Crítica | O Albergue

o albergue plano critico

estrelas 4

O Albergue é um marco na história recente dos filmes de terror. Logo após a fase de ouro das refilmagens constantes e adaptações de enredos orientais (isso não significa que as produções deixaram de acontecer quando a “onda” de torturas se estabeleceu), filmes como Jogos Mortais e as narrativas que seguiam o seu estilo começaram a chegar aos cinemas. Foi uma febre, situação que reaqueceu o campo das produções de terror.

No filme, a vida dos jovens mochileiros Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Derek Richardson) ganha novos e tortuosos contornos com uma viagem para a Europa em busca do bom e velho carpe diem. No trajeto, eles conhecem um islandês cheio de si, sexualmente explícito, chamado Ali (Eython Gudjonsson). Seduzidos por relatos de outros viajantes, os rapazes decidem ir a um albergue particular numa cidade pouco conhecida da Eslováquia, local onde poderão explodir a tensão sexual que os circunda, bem como beber e farrear o quanto puderem.

Tudo parecia tranquilo até que eles conhecem duas garotas extremamente sensuais, mas misteriosas: Natalya (Barbara Nadeljakova) e Svetlana (Jana Kaderabkova), verdadeiras beldades do local. Eles saem com essas garotas, bebem, fumam, relacionam-se sexualmente; entretanto, o que parecia diversão revela-se como o maior pesadelo das suas vidas. Elas fazem parte de um esquema de sequestro seguido de tortura, bem na linha dos relatos que encontramos na zona abissal da internet, a deep web. São as sereias da odisseia dos extrovertidos viajantes.

Graças à avalanche de críticas positivas, O Albergue foi um sucesso estrondoso. A direção de Eli Roth é competente e dialoga muito bem com a linguagem do cinema contemporâneo, haja vista que o profissional contou com a colaboração de um bom montador, um eficiente designer de produção e uma trilha sonora macabra. A participação de Quentin Tarantino como produtor também garantiu o sucesso do filme. Afinal, sangue e violência gráfica abundam nas cenas de horror.

Sendo o filme de terror estadunidense (apesar de ser, tecnicamente, uma co-produção de cinco países) com maior número de línguas diferentes sem ter legenda (o filme apresenta nove línguas), O Albergue faturou alto e ganhou uma excelente continuação, O Albergue 2, lançada em 2007. Com personagens bem construídos, a catarse é garantida, numa produção que combina sexo e violência numa medida insana, tendo ainda referências explícitas a filmes como Pulp Fiction e O Massacre da Serra Elétrica.

O Albergue (Hostel, EUA/Alemanha/República Tcheca/Eslováquia/Islândia – 2005)
Direção: Eli Roth
Roteiro: Eli Roth
Elenco: Jay Hernandez, Derek Richardson, Eythor Gudjonsson, Patrick Zigo, Keiko Seiko, Jennifer Lim, Rick Hoffman, Peter Janis, Barbara Nadeljakova, Jana Kaderabkova
Duração: 94 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.