Crítica | O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (Trilha Sonora Original)

estrelas 3,5

Havia muito o que ser corrigido no reboot do Homem-Aranha lançado pela Sony em 2012. Entre cenas de ação fracas, histórias de origem desnecessárias e o fato de Peter Parker andar de skate ouvindo Coldplay, a trilha sonora de James Horner foi um dos elementos mais criticados. Ainda que pessoalmente goste do trabalho mais delicado do falecido compositor, é impossível não se empolgar quando Hans Zimmer é anunciado para tocar a trilha de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro.

Mesmo que seja um filme irregular e ainda mais problemático do que o primeiro, A Ameaça de Electro traz boas contribuições de Zimmer. Ainda mais pelo compositor não estar sozinho, já que montou o grupo batizado de The Magnificent Six (em uma clara referência ao Sexto Sinistro que nunca veremos), formado por Junkie XL, Johnny Marr, Mike Eizinger, Pharrell Williams, Andrew Kawczynski e Steve Mazzaro.  De cara, a trilha abraça o tema do vilão central da mesma forma como a de Batman – O Cavaleiro das Trevas abraçava a de seu Coringa. Mas sai o violoncelo elétrico do Palhaço do Crime para que entre o dubstep eletrônico de Electro.

My Enemy é a grande faixa do álbum, que traz uma grande miscelânia de estilos: temos a flauta um tanto cartunesca para Max Dillon em sua fase pré-transformação, as vozes que sussurram para dentro da cabeça do personagem (como “He lied to me”, “He hates me”, “Spider-Man he is my enemy” e o dubstep que acompanha praticamente todas as manifestações de seus poderes elétricos, contando também com a guitarra quase trágica de Johnny Marr. É uma excelente faixa, sem dúvidas. A flauta em contrapartida às vozes assustadoras é quase um duelo esquizofrênico na mente do antagonista

Então, temos nosso herói. O tema de James Horner acabou descartado para que Zimmer criasse algo inteiramente novo, e se há um tema que I’m Spider-Man certamente abraça, é justamente o espetacular. É uma faixa alegre e quase espalhafatosa, mas que traz bem o heroísmo e até o senso de brincadeira que Peter Parker em se balançar pelos prédios de Nova York, consistindo predominantemente de um trompete animado e imponente.

Por último em termos de novos temas de personagens, temos I’m Goblin para marcar o novo Duende Verde da história. Aqui, Zimmer utiliza um violoncelo elétrico com escala decrescente, simulando quase uma sirene/alarme que lentamente vai nos avisando de um perigo iminente; além de perfeitamente traduzir sonoramente a loucura que se apodera da mente de Harry Osborn. O restante da faixa converte-se em uma percussão eletrônica intensa, mas o curioso mesmo é notar como essa introdução arrepiante é surpreendentemente similar com o tema de Crysis 2, game para o qual Zimmer também ofereceu seus serviços.

E ainda que não seja uma nova personagem nem ganhe um novo tema, Gwen Stacy tem uma representação importante na trilha sonora. É uma pena que aqui, especificamente, o trabalho de Zimmer e seu sexteto magnífico fique aquém do piano mais sutil e romântico de James Horner. Ground Rules praticamente recicla as notas do tema central do Aranha em um piano mais discreto, enquanto I Chose You soa genérico por apostar em uma guitarra suave e um piano abafado. Ao menos Let Her Go consegue fazer alguma justiça à relação Peter e Gwen, sendo um doloroso piano que marca o trágico clímax da personagem.

A breve e ambiciosa passagem de Hans Zimmer pela Marvel e o Cabeça-de-Teia foi divertida e inventiva quando trabalhada com bons conceitos, principalmente as novas encarnações de Electro, Duende e Aranha. É uma pena que o resultado não seja grandioso como a proposta, mas é uma falha que reflete o próprio caráter do filme em questão.

The Amazing Spider-Man 2: Original Motion Picture Soundtrack

Composto e conduzido por Hans Zimmer e The Magnificent Six
Gravadora:
Columbia Records e Madison Gate Records
Ano:
2014
Estilo:
Trilha Sonora

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.