Crítica | Novíssima Wolverine – Vol. 1: As Quatro Irmãs

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estrelas 4

Laura Kinney, também conhecida como a X-23 é uma clone de um dos personagens mais queridos da Marvel Comics. Logan foi criado em 1974 e não demorou muito para conquistar o coração de muitos fãs. Com a super valorização ocorrida nos últimos anos por personagens com um caráter de anti-herói, o Wolverine tornou-se cada vez mais um ícone dentro da cultura mundial. Mas, em 2015 a Casa das Idéias tomou uma decisão ousada, Logan iria morrer, dando assim espaço para a sua não tão popular clone.

novissima-wolverine-capa-plano-criticoAté então a X-23 não possuía um grande prestígio dentro da editora, muitos leitores mal sabiam que o nome da clone era Laura. Retirar de cena um dos personagens mais queridos e vendáveis dos tempos atuais e dar o manto nas garras de uma pouco conhecida parecia loucura. Quando todo esse rebuliço ocorreu, uma pergunta foi feita, e ela mostrou-se muito coerente: será que o Wolverine deve ser o Logan?

Escrita por Tom Taylor, Novíssima Wolverine é uma das primeiras aventuras da clone no pesado manto do herói. O escritor optou por mostrar um lado que não estávamos acostumados a ler nos quadrinhos do antigo X-Men, porém antes de comentarmos a respeito da psiquê da personagem, comentemos um pouco sobre o Plot principal da história.

O quadrinho já começa a todo o vapor, vemos Laura em uma missão na cidade de Paris, existe toda uma caçada sendo realizada, e quando a luta termina, vemos que a heroína estava lutando com uma clone de si própria. Depois da batalha, a empresa que desenvolveu as cópias, contrata Laura para caçar os outros três indivíduos que estão soltos. Isso se mostra um grande erro, como se pede para um clone capturar outros clones? Sabendo o quão é difícil a vida de uma pessoa qua não possui identidade, Wolverine se vira contra seus “chefes” e ajuda suas irmãs a terem a liberdade.

Vemos até a participação de alguns figurões da Marvel, ela se encontra com Doutor Estranho, Vespa, Anjo e até mesmo Logan dá as caras em um flashback. Todos esses encontros fazem com que o leitor sinta-se participante de um universo, ter aparições de outros personagens no meio da trama mostram que a Wolverine não está sozinha, fica muito mais fácil de nos situarmos na cronologia, e além de tudo é uma boa estratégia para alavancar as vendas de outros títulos.

Toda essa trama nos remete a própria história de Laura, antes de estar com os holofotes apontados para as suas garras, a personagem vivia nas sombras do primeiro Wolverine. Logan é um querido dos fãs, então a Marvel, a fim de atrair um novo público, não decidiu criar uma nova personagem, a editora simplesmente fez uma copia do sucesso com uma única diferença, ser uma mulher. Nunca se teve um esforço para emular características para a X-23, a menina era utilizada como uma arma irracional, ela não possui uma trama e muito menos conflitos internos.

Porém, Tom Taylor trouxe algo que Laura não estava acostumada a ter, o roteirista não se contenta em trazer uma personalidade à ela, ele faz questão de fazer a mulher ser melhor que Logan. Por vários momentos no quadrinho vemos personagens dizendo que ela é melhor que Wolverine, pois consegue fazer algo que o herói nunca conseguiu. O X-Men sempre teve como seu maior defeito o descontrole, bastava uma coisa dar errado que víamos uma pessoa se transformar em um animal irracional. Laura não é assim, ela sabe o quão perigosa é, então diferente de seu antecessor, vive buscando ter um excelente auto controle, e procura nunca ultrapassar a linha da morte.

Outro grande trunfo do roteiro de Taylor é brincar com o ódio que a personagem possui. Não é difícil vermos a internet digitar seu ódio contra algo que está fora de seus padrões. Não foi diferente quando os fãs ficaram sabendo que Laura seria Wolverine, seria natural do escritor sentir o peso da raiva dos leitores e tentar ignorá-la em sua história. Mas Tom lida com esse pré conceito da melhor forma possível, vemos mais que uma vez a protagonista comentar coisas como, “eu sei que existe pessoas que me desaprovam, homens na internet principalmente, mas eu não estou substituindo o Logan…”.

O escritor não coloca um peso que a personagem não tem que carregar, é uma tolice dizer que Laura está aqui para competir ou até mesmo substituir Logan, personagens são como pessoas, e pessoas são insubstituíveis. Compará-la ou fazer com que ela carregasse o fardo de seu mentor seria uma luta muito injusta, a mulher pode até ser uma clone, todavia isso não torna a personagem escrava do legado de seu antecessor.

A arte de David Lopez e David Navarrot não encanta, os desenhistas trabalham bem com as expressões e com a continuidade, mas não exploram a personagem em seu pleno potencial quando o assunto é combate. Não vemos Laura lutar de fato, os artistas tentam emular as lutas com linhas de movimento, isso deixa a ação da HQ um tanto quanto confusa. Não é apresentado para o leitor algo visceral, como era costumeiro nos antigos títulos do herói, a arte e as cores não encantam, mas também estão longe de ser um demérito para o quadrinho.

O mérito de Novíssima Wolverine está com certeza em desenvolver personalidade em uma personagem que até então não possuía nenhum característica. É abrir os olhos dos leitores para novas possibilidades, mostrando que Wolverine não precisa ser só Logan, e fazendo com que seu público questione até coisas como: será que já não está na hora dos quadrinhos desapegarem de seus grandes medalhões, tais como Steve Rogers, Tony Stark, Bruce Wayne e Clark Kent?

Tom Taylor respondeu, com sua excelente narrativa, essa pergunta. Que os quadrinhos não fiquem presos à seus antigos anos, vamos seguir em frente, respeitando o legado mas olhando com esperança para o novo, que mais personagens como Laura possam surgir.

Novíssima Wolverine – Vol 1: As Quatro Irmãs (All-New Wolverine – Vol.1: The Four Sisters) — EUA, 2015
Roteiro: Tom Taylor
Arte: David Lopez e David Navarrot
Cores: Nathan Fairbrain
Letras: Cory Petit
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 2015
Editora no Brasil: Não publicado no Brasil até a data da crítica.
Páginas: 120 (aprox.)

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".