Crítica | O Exótico Hotel Marigold 2

marigold

estrelas 2,5

Após o sucesso do agradabilíssimo O Exótico Hotel Marigold (2011), filme baseado no livro de Deborah Moggach, o diretor John Madden se afastou um pouco da agitada agenda de produções. Entre o primeiro e o segundo Marigold, ele dirigiu apenas um episódio de TV, o piloto da série Masters of Sex, em 2013. Voltando às câmeras em O Exótico Hotel Marigold 2 (2015), Madden tentou emular a graça e comicidade do primeiro filme que, apesar de suas falhas, fez o espectador sair do cinema mais leve, mais feliz. Em Marigold 2 essa felicidade é apenas o fugaz prazer de ver tantos atores bons em um único espaço e algumas frases realmente bem colocadas como “fui com a expectativa baixa e voltei decepcionada“.

O roteirista Ol Parker volta aqui com uma tarefa ainda maior em mãos: criar algo novo e original para personagens originados na literatura. Seu texto começa com Sonny (Dev Patel) e Muriel Donnelly (Maggie Smith) nos Estados Unidos, onde tentam financiamento para aprimorar a construção/melhorias de um novo Hotel Marigold. A situação é pouco explorada e tem todas as caraterísticas de um texto forçado, mas acaba dando certo porque os atores são incríveis. Maggie Smith carrega as piadas mais duras e impagáveis; Dev Patel carrega a inocência e as piadas ansiosas, e David Strathairn, mesmo subaproveitado, se destaca, muito embora nos doa imensamente que o ator não tenha recebido um papel realmente importante no longa.

Da negociação inicial até os preparativos para o noivado e o casamento de Sonny e Sunaina, o longa aborda compassadamente elementos da vida pessoal de cada personagem, residindo aí, novamente, o maior problema da fita. Acontece que no primeiro Marigold, a sequência de eventos era mais enxuta e, querendo ou não, mais bem fechada. Em Marigold 2 temos a impressão de que tanto o roteirista quanto o diretor quiseram mostrar um grande número de ações em andamento, o tempo inteiro, não se dando o trabalho de explorar verdadeiramente nenhuma delas e fazendo-as aparecer aos borbotões, sem muito sentido ou necessidade. Veja por exemplo, o conflito que cerca o casal interpretado por Diana Hardcastle (Carol) e Ronald Pickup (Norman).

De forma inadvertida vemos a trama de um possível assassinato entrar em cena e em seguida ser solucionada de maneira displicente. O mesmo vale para o triângulo amoroso em que a personagem de Celia Imrie está metida ou as ressalvas de aproximação entre os personagens de Bill Nighy e Judi Dench. Por mais que o espectador se divirta com a simpatia e qualidade do elenco ou ria de algumas piadas no decorrer da história, não dá para suportar os dramas pouco interessantes que são colocados a cada bloco para dar “suficiente espaço em tela” ao numeroso elenco. Como se não bastasse, ainda temos a adição de Richard Gere e Tamsin Greig como “personas flutuantes’ a um time já muito bem definido e coeso. Qual a necessidade?

Dev Patel tem ótimos momentos em tela — o ator é dono de uma simpatia tremenda –, mas sua personalidade aqui foi construída em cima de um orgulho que não combina em nada com o personagem, mesmo se o consideramos em fase de amadurecimento. A presença do “amigo” Kushal (Shazad Latif) é a desculpa para o deflagrar dessa postura inconsequente de Sonny que ganha atenção demais e chateia o espectador com uma sub-história que até poderia alçar voo, mas é cortada constantemente pelo ágil modelo que o diretor precisou adotar no filme, contando alguns minutos da história de cada personagem e fazendo um rodízio mais ou menos orgânico entre as partes.

O filme ainda traz uma edição e (principalmente) mixagem de som desordenados, com destaque vazio para a trilha sonora em momentos em que o silêncio era necessário. Os diálogos, muitas vezes, são colocados em segundo plano, suplantados por um tema orquestral que ou descaracteriza a cena ou atrapalha o espectador ouvir com perfeição o que está sendo falado. O mesmo problema volta a aparecer — embora em menor grau — na melhor sequência do filme, o casamento, onde há ótima atuação do fotógrafo Ben Smithard e do decorador de set Ed Turner, que recria de maneira admirável o ambiente da celebração da boda. Mesmo que Turner exagere no passo seguinte, a cena da dança, seu trabalho não é de todo perdido e ainda é possível se divertir muito com quase todo elenco dançando.

Não é muito prudente depositarmos esperanças em continuações, mas pensando no bom trabalho de Madden em O Exótico Hotel Marigold e no excelente elenco que ele tinha para trabalhar, não dava para não elevar as expectativas. Infelizmente, mais uma decepção. É verdade que não se trata de uma decepção raivosa e amarga que normalmente temos ao sair da sala após ver um filme que odiamos. O Exótico Hotel Marigold 2 é um filme gracioso, sim. Mas está longe de ter a mesma qualidade que o seu predecessor.

O Exótico Hotel Marigold 2 (Reino Unido, Estados Unidos, 2015)
Direção: John Madden
Roteiro: Ol Parker
Elenco: Dev Patel, Maggie Smith, Danny Mahoney, David Strathairn, Judi Dench, Bill Nighy, Celia Imrie, Ronald Pickup, Diana Hardcastle, Subhrajyoti Barat, Fiona Mollison, Tina Desai
Duração: 122 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.