e do gnawa a estilos como o rock e o rap, entramos em contato com a história de grupos e cantores, além, é claro, de apreciarmos a execução de suas canções. Músicas em árabe, inglês e francês são cantadas por homens e mulheres de diversas idades, e quando a câmera deixa o litoral do país, o espectador não tem dúvida de que o filme que acabou de ver foi de uma enorme riqueza e valor cultural.

Sem dar espaço para a força política partidária, que facilmente poderia tomar conta desse cenário musical, percebemos que os músicos visitados durante a viagem pelo país não falam apenas da situação das cidades, do por que fazem música, dos problemas sociais e da condição de vida da população marroquina. Há uma mistura entre o ser político e o ser artista, uma atividade indissociável que no documentário aparece em pleno equilíbrio, resultado de uma montagem precisa e inteligente, que conseguiu agrupar toda a essência musical de uma nação em pequenos blocos, e de alguma forma, relacioná-los.

Por ser road movie musical, temos a sensação de mudança constante, coroada com uma riquíssima paleta de cores, estilos de vida, arquitetura e música diferentes. Fermín Muguruza não só apresenta uma visão interessantíssima da música marroquina como também de sua geografia e pensamento artístico, qualidades cada mais mais raras de se ver juntas em um documentário, principalmente quando se trata de um europeu abordando uma cultura árabe. A série Next Music Station é a prova de que nem toda a arte precisa ser engajada, mesmo que seu realizador seja um militante político. É possível ver e abordar questões políticas em qualquer situação, basta saber fazê-lo, e em Marrocos, temos um bom exemplo de como isso pode ser feito.

Cobertura do 4º In-Edit Brasil
#Dia 7

Next Music Station: Marrocos (Catar, Espanha, 2011)
Direção: Fermín Muguruza
Duração: 100min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.