Crítica | Novo Esquadrão Suicida # 9 a 12 – Monstros (Novos 52)

novoesquadraosuicida-plano-critico

estrelas 2,5

Monstros, terceiro arco do Novo Esquadrão Suicida, é uma claríssima melhora em relação aos dois primeiros. Depois de visitarmos uma Rússia e uma China insossas, o Oriente Médio é o lugar eleito para a missão aqui retratada, uma que, felizmente, possui um vilão bem definido e uma dinâmica no grupo de anti-heróis surpreendentemente boa, posto que o roteirista Sean Ryan é o mesmo das duas histórias anteriores.

A Liga, grupo dissidente da famigerada Liga dos Assassinos de Ra’s Al Ghul, ganha aqui o papel de motor da narrativa com seus agentes homicidas e totalitários. Reunidos para uma infiltração no grupo, temos o Arraia Negra, destaque da revista até aqui, Pistoleiro e o glorioso Capitão Bumerangue. A decisão de usar o trio nas duas primeiras edições é outro acerto que contrasta com o que foi o esquadrão anteriormente. Mesmo sem muito carisma nessas relações, Ryan consegue trabalha-la distribuindo bem a visão de maldade de cada personagem. Nada de genial, muito menos de original. Todavia, ver uma interação entre os membros da equipe que não seja pueril é, certamente, um avanço do título.

A ação é muito melhor trabalhada, assim como o próprio roteiro. Ainda que Ryan trate com conveniência os poderes de seus comandados para fins de desdobramento de enredo, cada personagem possui momentos adequados para desenvolver seus próprios conflitos. Arlequina, Flash Reverso, Pistoleiro, Arraia, Bumerangue, todos possuem tempo para que uma empatia com o leitor seja criada. O inimigo também é levemente desenvolvido, ainda que incida em um clichê enjoativo.

novoesqq

A bem da verdade, todo o arco é um grande lugar comum, bem típico dos quadrinhos mainstream distrativos, passatempos inofensivos. A questão é que aqui, pelo menos, há ritmo narrativo, personalidades diferentes, cenários psicológicos distintos e começo, meio e fim decentemente mostrados. Mesmo pontuais, momentos de introspecção de cada membro da equipe são bem-vindos para mostrar o potencial que um roteiro envolvente pode criar – Arlequina com as crianças ou Flash Reverso com a própria palhaça, como exemplos. Este Esquadrão Suicida continua sendo dispensável, mas, para os fãs fanáticos destes personagens, até que estabelece uma razoável missão.

Melhora latente também ocorre na arte. O francês Phillipe Briones assume a responsabilidade sozinho e cria uma regularidade até então ausente. Não há nada de excepcional no seu traço ou na sua diagramação, mas o arroz e feijão aqui feitos, combinados com as cores de Blond em todas as edições, geram bons momentos que quase suscitam uma emoção maior, além de acertarem na violência bem exposta, coisa que ficou mal pontuada nas oito primeiras edições. Ainda não é a chuva de sangue para maiores de idade que todos imaginam, mas cumpre com o tom estabelecido para esse Esquadrão.

O Novo Esquadrão Suicida não é o Esquadrão Suicida que o povo quer, nem o que o povo merece. Mas em uma figura geral, é uma espetacular evolução em relação aos seus antecessores, principalmente por fazer o básico do básico e não pesar a mão no simplório roteiro escrito pelo desconfiável Sean Ryan. Fica a torcida para que a evolução não pare por aqui.

Novo Esquadrão Suicida – #9 a 12 e Anual #1 – Novos 52 (EUA, 2014)
Roteiro:
Sean Ryan
Arte: Phillipe Briones
Cores: Blond
Editora: DC Comics
Páginas: 120 (aprox.)

ANTHONIO DELBON . . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.