Crítica | O Caso Girassol

estrelas 4

Há amigos que precisam de cuidado constante, como crianças de quem não se pode tirar o olho um minuto sequer. No Universo de Tintim, esse amigo-criança é o Professor Girassol. Um gênio distraído, surdo (ou meio-surdo, segundo ele) e bastante ingênuo para uma série de coisas, Girassol sempre está mobilizando Tintim e o Capitão Haddock para uma grande aventura, e nesse Caso Girassol (1956), é mais uma vez atraído para um lugar suspeito, e então, sequestrado.

O sequestro anterior do Professor, no arco formado por As 7 Bolas de Cristal e O Templo do Sol, nos apresentou uma verdadeira epopeia pela América do Sul, explorando regiões inóspitas e desconhecidas. Já nesse O Caso Girassol, temos um tour pela Suíça e pela Bordúria, um país que nessa cadeia de eventos lembra muitíssimo a União Soviética. A própria história traz uma forte conotação bélica típica da Guerra Fria, e Hergé não deixa de explorar as mais conhecidas histórias de espionagem e posturas ideológicas dos dois lados da “cortina de ferro”.

O interessante nessa aventura, é que tanto os Sildavos quanto os Bordurianos estão interessados na arma de ultra-som desenvolvida pelo Professor Girassol, embora só tenhamos acesso às intenções de uso pelo lado da Bordúria, que consistia basicamente em destruir cidades icônicas do mundo e assim estabelecer o seu domínio político.

Embora o cerne da história seja o resgate do Professor Girassol, o autor não deixa de explorar pequenos dramas ou quadros cômicos no decorrer da história, o que evidentemente diverte o leitor e torna a narrativa bem mais ampla. A introdução do corretor Serafim Lampião é um exemplo disso. Ele aparece no início do álbum, ainda quando a quebra dos vidros do Castelo de Moulinsart era um mistério, e acaba fechando a história com uma boa dose de humor, tanto pelo absurdo de sua atitude quanto pela cara feia que faz ao sair do Castelo, como se toda culpa fosse do Capitão Haddock por interferir no divertimento da família.

Ainda nessa safra de elementos paralelos à história principal, temos a confusão do número de telefone do Castelo com o de um açougue, outro impasse cômico que permeia a narrativa. E por fim, duas aparições de destaque. A primeira, de um motorista italiano com nome gigantesco (Arturo Benedetto Giovanni Giuseppe Pietro Archangelo Alfredo Cartoffoli da Milano), que ajuda Tintim e o Capitão na perseguição aos sequestradores do Professor. E a segunda, a do “rouxinol milanês” a cantora lírica Bianca Castafiore. Hergé não deixa de apresentar certa dubiedade na relação da prima donna com o Coronel Sponsz, e mesmo a sua presença em uma nação governada por uma ditadura militar.

Como sempre, a arte traz uma grande riqueza de detalhes, especialmente nos grandes quadros, com destaque para a reunião de curiosos na frente do Castelo de Moulinsart e o maravilhoso quadro da invasão do carro à feira livre. No quesito narrativo, os melhores momentos do álbum são a apresentação do problema; o esparadrapo que gruda em todo mundo e toda a sequência de resgate do Professor Girassol. Trata-se de uma aventura de socorro a um amigo, e desta vez, com um sabor irresistível de drama político.

As Aventuras de Tintim – O Caso Girassol (L’affaire Tournesol) – Bélgica, 1956
Roteiro: Hergé
Arte: Hergé
Editora: Tintim Magazine

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.