Crítica | Noite do Terror (1974)

estrelas 4

Antes do surgimento da Segunda Era de Ouro do Terror, nos anos 1980, protagonizada por Jason, Freddy e Michael, em 1974, o cineasta Bob Clark assumiu a direção de Noite do Terror, um filme considerado percursor do subgênero slasher.  A era influenciou a moda, os costumes, a política e a sociedade de maneira geral, ficou conhecida pelo movimento hippie, pela repercussão do Festival de Woodstock, pelo movimento punk e pela busca de liberdade, haja vista a juventude incisiva na busca de quebra de tabus.

Sendo assim, com base na afirmação inicial, os maníacos mascarados dos anos posteriores devem muito ao insano Billy. A narrativa segue os padrões do gênero, a diferença aqui é a sutileza e a higienização dos crimes. As piadas, por sua vez, estão presentes de maneira irreverente, quase tão bem quanto o roteiro de Pânico, bem como a perseguição a garotas incautas numa data comemorativa, desta vez, a noite de natal, período que já rendeu uma boa quantidade de filmes de terror.

O roteiro, inspirado numa onda de assassinatos violentos cometidos em Québec no período natalino nos apresenta uma noite de puro terror, quando as vidas de algumas jovens de uma fraternidade são transformadas num inferno por conta de um psicopata que passa trotes que beiram a psicopatia e o erotismo, através de ameaças de morte. A questão é que a linha entre a ameaça e a execução dos crimes é bastante tênue, o que torna avermelhada a “noite feliz” das moças.

O filme abre com um crime. A morte de Clare (Lynne Griffin). Mais adiante, o seu pai, Sr. Harrison (James Edmond) decide visitá-la e ao não a encontrar, instiga um processo investigativo. Diante do desaparecimento, todos precisam saber as medidas que devem ser tomadas. É quando um clima de suspense e medo se estabelece.

Ao longo dos 98 minutos, Noite do Terror é se apresenta como um bom filme do subgênero slasher. É sombrio, possui enquadramentos que deixam a entender camadas subliminares de expressão artística, um assassino que não enxergamos em sua totalidade, bastante sugestivo através da câmera subjetiva, além de uma boa execução musical, graças ao regimento da trilha sonora por Carl Zitter. O final aberto, sem clichês é outro ponto positivo (não que o clichê seja necessariamente um problema, pois trata de identificação). Por fim, cabe ressaltar que serviu de inspiração para Mensageiro da Morte, de 1979, filme que originalmente seria uma continuação, mas ficou como obra individual, graças às decisões dos produtores.

Noite do Terror (Black Christmans) – Canadá /1974
Direção: Bob Clark
Roteiro: Roy Moore
Elenco: Olivia Hussey, Keir Dullea, Margot Kidder, John Saxon, Marian Waldman, Andrea Martin
Duração: 98 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.