Crítica | Novos Vingadores: Illuminati – Caminho Para a Guerra Civil

estrelas 4,5

Momentos difíceis ao longo da História sempre facilitaram atitudes e alianças desesperadas. Algumas vezes isso resultou em algo negativo para ambos os envolvidos; outras vezes em algo positivo para apenas uma parte e, outras vezes, em algo… muito difícil de se definir ao certo. Este é o caso do grupo Illuminati, que criado por Brian Michael Bendis e Steve McNiven na Novos Vingadores #7 (2005) e que aparece neste one-shot de 2006 com uma grande crise em mãos.

O grupo, formado por heróis que representam visões diferentes de indivíduos ou grupos do planeta Terra, tem por objetivo discutir questões de difícil resolução e que afetam a todos. Aqui, entendemos um pouco sobre a origem — ou parte dela — do grupo, que a convite de Tony Stark reúne-se em Wakanda logo após a Gerra Kree-Skrull (exatamente, aquela da Vingadores #89 a 97, publicada entre 1971 e 1972) para pensar em como impedir que novos ataques de tal magnitude voltassem a acontecer. E já neste primeiro momento a regra de “silêncio para todos” se torna um problema ético para os heróis em cena. O Pantera Negra começa integrando a elite mas se retira tão logo ouve a condição, restando apenas o sexteto que formaria a primeira versão dos Illuminati:

  • Homem de Ferro — representando os Vingadores e outros heróis agindo nos EUA ou ligados ao país;
  • Namor — representando 71% da população do planeta, os atlantes;
  • Sr. Fantástico — representando o lado científico;
  • Doutor Estranho — representando os heróis e seres do lado místico;
  • Professor Xavier — representando os mutantes;
  • Raio Negro — representando os Inumanos.

Novos Vingadores_Illuminati_Guerra Civil

Neste primeiro volume (e “primeiro” em dois sentidos: no de revista solo do grupo e no fato de ser uma one-shot) Brian Michael Bendis mostra como o sexteto agiu em três diferentes crises. A primeira delas é a de entendimento ético para a formação do grupo e o fato de todos ali esconderem de todos aqueles que representam que existe um grupo chamado Illuminati. A segunda delas é quando resolvem discutir se exilam ou não um descontrolado Hulk (sim, bastidores pré-Planeta Hulk) para um satélite, a fim de que ele não seja mais uma ameaça à Terra. A terceira é quando coloca-se à mesa o primeiro tratamento do Ato de Registro, projeto do Senado dos Estados Unidos da América que pretendia regulamentar a identificação civil de todos os heróis em atividade no país, lei que, como Stark ressalta em certo momento de seu [infame] discurso, também poderá ser adotada por outros países.

Há uma relação dos eventos finais desta revista com o arco O Sr. Parker Vai a Washington quando Stark diz a Peter sobre estar “vindo de uma reunião” antes de embarcar para a primeira audiência sobre o Ato. E… bem, não foi uma boa reunião. Mais uma vez, o peso do tema retratado na história e a forma como o problema é apresentado ao grupo levanta impasses morais tão densos que seria quase impossível não geraram reações muito inflamadas. O status do grupo ao final desta história é incerto. Antes mesmo da guerra, uma barreira ideológica se estabelece entre os heróis.

Por mais bem intencionados que sejam, sempre sobra o questionamento primeiro de T’Challa para o grupo, quando colocou na mesa o fato de estarem mantendo discussões e decisões sobre as quais nem mesmo seus grupos maiores deveriam saber. Essa “autorização de elite” é muitas vezes trazida à tona aqui como pergunta de legitimidade e mesmo que não seja o foco central do enredo, ocupa um espaço de contexto que nos liga diretamente a Guerra Civil, afinal, o grupo está mais uma vez votando e tentando decidir pelos outros. A situação, porém, é outra. E o desfecho da votação, também.

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Alex Maleev faz uma arte que chama melhor atenção no início, na reunião em Wakanda após a Gerra Kree-Skrull. Depois disso, há apenas alguns momentos realmente notáveis na arte, que ganha contornos mais sombrios (a paleta de cores, de fato, se altera completamente), mas isso não quer dizer que a obra se torna visualmente ruim, apenas visualmente pouco interessante em comparação ao começo, o que pode ter sido, dado o contexto da história, que foi uma intenção de Maleev.

Momentos difíceis ao longo da História sempre facilitaram atitudes e alianças desesperadas. E quase sempre fizeram com que estas alianças formadas em desespero fossem expostas ao fogo em bem pouco tempo. A fragilidade dos laços entre facções diferentes nesse tipo de cenário é enorme e constantemente termina com uma quebra. Muitas vezes, uma outra guerra pode surgir daí.

Novos Vingadores: Illuminati – Caminho Para Guerra Civil (EUA, 2006)
Roteiro: Brian Michael Bendis
Arte: Alex Maleev
Cores: Dave Stewart
Letras: Chris Eliopoulos
Capas: Gabriele Dell’Otto
33 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.