Crítica | O ABC da Morte

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Um projeto interessante. Uma execução horrorosa. Trata-se de uma anomalia matemática ou o ser humano não tem mais salvação?

Foi exatamente isso que pensei ao sair da projeção de O ABC da Morte no Festival do Rio 2013. O filme me atraiu por ter uma proposta inusitada: 26 diretores diferentes receberam a missão de pensar em uma palavra que começa com uma das letras do alfabeto e, a partir dessa palavra, criar um curta-metragem sobre a morte (e eles não sabiam sobre o que seria o curta antes de escolherem as palavras). Pensei com meus botões que, dos 26 curtas, muitos seriam no mínimo interessantes e alguns poucos excelentes.

Acho que subestimei a capacidade humana de pensar um pouco fora do terreno do “sangue aos litros”, “escatologia”, “nojeira em geral”, “choque barato” e “sexo deturpado”. Se eu tivesse que escolher um dos 26 curtas para rever, eu declinaria dessa escolha. O ABC da Morte é ruim assim.

E olha que eu tentei. O público ao meu redor também e muitos conseguiram até rir nervosamente de alguns segmentos, como o F is for Fart (ou “F de Flatulência”) que, de tão escatológico e absurdo consegue mesmo arrancar alguns sorrisos e Q is for Quack (ou “Q de Quack”), esse sim o melhor de todos, por ser um meta-segmento que brinca com a proposta da produção.

Mas é só. E isso, claro, não justificam os longos 123 minutos da fita.

Fazer uma crítica é difícil e eu jamais pensaria em falar de cada um dos episódios separadamente. Basta dizer, porém, que o assunto “morte” poderia ter recebido tratamento mais elegante, discreto e engrandecedor. Entendo que o orçamento para O ABC da Morte foi quase inexistente e, por isso, ninguém pode esperar efeitos especiais de tirar o fôlego, mas não é disso que estou falando. Quantos filmes têm efeitos terríveis e, mesmo assim, prendem pela história? E quantos filmes nem precisam de efeitos e se valem de direção e roteiro sutis, que tratam da morte fora da tela? Não precisamos ver para temer. Aliás, tememos muito mais o que não vemos.

Mas nenhum dos 26 diretores conseguiu tratar do assunto de maneira elegante. Era de se esperar uma enorme disparidade de tratamentos, mas, no final das contas, o resultado é justamente o oposto: os curtas são óbvios, brutais, nojentos e quase que totalmente despidos de qualquer qualidade que os elevem acima da vala comum. Será falta de criatividade? Necessidade de chocar? Vontade de tratar o público como gado?

Bom, acho que já falei demais dessa experiência engrandecedora de minha vida. Z é de Zero estrela…

O ABC da Morte (The ABCs of Death, EUA/Nova Zelândia – 2012)
Direção: Bruno Forzani, Helene Cattet, Kaare Andrews, Angela Bettis, Adrian Bogliano, Jason Eisner, Ernesto Diaz Espinoza, Xavier Gens, Noboru Iguchi, Thomas Malling, Jorge Michel Grau, Anders Morgenthaler, Yoshihiro Nishimura, Jbanjong Pisanthanakun, Simon Rumley, Marcel Sarmiento, Jon Schnepp, Srdjan Spasojevic, Timo Tjahjanto, Andrew Traucki, Nacho Vigalondo, Jake West, Ti West, Ben Wheatley, Adam Wingard, Yudai Yamaguchi
Roteiro: Vários
Elenco: Vários

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.