Crítica | Nova #1 a 25 (1976 a 1979)

nova im des

estrelas 3

O bom e velho Cabeça de Balde. Não, não estou falando sobre o Buckethead, guitarrista maluco que toca com um balde da KFC na cabeça. Falo sobre Richard Rider, o Cabeça de Balde original, o primeiro Nova.

Quando era criança, li muito as histórias desse herói, publicadas aqui e as achava muito intrigantes e divertidas. Saudosista, resolvi caçar as publicações originais em sebos virtuais e acabei achando a coleção completa em papel, composta apenas por 25 números.

nova 1 finalPublicada entre 1976 e 1979, Nova, criado por Marv Wolfman e John Buscema (tecnicamente, uma versão anterior desse personagem foi criada em 1966, no fanzine Super Adventures, por Wolfman e Len Wein), foi uma tentativa da Marvel de introduzir um novo herói na linha do Homem-Aranha. A capa do primeiro número da revista não escondia esse fato, como fica evidente pelos dizeres em letras nada discretas acima do título: In the marvelous tradition of Spider Man! (“Na maravilhosa tradição do Homem-Aranha!).

Mas Nova não era uma imitação de Homem-Aranha. A única coisa parecida era o fato de Nova ter como alter ego o adolescente Richard Rider, estudante problemático tanto em sua vida na escola quanto em sua vida particular. Tirando isso, Nova tem uma origem mais parecida com a do Lanterna Verde, da concorrente DC. Vejamos: Rhomann Dey, um extraterrestre, depois de combater um monstro que dizimou seu planeta e último Centurião Nova de Xandar, chega próximo do planeta Terra com sua nave. Sabendo que vai morrer em vista dos ferimentos que sofreu, ele transfere seus poderes aleatoriamente ao primeiro terráqueo que aparece, logicamente um americano, logicamente de Nova Iorque e logicamente de bom coração. Com isso, Richard Rider se transforma em Nova, um homem com poderes de voo como um foguete (seu apelido, além de Cabeça de Balde é Human Rocket ou Foguete Humano), super-força, uma roupa que o protege das intempéries e, principalmente, um capacete amarelo que parece um balde.

É uma historinha de origem tão vagabunda quanto outras de heróis semelhantes. É um adolescente picado por uma aranha radioativa, quatro amigos que, em voo espacial são bombardeados por raios cósmicos, reagentes químicos que se misturam e coisas do gênero. Nada original, nada realmente novo.

Nova, porém, era uma das esperanças da Marvel na turbulenta década de 70, que quase a levou à falência (pela primeira vez). As histórias apresentadas nos 25 números da finada série original eram bobinhas bobinhas mas tudo dentro do espírito da época. Lê-las, hoje, traz risos pela infantilidade e pouca complexidade. No entanto, isso também pode ser visto por um lado positivo: os quadrinhos, hoje, depois de obras seminais como Watchmen e O Cavaleiro das Trevas, tendem a ser extremamente sérios, pesados, além de necessitarem de um P.h.D. em história dos personagens, em que cada um tem algo como 40 anos de continuidade para carregar nas costas (não é à toa que a Marvel e a DC volta e meia tentam coisas como Os Novos 52 e Marvel NOW!).

Nova era um novo começo, mas que, pelas poucas vendas, durou bem pouco. Seu arco final nem acabou de verdade em sua revista própria e foram necessários alguns números em séries contemporâneas como Quarteto Fantástico e Rom para que a Marvel contasse tudo o que aconteceu com Nova ao final de sua série regular.

Talvez o grande problema de Nova tenha sido o tamanho da aposta da Marvel. Afinal de contas, o herói já nasceu com uma revista própria, sem nunca ter nem dividido os holofotes com outros heróis já de títulos próprios estabelecidos, como o Homem-Aranha por exemplo. Além disso, apesar de uma origem cósmica, esse seu lado é esquecido quase que completamente em sua narrativa, que foca em vilões terrenos, quase comuns, também criados especialmente para sua publicação, como o Cabeça de Diamante, Condor e o Esfinge. São até razoavelmente interessantes, mas nenhum realmente chamativo ou particularmente importante.

O verdadeiro lado cósmico de Nova só seria explorado muito tempo depois, pois, ele, antes, funcionou como um dos membros dos Novos Guerreiros. Seu pulo para herói interplanetário só se deu mesmo com a saga Aniquilação, em que teve papel de destaque.

Mas as primeiras histórias de Nova divertem bastante àqueles que sentirem nostálgicos de uma época de quadrinhos mais simples e descompromissados. Nesse quesito, o Cabeça de Balde não desaponta.

Nova #1 a 25 (Idem, EUA, 1976 a 1979)
Roteiro: Marv Wolfman
Arte: John Buscema
Editora: Marvel Comics
Editora no Brasil: Editora Abril
Páginas: 22 por número

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.