Crítica | O Dia em Que Ele Chegar

estrelas 3,5

O Dia em Que Ele Chegar (2011) é apenas o segundo filme do diretor sul-coreano Hong Sang-soo que eu tive a oportunidade de ver, mas alguns elementos recorrentes nas duas obras já me chamaram a atenção. O primeiro deles é a ausência do homem viril. As personagens masculinas desses filmes são frágeis, inseguras, quase patologicamente dependentes das mulheres que desejam e que estão sempre inalcançáveis ou que por algum motivo representam um momento de dor e, por isso mesmo, devem ser mantidas à distância, um terrível e interessante paradoxo.

Tanto neste filme quanto em Hahaha (2010), temos uma dupla de amigos que se encontram para beber e conversar amenidades. No filme de 2010, o encontro era o acontecimento menos importante, enquanto o passado, exposto através de flashbacks, constituía a verdadeira medula da obra. Neste filme de 2011, o presente é tudo o que importa. A personagem principal continua sendo um cineasta que não filma já a algum tempo e esta característica de um jovem diretor aposentado traz uma constante amargura ao personagem, que ainda vive às voltas com um doloroso namoro que acabou e a possibilidade de um novo relacionamento.

O segundo elemento presente em ambos os filmes é o fato de que os protagonistas estão sempre em viagem, mesmo que acabem não chegando a lugar algum. Aqui, o jovem cineasta Sungjioon vem até Seul para encontrar um velho amigo e nessa viagem depara-se com alguns estudantes de cinema e também com seu antigo amor; com uma atriz com quem trabalhara no passado; com uma nova paixão e com outros velhos conhecidos da época em que dirigia filmes. Sua permanência na cidade acompanha a chegada do inverno e das primeiras nevascas, uma excelente metáfora dramática muito bem capturada pelo diretor de fotografia Kim Hyung-ku (Memórias de Um Assassino, 2003).

A história é narrada aos pedaços, especialmente as sequências do bar Romance. É como se houvesse a fixação de um tema e variações a partir da primeira sequência ali filmada. A ideia de repetição nos leva a um outro patamar. Parece-nos ver os dias dos protagonistas se repetirem, tornando-se previsíveis como a vida comum. Embora o espaço para a novidade esteja aberto, o filme retrata o cotidiano e como ele pode sofrer interferências impensáveis das mais improváveis pessoas. Sang-soo realiza um filme sobre acidentes sociais, sobre pequenas marcas daquilo que algumas pessoas chamam de destino. Ao final, nada ou pouca coisa muda de fato, mas uma lembrança ou um sinal muito forte ficam dessa pequena temporada de viagem.

O Dia em Que Ele Chegar representa uma trajetória angustiada de um artista que se auto-exilou do seu mundo; de um homem que não consegue viver sem alguém, mas se força a isso; de uma figura pública tão problemática quanto qualquer outra figura de uma grande metrópole. Entre muitos cigarros, copos de vinho de arroz, uísque e música ao piano, observamos alguns dias na vida de um grupo de pessoas solitárias. Como qualquer outra história sobre a solidão, não é necessário um final e Hong Sang-soo percebeu isso, terminando seu filme em uma segura e pertinente reticência. Nada mais propício.

O Dia em que Ele Chegar (Book chon bang hyang) – Coreia do Sul, 2011
Direção: 
Hong Sang-soo
Roteiro: 
Hong Sang-soo
Elenco: 
Jun-Sang Yu, Sang Jung Kim, Seon-mi Song, Bo-kyeong Kim, Eui-sung Kim
Duração:
80 minutos

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.