Crítica | O Espetacular Homem-Aranha: #13 a 24 e Anual #1 (1964-1965)

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Contém spoilers..

Com o estabelecimento de algumas das mais icônicas histórias e alguns dos mais memoráveis vilões, introduzindo premissas eternas da jornada do herói e manejando com sucesso uma empatia do leitor ao personagem título, a dupla Lee/Ditko deu prosseguimento à revista The Amazing Spider-Man, já estabelecida como um dos maiores sucessos comerciais da Marvel Comics. Não é por menos que uma pesquisa de 1965 da Esquire, em campos universitários americanos, elegeria o Homem-Aranha como um dos símbolos revolucionários favoritos da juventude. De acordo com entrevistados na época, o amigão da vizinhança estava “sofrendo com problemas, problemas de dinheiro e questões existenciais. Em suma, ele é um de nós”. A seguir, a continuação dessa revisão, no Plano Crítico, dos tempos clássicos do aracnídeo mais famoso da cultura popular. Para visualizar outros compilados das edições de Espetacular Homem-Aranha, clique aqui.
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The Amazing Spider-Man #13

estrelas 3,5

“Deus, ele é mais esquisito que o Aranha!” – Um momento genuinamente cômico em The Amazing Spider-Man, após a introdução do Mystério.
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Em A Ameaça de… Mysterio!, Stan Lee utiliza como premissa da história, substancialmente a mesma que ele utilizou em The Amazing Spider-Man #1, um suposto Homem-Aranha criminoso. A maior diferença é o estudo que Lee promove sobre a pessoa de Peter Parker, que começa a indagar se esse Homem-Aranha não seria, de fato, uma segunda personalidade de si mesmo. É um ponto interessante que abala em suas devidas proporções a cabeça de Parker, começando até a desdenhar da atenção que os outros lhe dão. Neste momento, é curioso notar-se que Flash Thompson é um dos únicos a não desacreditar no amigão da vizinhança, mesmo que isso ainda não seja explorado afinco por Lee.

Surge assim Mystério, um vilão  impressionante, ao menos esteticamente, e que tornar-se-ia parte da galeria de clássicos inimigos do aracnídeo (e que, por algum motivo desconhecido, ainda não ganhou uma adaptação cinematográfica, esta mais que obrigatória). A infelicidade desnorteadora do conto é a estruturação óbvia que ocorre para a explicação da origem do personagem, e que tira boa parte do encanto dele. Sua presença, quando uniformizado, é assustadora, mas sua persona mundana é patética – vide o cabelinho de criança de 7 anos que Quentin Beck possui. Perde o peso de um vilão que quando envolto no desconhecido é muito mais poderoso.

Curiosidades:
Primeira aparição do Mystério, com sua origem sendo contada.
Primeira vez que o Homem-Aranha conflitua sua própria personalidade.
Em um retcon futuro, a primeira aparição do Mystério/Quentin Beck se daria em The Amazing Spider-Man #2, como um dos membros da gangue do Consertador de falsos alienígenas.
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The Amazing Spider-Man #14

estrelas 2,5

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Falar mal de um clássico como A Grotesca Aventura do Duende Verde pode ser um tiro no pé, ainda mais para um crítico que julga-se amante do Homem-Aranha e de toda sua mitologia. No entanto, permitam-me justificar-me. Primeiramente, o crescimento do Duende Verde como personagem é inegável. Não por menos o vilão viria a se tornar o arqui-inimigo do Cabeça de Teia. Porém, há de se entender que como conto isolado de qualquer aventura futura, The Amazing Spider-Man #14 é quase risível. E não em um bom sentido. É demasiadamente ilógico que um vilão, que odeia o aracnídeo sem qualquer apresentação inicial, orquestre um plano mirabolante relacionado a um filme hipotético, e o Homem-Aranha aceite participar do filme (como se fosse a coisa mais normal do mundo). Nada disso faz sentido. É bobo, e não um bobo gracioso que permeou alguns dos maiores sucessos da década de 60. É um bobo insosso.

A aparição do Hulk é deveras conveniente. Não é como, em uma edição futura, na qual o Homem-Aranha encontra aleatoriamente Matt Murdock andando pelas ruas de Nova Iorque. Aqui, Peter Parker vai para o outro lado dos Estados Unidos e entra coincidentemente na mesma caverna que o Gigante Esmeralda estava se escondendo. Aranhas me mordam. E para que essa aparição? Narrativamente falando ela não leva a nenhum ponto. E os Executores ainda dão as caras nessa edição para fazerem quase nada. Todavia, eles funcionam como artifício ilustrador da bondade do nosso herói, que salva-os de um possível ataque do Hulk. Isso é um ponto bacana, assim como a arte também é. Uma pena que demoraria ainda um pouco mais para Stan Lee acertar a mão – em cheio – no maior vilão do Aranha – depois do Doutor Octopus, é claro.

Curiosidades:
Primeira aparição do Duende Verde, porém sua identidade secreta permanece um mistério, diferentemente da dos outros vilões.
Primeiro encontro do Homem-Aranha com o Hulk.
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The Amazing Spider-Man #15

estrelas 4

amazing-spider-man-15Kraven, o Caçador é um dos vilões do Aranha mais reconhecíveis – e amados – pelos leitores dos quadrinhos. Sua presença em A Última Caçada de Kraven é fenomenal, e fomentou um mito através de um personagem que sem essa história talvez não fosse tão relembrado. Mesmo não sendo regularmente um vilão tão assombroso quanto aquele retratado no arco dos anos 80, Kraven nunca seria digno do limbo de vilões do Aranha, como até então o Consertador e o Camaleão, este último retornando nessa aventura, já pertenciam logo de cara. Sua primeira aparição, contratado pelo Camaleão para capturar – ou matar – o Aranha é ótima, movimentando alguns elementos de trama que seriam constantes no que refere-se ao conjunto do personagem. Além de seu estilo visual, que perdoe o trocadilho, é animal.

Seus embates com o Cabeça de Teia são muito bons, e a arte de Steve Ditko parece encontrar um apuramento especial. O roteiro de Stan, por outro lado, retoma algumas repetições, como o combate contra animais ferozes que são libertados de suas jaulas, o que já havia sido feito em The Amazing Spider-Man #12. Engana-se, contudo, quem acredita que O Cara não transmite valor de produção à narrativa, visto que ele indica algumas boas problemáticas à vida amorosa de Peter Parker. A sugestão de um encontro com a sobrinha de Anne Watson é feita pela primeira vez, além de que algumas decepções amorosas surgem. O clima que permeia Betty Brant e o fotógrafo apenas configura uma contínua decepção da garota por Peter. Uma relação que infelizmente não encontraria seu felizes para sempre.

Curiosidades:
Primeira aparição de Kraven, o Caçador.
Primeira menção indireta à Mary Jane Watson, que infelizmente, não comparece ao encontro marcado com Peter Parker.
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The Amazing Spider-Man #16

estrelas 4,5

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Crítica por Luiz Santiago. Como é bom ler uma história clássica do Homem-Aranha, especialmente uma da época em que Stan Lee assinava os roteiros da ASM! Essa edição #16 da Amazing Spider-Man traz o Cabeça de Teia ainda no início de sua jornada, enfrentando um vilão bizarro e fraco, mas que no roteiro de Stan Lee parece importante demais e… como sempre… divertido demais.

A história tem uma importância especial porque marca o primeiro encontro do Aranha com o Demolidor na época em que o Homem Sem Medo ainda usava o uniforme amarelo. Sempre abordando as questões particulares de cada herói e brincando com a dualidade entre suas vidas civis cheias de problemas e as vidas de herói pontuadas por perigos mortais e – por quê não? – diversão, Lee cria uma história que prende o leitor do começo ao fim, mesmo que o vilão da vez não seja interessante.

Não há rebuscamentos dramáticos, problemas insolúveis ou coisa do tipo. A questão é muito prática e se torna engraçada porque os indivíduos do circo são estúpidos e possuem nomes sensacionais (Palhaço Ardiloso é o que merecia um prêmio). Toda a atmosfera de vilão “B” pode ser vista na história, que é uma pequena crônica de um dia, iniciada após Parker “fugir” dos comentários da tia May sobre uma certa Mary Jane.

Steve Ditko é o encarregado da arte desta edição e complementa à altura o texto de Lee. Com movimentos inteligentes e ângulos lindos de se ver – especialmente para o Aranha – o artista cria um real espetáculo em toda a sequência do circo. Mesmo com a estranha presença de vilões e algumas situações no decorrer das batalhas, Duelo com o Demolidor é uma aventura sensacional, com texto satírico e bem humorado, uma história bem amarrada e ilustrada com precisão. Que saudade de contos assim!

Curiosidades:
Primeiro encontro entre o Homem-Aranha e o Demolidor.
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The Amazing Spider-Man Annual #1

estrelas 4,5

amazing-spider-man-annual-1A primeira anual de The Amazing Spider-Man situa-se entre as edições 16 e 17, em termos cronológicos – mesmo que parece que o final, ou seja, a prisão dos membros do sexteto seria desconsiderado para aventuras futuras do personagem. Com mais páginas do que as edições regulares, teríamos aqui a origem do super grupo de vilões mais famosos das histórias do aracnídeo: O Sexteto Sinistro. Tendo o Doutor Octopus encabeçando a formação, o sexteto seria complementado por: Electro, Kraven, Homem-Areia, Mystério e Abutre. Trata-se então do maior desafio que o Teioso já havia enfrentado. Se juntos eles – talvez – seriam imbatíveis, separados o grupo acaba sendo derrotado, um a um, sem muitas dificuldades. Isso, no entanto, não é demérito algum visto que estamos presenciando uma das histórias mais divertidas do Aranha até então.

A arte de Steve Ditko permite a criação de belos quadros dos vilões lutando individualmente contra o Aranha, além de que o último confronto, no caso com o Doutor Octopus, é visualmente inventivo colocando Otto para comportar-se como um verdadeiro polvo. O humor de Stan Lee é extremamente afiado, fazendo J. Jonah Jameson protagonizar a cena mais hilária da edição – sua suposta conversa com uma aranha. Apesar de algumas resoluções simples para confrontos que pareciam invocar maior periculosidade, The Amazing Spider-Man Annual #1 é mais um grande acerto da dupla Lee/Ditko.

Curiosidades:
Primeira aparição do Sexteto Sinistro.
A relação entre Tia May e Doutor Octopus é levemente pincelada devido a ingenuidade da senhora que parece não ter entendido que fora sequestrada.
As aparições de outros personagens da editora (que, aliás, não soam nenhum pouco artificiais, aparentando organicidade nos encontros) deve-se a uma publicidade feita para levar leitores do Homem-Aranha para outras revistas. Figura-se assim a primeira vez que todos os personagens da Marvel com suas próprias revistas aparecem em uma única edição.
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The Amazing Spider-Man #17, 18 e 19

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Eu vou entrar em ação de novo e nada vai me deter… por que finalmente descobri que um homem pode mudar seu destino! Eu nasci para ser o Homem-Aranha!” – Peter reergue-se após um discurso de Tia May.

As edições 17, 18 e 19 estruturariam a primeira forte desmotivação de Peter Parker em combater o crime. Vítima de chacota, e perdendo todo o apoio do povo devido as suas supostas fugas de combates, o Homem-Aranha torna-se definido por uma covardia que, na realidade, nunca residiu nele. Sendo menos concisa do que outros arcos mais bem definidos, os vilões das três edições diferem essencialmente mesmo que as edições abordem um tema principal. Enquanto na primeira temos a volta do Duende Verde, a segunda não conta com nenhum confronto grandioso, exceto pela participação do Homem-Areia que retornaria na última edição, junto com os Executores.

Primeiramente, não deixem-se enganar pela nota. Stan Lee ainda não acertou, em cheio, com o Duende Verde. O personagem reaparece, mas sua aparição ainda não convence como um dia convenceria. Parece cobrança excessiva, visto que outros vilões muito menos expressivos (Camaleão, Consertador e a tríade dos Executores) já apareceram anteriormente, porém, trazendo o excelente histórico que ainda viria para o personagem, ainda não chegamos no ponto que um breve futuro possibilitaria. O Retorno do Duende Verde funciona muito mais pelo estudo de personagem feito com o Homem-Aranha (Peter Parker), Flash Thompson e até mesmo Betty Brant, do que aquele que ocorre com o Duende.

Na premissa da primeira edição, Flash decide criar um fã-clube do aracnídeo, ao mesmo tempo que o Cabeça de Teia começa a questionar sua popularidade entre as pessoas, comparada, por exemplo, com a do Tocha Humana. O Duende Verde decide fazer uma aparição surpresa na primeira reunião, assim como o Aranha. Por outro lado, no que refere-se ao amor, Betty Brant, atual namorada de Parker, está cada vez mais enciumada de Peter e das investidas que Liz Allan está dando nele. Tal fato também acaba enciumando Flash, que aqui mostra uma extrema devoção ao amigão da vizinhança, mesmo que ao final da história, boa parte dos membros do clube voltem-se contra ele.

Aliado ao pessimismo que a edição traz no último quadro de sua derradeira página está um triste retorno da Tia May ao hospital, que faz o Homem-Aranha sair as pressas do encontro – durante seu confronto com o Duende Verde – e, como citado anteriormente, fazer boa parte dos membros do clube voltarem-se contra ele. A aparição do Tocha Humana, diferentemente da do Hulk em The Amazing Spider-Man #14 , é muito boa, e parece pretender uma progressão da maturidade de Johnny em encarar sua rivalidade com o aracnídeo, que um dia daria origem a uma bela amizade. A edição #17 revela uma ainda maior preocupação do Aranha pela sua amada tia, enquanto seus problemas se estendem em contínua pungência.

Sendo assim, é difícil engolir o argumento de que o Homem-Aranha ter “fugido” do combate contra o Duende Verde tenha sido o suficiente para tirar a crença das pessoas – e até mesmo a de outros super-heróis – no mito. É fraco, e demonstra um senso de estupidez coletiva, pois, quantas vezes o Aranha tinha sido corajoso até o momento? Ele estar colocando uma máscara e lutando contra o crime por vontade própria é o suficiente para condecorá-lo ao título de corajoso. O Corajoso Homem-Aranha.

É uma das clássicas inserções de uma alienação da massa, porém, no entanto, aqui não há a intenção de desmoralizá-la, ou então, como funcionaria melhor, de abordar uma crítica social relevante como, por exemplo, a manipulação da mídia. O que temos é mais uma problematização – nada convincente – na vida do Homem-Aranha, criando uma inquietação fácil no público leitor que sabe que o herói não é nenhum covarde. Fora isso, o maior problema é que a história em si têm muitos prós significativos, o que torna a argumentação acima ainda mais pesada pois ela quebrou-me diversas vezes durante o enredo, tirando qualquer peso dramático. Parei-me pensando: povo de Nova Iorque, tem um mega supervilão vilanesco atrás do Homem-Aranha e vocês estão atacando-o por que ele está fugindo de um mega supervilão vilanesco? É um mega supervilão vilanesco cometendo “vilanices”, ora pois.

Em uma tentativa – falha – de ignorar totalmente esta problemática, retornamos a O Fim do Homem-Aranha, edição na qual mostra o Tocha Humana relutante em acreditar que o aracnídeo é um covarde (Johnny Storm sendo a voz da razão é algo difícil de se ver) e buscando contato com o herói. É interessante ver que os encontros anteriores dos personagens parecem ter resultado em algo a mais, demostrando uma construção da relação entre os dois. Há também de se aplaudir o que Stan Lee faz com Flash Thompson, mostrando novamente uma extrema lealdade do personagem ao Aranha, e uma coragem em enfrentar o crime mesmo sem super poderes, continuando o desenvolvimento que havia sido estabelecido na edição 17. Lee também é notável por conseguir criar uma história com muita pouca ação, sem um clássico combate entre herói e vilão (O Aranha foge do Homem-Areia. Não há uma luta direta.). Ademais, é impagável o sorriso nauseante de J. Jonah Jameson pelos traços de Steve Ditko.

Por fim, e não menos importante, o retorno do Cabeça de Teia na décima oitava edição não é tão grandioso quanto poderia se esperar. Para não sair em branco é estabelecida a presença de Ned Leeds, que já havia dado as caras de modo discreto na edição interior, como novo namorado de Betty Brant, desesperada em causar ciúmes em Parker. Isto posto, algumas bobagens usuais como uma corda dos Executores ser capaz de pegar o Tocha Humana em chamas, como se o fogo não afetasse-a em nada, são mais comuns do que deveria, mas nada extraordinariamente degradante. É um encerramento simples, não muito mais que simples.

Curiosidades:
O fato de Mary Jane estar resfriada, algo que já havia acontecido anteriormente, revelar-se-ia mais tarde como sendo uma mera desculpa da garota para não sair com Parker.
Pela primeira vez, alguns dos icônicos apetrechos do Duende Verde aparecem, como sua bomba em forma de abóbora de Halloween.
A vassoura voadora do Duende em The Amazing Spider-Man #14 é enfim substituída pelo seu clássico planador.
Na edição 18, ocorre a primeira aparição de Ned Leeds.
Na edição 19, ocorre a primeira aparição de McDonald Gargan, que viria a se tornar o Escorpião na edição 20.
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The Amazing Spider-Man #20

estrelas 4,5

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Não é novidade para nenhum dos leitores do Aranha que J. Jonah Jameson não é o maior fã do herói. Muito pelo contrário, visto que na vigésima edição de The Amazing Spider-Man, o editor-chefe do Clarim Diário decide contratar um detetive para seguir Peter Parker e descobrir como ele tira suas fotos. Extremamente válido, visto que é mesmo de se indagar como Parker tira fotos tão perto do combate, ainda mais vindo de um alguém que não sabe a verdadeira identidade do Cabeça de Teia. Entretanto, as coisas tomam proporções muito maiores quando Jameson decide atacar o Aranha diretamente, através de McDonald Gargan, o homem que viria a se tornar o Escorpião.

Por incrível que pareça, o Escorpião segura as pontas como um bom vilão, aflorando uma real ameaça ao nosso herói. Também é válido o entendimento da ironia presente na situação final na qual o Teioso acaba por salvar a vida de Jameson, que estava prestes a ser morto por Gargan. O homem que você mais odeia é, no final, seu salvador. O visual do inimigo da vez também é um acerto, com os olhos medonhos e doentios de McDonald ficando a vista. Há ainda algum desenrolar na relação entre Peter e Betty, mesmo que o casal já não aparente ir a lugar algum. Além disso é digna de nota a história de redenção de um criador arrependido por ter criado um monstro.

Curiosidades:
Primeira aparição do Escorpião, com a sua origem sendo contada.
O irmão do Dr. Farley Stillwell, Harlan Stillwell, teria relação com a criação de outro vilão do Aranha, aparecendo em The Amazing Spider-Man Annual #10.
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The Amazing Spider-Man #21

estrelas 2

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O retorno da dupla Homem-Aranha e Tocha Humana é uma grande decepção. Com o Besouro de antagonista, um fraco vilão que havia surgido em Strange Tales #123 e agora estreava na revista do Teioso, não seria difícil transformar a aventura em mais um conto filler, sem relevância para a cronologia de fato. Lee, felizmente, consegue permear a história com doses de discussões sobre o papel do herói, mesmo que tudo soe forçado, ou então, essencialmente mal conduzido. Além de haver algumas repetições de ideias já utilizadas anteriormente, Stan Lee parece não encontrar um caminho no qual queira levar a relação entre o Tocha Humana e o Homem-Aranha. Em Onde Voa o Besouro a rixa entre os dois permanece, não apenas entre seus respectivos alter egos, como entre suas respectivas identidades civis.

Dorrie Evans, namorada de Johnny Storm, acaba conhecendo Peter Parker, ao mesmo tempo que começa a se cansar da vida heroica de seu namorado. O problema central da história não é meramente o fraco vilão que ela apresenta, mas sim o ciclo vicioso que ela estende, e sem nenhuma lógica verdadeira para tal. O Homem-Aranha e o Tocha Humana já haviam encontrado-se diversas vezes, com fagulhas de desenvolvimento da relação deles, e estava assim mais do que provado para o membro do Quarteto que o aracnídeo não seria nenhum mau-caráter, ou supervilão.

Então, por quais motivos o Tocha acreditaria que o Aranha sequestrou sua namorada, senão puro interesse de Stan Lee em criar uma briga – boba – entre os dois? Além de que, após sugerir o recomeço do romance entre Peter e Betty na edição anterior, o roteirista decide retornar para a mesma questão anterior que fez o casal se separar aos poucos, repetindo um ciúme de Brant por qualquer garota que Parker conversar, comportando facilmente a palavra enfadonha como designação do que está acontecendo nos quadrinhos.

Ressalvas postas, o desabafo final do nosso herói título, amargurado pelo fato das pessoas a sua volta não clamarem a sua presença, é melancolicamente pontuado, com um belo quadro final de Steve Ditko. Se ao menos o amigão da vizinhança soubesse o quanto um dia ele ainda seria amado…

Curiosidades:
Primeira aparição do Besouro em uma revista do Homem-Aranha.
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The Amazing Spider-Man #22

estrelas 4

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Tendo aparecido em The Amazing Spider-Man #16, o Circo do Crime retorna seis edições depois, colocando uma nova integrante no grupo, a Princesa Píton e manejando a expulsão do líder anterior, o Mestre do Picadeiro, em troca do Palhaço, o novo cabeça da equipe. Enquanto isso, Betty Brant finalmente dá a Peter o direito da dúvida e ouve as explicações do garoto sobre o que aconteceu na edição anterior. Os membros do Circo do Crime, agora renomeado de Mestres da Ameaça, decidem então roubar uma galeria onde está ocorrendo uma exposição de arte.

A história é jocosa, o que surpreende um leitor que pode visitá-la com um pé atrás, porém mesmo assim, Stan Lee não consegue tratar muito bem a Princesa Píton e seu combate com o Homem-Aranha. É uma repetição do tratamento feito sobre vilãs femininas, que apesar de serem tratadas com até uma imponência inicial, acabam sendo deslocadas a usarem a sensualidade para investir contra os heróis. A sequência com a cobra é tão mais energética, que destoa completamente da anterior, absurdamente clichê. É uma vilã, enfim, desinteressante.

Curiosidades:
Primeira aparição da Princesa Píton.
O livro que Peter está lendo no começo da edição faz referência a Hank Pym, o Homem-Formiga ou o Gigante, alter ego que estava adotando na época.
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The Amazing Spider-Man #23

estrelas 4

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Pensem nessa cena. Alguns gangsteres estão perseguindo o Homem-Aranha freneticamente até que o aracnídeo chega em uma sala e usa sua teia para trancar a porta. Enquanto os bandidos tentam forçar a entrada no cômodo, o Teioso liga para a Tia May para avisar que vai chegar tarde para jantar. Ele senta em cima de um móvel e conversa um pouco com a tia como se nada de errado estivesse acontecendo. Uma cena digna de se conjecturar como uma das mais cômicas da fase Lee/Ditko e de ilustrar perfeitamente o aspecto lúdico dessa edição, que visa o divertimento do leitor.

O Duende Verde decide atacar uma gangue liderada por Lucky Lobo, e prende seu líder, visando o controle do resto da organização. Com os jornais acreditando que o maníaco está do lado da lei, ou seja, contra os criminosos, o Aranha começa a questionar as atitudes do vilão até descobrir suas verdadeiras intenções. Sem nada de especial na história, alguns pontos são refrisados como o fato da identidade do Duende Verde ser ainda um mistério. Além disso há um jogo de Stan Lee com os ciúmes entre o casal Brant e Parker, que antes perpetuado na figura de Betty agora revela-se em Peter ao ver uma carta de Ned Leeds endereçada a sua namorada.

Curiosidades:
Primeira aparição de Lucky Lobo.
Primeira aparição de Norman Osborn, ainda sem nome, como um dos membros do clube dos executivos de negócios do centro.
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The Amazing Spider-Man #24

estrelas 5,0

“Eu… Eu acho que você está certo. Qualquer coisa seria melhor do que continuar tendo essas alucinações. Não será nada bom continuar como Homem-Aranha se eu perder minha mente com isso!” – O clímax da edição antes do Homem-Aranha ser salvo por J. Jonah Jameson.

amazing-spider-man-24Esqueçam que o Mystério foi preso em The Amazing Spider-Man Annual (visto que parece que o fato de todos os seis membros do Sexteto Sinistro terem sido presos no final da edição foi desconsiderado) e lembrem-se apenas de sua aparição na edição 13. Se todas aquelas críticas sobre sua identidade secreta ter sido revelada, e a consequente perda da figura mítica que o vilão poderia carregar, eram totalmente cabíveis para aquela apresentação do personagem, tendo isso em mente, Stan Lee subverteu em Homem-Aranha Enlouquece alguns conceitos e criou uma extremamente instigante paranoia na cabeça de Parker.

A sensacional capa de Steve Ditko já propõe o teor levemente lisérgico da trama, que projeta visões de vilões como o Doutor Octopus e o Abutre de modo a destruir a sanidade do Cabeça de Teia. A deturpação da mente de Parker começa a trazer efeitos óbvios, que o fazem até mesmo cogitar uma saída da vida de super-herói com medo de poder machucar outras pessoas ou ter sua mente mais deteriorada ainda. O fato dele não ligar se sua identidade for revelada, em troca de uma cura ou mera cessão da dor, exterioriza ainda mais a pressão – quase tortura – psicológica que é feita contra ele.

Por fim, ainda temos J. Jonah Jameson protagonizando mais uma ironia aconchegante. Sua intromissão durante um diálogo desesperador entre Peter e o suposto psiquiatra Ludwig Rinehart acaba ocasionando a vitória do Aranha. Além disso, ainda temos mais uma confirmação da extrema devoção de Flash ao aracnídeo, corajoso o suficiente para atacar Jameson e defender a imagem de seu ídolo a todo custo. A melhor história desse segundo compilado do Homem-Aranha – mesmo que conte com uma desnecessária explicação do plano maquiavélico do Mystério, descoberto por meio de um espetacular plot twist.

Curiosidades:
Mystério ainda faria mais usos da identidade do Dr. Ludwig Rinehart, como em The Amazing Spider-Man #193.

The Amazing Spider-Man #13 a 24, Annual #1 (EUA, 1964/5)
Roteiro: Stan Lee
Arte: Steve Ditko
Arte-final: Steve Ditko
Letras: Artie Simek, Sam Rosen,
Cores: Stan Goldberg
Capas: Steve Ditko, Stan Goldberg, Sam Rosen
Data de publicação: junho de 1964 a maio de 1965
Páginas: 20 por edição, 72 no anual

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.