Crítica | O Comando Selvagem da Sra. Deadpool (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 3

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um normalmente refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

Essa minissérie é a típica história resultante de um “toró cerebral” com um propósito só: zoar o leitor. Mas no bom sentido, fiquem tranquilos. Afinal, dá para imaginar uma reunião de editores e criadores em volta de uma mesa com ideias jogadas ao ar como:

Que tal finalmente matarmos Deadpool?

E se a protagonista fosse a esposa dele, a Sra. Deadpool?

E que tal pegar o Comando Selvagem e substituir seus membros pelos monstros Marvel?

Mas precisamos do Deadpool, pelo que proponho que ele seja o narrador fantasma!

Não se esqueçam do Drácula, não é?

E, da conversa resultante, apressadamente anotada pelo estagiário, saiu O Comando Selvagem da Sra. Deadpool, uma doideira que não é tão doida assim e que, na veia das bobagens escrachadas com Deadpool a que nos acostumamos, acaba divertindo como sua própria minissérie dentro – mas não exatamente – de Guerras Secretas, diverte. E isso mesmo considerando que sua participação, aqui, é bem pequena, mas ótima, como o fantasma narrador que não resiste e tenta interferir na história.

Para começar, sim, Deadpool casou e a cerimônia foi celebrada por ninguém menos do que Noturno. E sua esposa é uma súcubo que era prometida ao próprio Drácula (que havia contratado Deadpool justamente para capturá-la). A minissérie começa alterando o final da história em que Shiklah (esse é o nome dela) conhece o anti-herói, fazendo com que Drácula consega o impossível e mate Deadpool. Mas a Sra. Deadpool, muito menos por seu amor por Wade e mais para vingar seus irmãos mortos por Drácula, decide livrar-se do vampiro-mor de uma vez por todas, literalmente indo até o inferno para completar o Cajado de Manticora para enfrentá-lo.

Mas onde mesmo é que o Comando Selvagem monstruoso entra na equação? Simples, oras. Eles são os guarda-costas de Drácula que determina que eles têm que acompanhar a Sra. Deadpool onde quer que ela vá e, de quebra, elimine-a no meio do caminho. Com isso, o Lobisomem, o Monstro de Frankestein, a Múmia, o Homem-Coisa e um ser meio-simbionte, meio-centauro, funcionam como uma guarda tagarela – e inútil – para a descida de Shiklah ao Inferno e outras regiões inóspitas do gênero. Ah, esqueci de dizer que, no melhor estilo A Liga Extraordinária, o Homem Invisível também “aparece” por ali…

Claro que toda essa sandice é, apenas, uma desculpa para Gerry Duggan desfilar um sem-número de referências à cultura pop e ao Universo Marvel em diálogos afiados e divertidos, especialmente quando ele passa a bola para o fantasma de Deadpool em seu roupão fleumático.

A arte, que ficou ao encargo de Salvador Espin, é comportada para a proposta de Duggan (ou da tal reunião que mencionei mais acima) e, com uma pegada quase de mangá, especialmente nos monstros, suaviza e de certa forma infantiliza o resultado final. Mas não se enganem, ainda é uma arte bonita de se ver, ainda que não particularmente memorável.

A doideira que é O Comando Selvagem da Sra. Deadpool abre as portas para o novo Comando Selvagem que ganhou publicação regular pela Marvel pós-Guerras Secretas e para o vindouro evento Monsters Unleashed. É pura descontração descompromissada e, portanto, não desaponta.

O Comando Selvagem da Sra. Deadpool (Mrs. Deadpool and the Howling Commandos, EUA – 2015)
Contendo: Mrs. Deadpool and the Howling Commandos (2015) #1 a #4
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Salvador Espin
Cores: Val Staples
Letras: Joe Sabino
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto a novembro de 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: setembro de 2016 (encadernado)
Páginas: 100

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.