Crítica | Doctor Who: O Efeito de Propagação, de Malorie Blackman

estrelas 4,5

Equipe: 7º Doutor, Ace
Espaço: TARDIS, Plexo Temporal / Planeta Skaro
Tempo: Indeterminado
Linha do Tempo do Doutor: O Efeito de Propagação ocorre entre os arcos The Greatest Show in the Galaxy e Battlefield (TV). No universo expandido da série, a história se localiza entre o áudio Shockwave (Destiny of the Doctor #7) e o quadrinho A Cold Day in Hell!.

Os eventos deste excelente conto de Malorie Blackman narram uma das histórias mais interessantes envolvendo os Daleks já escritas em Doctor Who. E não, eu não estou exagerando.

Na abertura do conto, Ace e o Doutor estão na TARDIS, presos em uma realidade galáctica chamada “Plexo Temporal“, uma espécie de prisão magnética (ou areia movediça espacial) que mantinha a nave do Doutor e muitas outras naves à deriva pela eternidade… O leitor é imediatamente brindado com uma excelente linha de humor que a autora usa para nos apresentar nomes engraçados de ferramentas como estabilizador quântico, desentrelaçador magnético e filtro de táquions, as quais o Doutor usa para configurar o tensor cronodinâmico a fim de conseguir um ângulo de fase não ortogonal e então, tentar escapar do Plexo.

Só por apresentar uma realidade claustrofóbica e ameaçadora para o Doutor o conto já ganha uma enorme quantidade de pontos. E o mais interessante é que essa exposição é feita de maneira suave, sempre divertindo o leitor enquanto traz explicações técnicas, um bom recurso para evitar momentos mais literais e tendenciosamente chatos do conto, o que não deveria ser uma preocupação de Blackman, porque esses “momentos chatos” simplesmente não acontecem na história.

Do Plexo para Skaro e então para o encontro com uma realidade completamente absurda para os padrões do Doutor (e claro, para os nossos padrões também, que sabemos do que os Daleks são capazes), o texto nos surpreende com novidades em termos de organização social em uma linha temporal acidental (cuja esperança é plantada, para um “tempo nenhum”, ao final do conto) e ainda consegue nos trazer o Doutor e Ace em uma relação densa de companheirismo, onde a confiança, por mais difícil que pareça devido ao fator moral que a história traz, deve ser colocada à frente de tudo.

A passagem do penúltimo para o último capítulo é um pouco apressada, mas o leitor não irá desgostar da obra por esse detalhe. O que fica na memória é a interessantíssima maneira com que Malorie Blackman imaginou um mundo onde os Daleks poderiam ser pacíficos (no áudio Tangled Web o 8º Doutor sonha com algo parecido) e nos trouxe um genuíno exercício de ficção científica nos moldes clássicos do gênero. O Efeito de Propagação é um exemplo de obra em Doctor Who que agradaria até mesmo quem não conhece a série e, com certeza, pode servir de porta de entrada para qualquer leitor interessado em fazer parte do praticamente infinito e maravilhoso universo expandido da série.
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Malorie Blackman fala sobre o projeto

O Efeito de Propagação (The Ripple Effect) — Reino Unido, 2013
Autor: Malorie Blackman
Editora original: Puffin Books
Lançamento no Brasil: 12 Doutores 12 Histórias (coletânea)
Tradução: Cláudia Mello Belhassof
Editora: Rocco
40 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.