Crítica | NYX: Aspirante (NYX #1 a 7) [Primeira Aparição em HQ: Laura Kinney, a X-23]

estrelas 2,5

Depois de debutar no 10º episódio da 3ª temporada da série de TV animada X-Men: Evolution, em 2003, Laura Kinney, a X-23 – ou a “clone” de Wolverine só que com duas garras em cada mão e uma em cada pé – pulou para os quadrinhos a partir do ano seguinte em uma série limitada (que originalmente era para ser um título mensal) pouco conhecida composta por sete números publicados entre 2003 e 2005. Mas não se trata de uma série própria, dedicada à personagem. Ao contrário, aqui ela é uma coadjuvante que não fala uma palavra e tem importância bem reduzida.

Escrita por Joe Quesada a partir de um conceito abandonado de Brian Wood, a série apresenta personagens mutantes 100% novos, tendo como protagonista Kiden Nixon (daí o Nyx, obviamente), uma jovem que descobre que tem o poder de desacelerar a passagem do tempo. Muito da minissérie é dedicada à descoberta de suas habilidades, como ela reage a isso e como essas mudanças afetam aqueles que estão ao seu redor. Aos poucos, ela vai se encontrando com outras jovens que também descobrem que são mutantes (Tatiana Caban, que ao tocar em sangue de um animal, toma a forma antropomórfica dele e X-23, a segunda já apresentada com poderes, mas sem ser identificada por qualquer nome) e, juntas, elas acabam formando um “grupo” desajeitado para lidar com um traficante que conecta seus passados.

Como a série tinha contornos para ser um trabalho de longo prazo, o resultado final, em forma de minissérie, acabou criando desequilíbrio narrativo em NYX. Isso fica evidente com o tempo focado em Kiden em comparação com as demais mutantes e com a inclusão inadvertida de sua professora não-mutante nesse grupo (Cameron Palmer). Tudo parece lento demais quando Kiden ainda é uma solitária jovem fugindo de tudo e de todos e, depois, os eventos parecem rápido demais a partir da introdução da segunda mutante. É como se uma maratona de repente fosse transformada em uma corrida de 100 metros rasos.

Não ajuda o fato de Kiden ter inexplicáveis visões de seu pai morto que a guia a partir do momento em que ela percebe que não é normal. Não há organicidade no que vemos e muito menos explicações decentes, já que ver o pai morto poderia ser encarado como alucinação ou parte de seu poder, mas eventos posteriores comprovam que não é exatamente isso. No lugar de Quesada ter o cuidado de abordar a questão de maneira mais lógica, ele deixa tudo muito solto e apressado.

Além disso, a história em si é primeiro muito aberta e desfocada e, depois, focada demais com desfechos convenientes demais, aparições de último minuto, um controle fora do comum de seus respectivos poderes e um inimigo que mais parece um genérico valentão da escola local e não alguém que realmente signifique alguma ameaça. Apesar de não ser um título do sub-selo Marvel Max, mais adulto, a minissérie é bastante gráfica e lida com temática adulta constantemente, não sendo apropriada para os muitos jovens. No entanto, mesmo tendo essa razoável liberdade, o roteiro de Quesada peca por não mostrar efetivamente as cartas, mantendo-se muito mais no lugar-comum do que se aventurando de verdade pelas possibilidades narrativas. Ele quer ser moderno e radical, mas  acaba sendo comum e domado.

A arte de Joshua Middletonn, que dá o tom para a série toda, apesar de ele não ter desenhado os números posteriores provavelmente em razão de atrasos na publicação e incerteza de seu futuro, reúne aspectos de mangá com uma aura quase de sonho que emula a forma como Kiden vê o mundo quando aciona seus poderes. Plasticamente, seu trabalho é muito bonito, mas talvez bonito demais, com todos os jovens bem apessoados, representando a nata do ideal dos quadrinhos. A única personagem que recebe um tratamento mais diferenciado é a própria X-23, já que ela é apresentada como uma prostituta silenciosa que volta e meia libera suas garras e seu instinto animal. É uma das únicas vezes em que vemos a personagem tão vulnerável e indecisa.

NYX: Aspirante foi a tentativa de se criar um novo grupo mutante, mas que não deu muito certo. Faltou cuidado e coragem para Quesada criar algo realmente engajante e fora dos padrões “jovem descobre que é mutante – jovem se reúne a outras parecidas com ela para lutar contra a injustiça”, algo mais do que batido nos quadrinhos Marvel.

NYX: Aspirante (NYX: Wannabe, EUA – 2003/4)
Roteiro: Joe Quesada
Arte: Joshua Middleton, Jean-François Beaulieu, Robert Teranishi
Arte-final: Chris Sotomayor
Letras: Chris Eliopoulos
Cores: Jean-François Beaulieu, Chris Sotomayor
Data original de publicação: novembro de 2003 a outubro de 2005
Editora original: Marvel Comics
Data de publicação no Brasil: novembro de 2006
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas: 204

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.