Crítica | O Espanta Tubarões

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Sabe aquela narrativa cheia de metalinguagem? As piadas rolam soltas e a festa fica por conta do contato entre espectadores e referenciais. A animação O Espanta Tubarões se encaixa nestas observações. Ao longo dos 90 minutos, as vozes de Reneé Zelwegger, Angelina Jolie, Will Smith, Robert De Niro, Jack Black e Martin Scorsese dublam os personagens bem construídos pela equipe de Dan St. Pierre, designer de produção. O que pulula em referências, entretanto, falha em história. Com roteiro de Rob Letterman, Damian Shannon, Mark Swift e Michael J. Wilson, a trajetória do peixe Oscar é divertida e bem delineada visualmente, mas fica devendo bastante em quesitos narrativos.

Dirigido pelo trio formado por Bibo Bergeron, Vicky Jenson e Rob Letterman, O Espanta Tubarões faz uma leve reflexão sobre a fama e seus desdobramentos, entre as questões mais pontuais, o deslumbramento, tendo em vista flertar com a importância do amor e do companheirismo para uma vida plena e digna.  Na produção Oscar é um peixe com grandes projetos de vida. Num certo dia, o tubarão Frankie, personagem com forte ligação com a máfia morre acidentalmente. Diante da oportunidade de fazer sucesso, “o empreendedor de sonhos” conta pra todo mundo que ele foi o responsável pela morte do animal valentão.

Aclamado pelos peixes da região e respeitado por sua valentia, Oscar logo percebe que a fama também tem os seus percalços, pois ao contar a história para o tubarão vegetariano Lenny, hilário personagem com todos os toques sutis da homossexualidade, Oscar acaba se entregando e ganhando ficha suja na máfia. Ele passa de herói para a próxima provável vítima dos mafiosos tubarões. O pai de Frankie resolve abrir uma investigação para saber quem matou o seu filho e não vai sobrar escama para o responsável.

Lançado em 2004, O Espanta Tubarões tem condução musical luxuosa de Hans Zimmer, além das excelentes referências aos filmes de máfias, escolhas que ficam entre o estereótipo e o bom tom quando sabemos que Scorsese e De Niro estão por detrás do processo de dublagem. O Poderoso Chefão, A Máfia no Divã são algumas das citações hilariantes, mas que pedem repertório adulto e conhecimento de cinema para a devida captação. Interessante também a citação ao filme que imortalizou a imagem dos tubarões diante da sociedade, isto é, Tubarão, de Spielberg. Em determinada cena os tubarões conversam e um deles entoa algumas notas da música tema de John Williams. Ao se entreolhar, um deles parece não compreender do que se trata. É quando o outro reforça: “essa é a nossa música tema, ué!”.

O Espanta Tubarões — (Shark Tale) Estados Unidos, 2003.
Direção: Bibo Bergeron, Vicky Jenson
Roteiro: Michael Wilson
Elenco: Angelina Jolie, Jack Black, Martin Scorsese, Renée Zellweger, Robert De Niro, Will Smith, Ziggy Marley
Duração: 90 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.