Crítica | No Olho do Tornado

no olho do tornado

estrelas 2,5

É absolutamente inevitável comparar No Olho do Tornado com Twister, um “clássico” dos anos 90 dirigido por Jan de Bont e estrelado por Bill Paxton e Helen Hunt. O filme de 1996, com roteiro de Michael Crichton, tinha alma, talvez graças ao carisma da dupla principal de atores e certamente uma boa dose de tensão montada pelo diretor que, dois anos antes, havia sido responsável pelo hit Velocidade Máxima.

A premissa de No Olho do Tornado é substancialmente a mesma, ao ponto de ter ficado impressionado de ele não ter sido vendido como um remake: caçadores de tornados no meio-oeste americano se deparam com um evento climático gigantesco e extremamente perigoso que eles precisam documentar. O que muda é a motivação. Se em Twister Paxton e Hunt são cientistas que querem aperfeiçoar o sistema de detecção de tornados, em No Olho do Tornado, Pete (Matt Walsh) é um documentarista no estilo Discovery Channel que, com a ajuda da meteorologista Allison (Sarah Wayne Callies, de The Walking Dead), tenta capturar em câmera e com o uso de sofisticados apetrechos incluindo um carro-tanque batizado de Titus, o “olho” do tornado. No meio do caminho, quando a casa e todos os demais prédios literalmente começam a cair, eles se juntam ao professor Gary (Richard Armitage, o Thorin Escudo-de-Carvalho de O Hobbit) e seu filho Trey (Nathan Kress, da finada série de TV juvenil iCarly) na procura do filho mais velho dele, Donnie (Max Deacon) que sumira com seu amor platônico de escola Kaitlyn (Alycia Debnam Carey) pouco tempo antes do “ataque” dos tornados.

Mas nomes e atores não interessam na fita. Nos curtos 89 minutos de projeção, todos os personagens são tratados da maneira mais superficial possível, ainda que o roteiro do insipiente John Swetnam tente dar uma ar mais grave ao passado de cada um deles, mas não passando de arremedos de clichês expostos da maneira mais surreal possível, em momentos em que ficar calado seria a ação mais lógica.

Na direção, Steven Quale (Premonição 5 é o único longa de ficção em seu curto currículo) não sabe muito o que quer. Dando a entender, na sequência inicial, que nos apresentará a um filme com câmera na mão e, nas sequências seguintes, fazendo das tripas coração para montar uma estrutura que pula de câmera em câmera (as dos jovens Trey e Donnie, que têm que filmar a formatura da escola, a de dois malucos que querem porque querem se matar para conseguir uma filmagem interessante para colocar no Youtube, as da equipe profissional de Pete e até câmeras de segurança), mas que falha fragorosamente em dar alguma relevância narrativa à essa ginástica toda. Afinal de contas, grande parte da história nos é contada por câmeras não diegéticas, o que mata qualquer qualidade de “documentário” que o diretor quisesse emprestar à sua obra.

No entanto, apesar de todos esses problemas, No Olho do Tornado é uma bobagem que pode divertir o espectador que só estiver procurando o básico. E isso, pois o diretor, com todas as suas limitações, tem um bom senso de ritmo e o roteiro consegue apresentar novidades visuais (leia-se: mais e mais tornados de diferentes tipos) boas o suficiente para manter a atenção ao longo de sua rápida duração. Não nos preocupamos exatamente com o destino dos personagens – são todos telegrafados desde o começo – mas ficamos entretidos pela forma como determinada morte ou salvamento acontecerá (o “voo”, ao final, é tragicamente hilário). E confesso que os dois caipiras bêbados perseguindo tornados com um quadriciclo têm seus momentos de, digamos, glória.

Em termos de apelo visual, vale ressaltar que os efeitos especiais em computação gráfica são competentes, realistas e cumprem sua função de mostrar a força da natureza diante de casinhas e carros que parecem feitos de papel. Não é nada revolucionário, mas perfeitamente dentro da proposta estabelecida, com algumas sequências particularmente interessantes, como a chegada dos tornados ao aeroporto local.

Se o que você procura é uma forma despretensiosa e simplista de matar o tempo, No Olho do Tornado é uma boa pedida. Mas aqueles que se lembrarem de Twister ficarão, a cada 10 minutos, esperando o aparecimento repentino de Bill Paxton na trama.

No Olho do Tornado (Into the Storm, EUA – 2014)
Direção: Steven Quale
Roteiro: John Swetnam
Elenco: Richard Armitage, Sarah Wayne Callies, Matt Walsh, Max Deacon, Nathan Kress, Alycia Debnam Carey, Arlen Escarpeta, Jeremy Sumpter, Lee Whittaker
Duração: 89 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.