Crítica | O Filho do Superman (Superman #1 a 6: Renascimento)

estrelas 3

Quem é o Superman? Por muito tempo a DC Comics pensou que o azulão fosse um personagem jovem, imaturo e de cabeça quente. Entretanto, esse “novo Clark”, que namorava a Mulher Maravilha e não Lois Lane, logo se esvaiu em sua falta de conteúdo e vendas. Então a editora resolveu diminuir o personagem, em todos os sentidos, agora o primeiro herói de todos os tempos foi enfraquecido, seu uniforme icônico foi substituído por apenas uma camisa azul com seu logo e uma calça jeans. AH! E não devemos nos esquecer de seu Supermóvel, que era uma moto do estilo Harley-Davidson.

Esse Superman teve uma efêmera participação no universo Dc, com o término dos Novos 52 e depois da iniciativa DcYOU algumas portas foram fechadas. Todavia, uma nova foi aberta e ela dava a oportunidade para a DC corrigir aquilo que tinha sido feito durante todos esses anos com seu maior personagem. Então foi lançado Superman: Lois e Clark, uma HQ que relatava fatos acontecidos com seus dois protagonistas, ambos que eram de uma outra época, antes dos famigerados 52 acontecerem.

No quadrinho o casal tem um filho chamado John e a história narra como ele acaba descobrindo quem é seu pai, e de onde ele veio. Mas, não foi a trama principal que arrancou elogios dos leitores e da crítica, o fato que mais agradou em Lois e Clark foi ver o antigo Superman de volta, aquele que é maduro, seguro, imponente, poderoso e soberano. O quadrinho mostrou para os editores da DC que esse é o herói que os fãs querem ver, pois esse é o personagem que foi construído nos mais de 75 anos de sua história.

Foi com expectativas altas que abri as primeiras edições de Filho do Superman. E, felizmente, as páginas iniciais cumprem muito bem a tarefa de saciar todo esse hype. Vemos um roteiro escrito por Peter Tomasi e Patrick Gleason muito interessante, com sua versão desse tempo morto, é nos apresentado um herói que sente o peso da responsabilidade de ser o novo azulão e logo nas primeiras páginas vemos o novo Superman prestando uma homenagem para seu antecessor. Tudo isso parece mais uma mensagem da própria editora que diz: desculpa, a gente errou feio, mas vamos acertar agora!

E é de acertos que a trama continua, logo depois vemos Superman sendo quem ele é, acompanhamos ele salvando pessoas, ajudando sua família e lidando com seu filho. Com certeza John é um dos fatores mais interessantes da história, diferente de Damian, que mais irrita do que qualquer outra coisa, John é um personagem muito engajante. Ele ainda não tem pleno domínio de seus poderes e as vezes perde totalmente o controle de sua visão de calor, entretanto ele tem o melhor tutor de todos, e é no ensino que vemos o roteiro da dupla apresentar sua melhor faceta.

Seguimos durante as duas primeiras edições a relação de um pai com seu filho, Superman sempre foi a figura de inspiração de muitos, e vê-lo no papel mais inspirador para um ser humano abre um leque de oportunidade. Peter Tomasi e Patrick Gleason aproveitam muito bem dessa relação e constróem bons diálogos e desenvolvem uma boa relação entre John e Clark, sem nunca esquecer de uma das peças mais importante de todo o universo do personagem, Lois Lane.

Infelizmente esse deleite dura pouco, no final da edição dois, somos apresentados ao vilão Erradicador, uma máquina que tem o formato de Superman que foi feita para armazenar as almas e culturas de seu planeta natal. Como ele quer manter a raça Kryptoniana pura, o robô logo se vira contra John, que é mestiço, a fim de matá-lo. Então segue-se, durante as próximas edições, que são compostas pelos números 3, 4, 5 e 6, uma grande “porradaria”. Porém deixemos os comentários de ódio para o final da crítica, agora analisemos outro aspecto do quadrinho.

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A arte pertence a um exército de artistas: Doug Mahnke, Jaime Mendoza, Jorge Jimenez e Patrick Gleason, Mick Gray. Esse grande número possui apenas uma explicação, o título do Superman é quinzenal, para dar conta de um trabalho tão grande como esse, em um curto período de tempo, é necessário que a editora acumule um grande número de artistas para cuidarem do único quadrinho.

Isso faz com que a arte seja muito ciclotimia, em algumas edições vemos traços e posições muito bem trabalhadas, em outras vemos uma anatomia totalmente inverossímil e expressões que não são dignas de um título tão grande. Felizmente os painéis mantém um padrão alto durante todo o volume. As cores também se alteram de uma edição para a outra. Mas em geral é muito bem trabalhada, nada inovador, porém percebe-se um bom uso das cores azul e vermelha.

Agora voltemos para a pergunta do começo da crítica. Quem é o Superman? Durante as primeira duas edições do arco vemos essa pergunta ser respondida, acompanhamos um herói que tem todo o poder do mundo, mas não se apoia nos seus músculos para se desenvolver, Clark é bem desenvolvido justamente quando não usa esse fator, o menos humano de todos os heróis é justamente o mais humano de todos eles.

Tudo isso é bem feito nas primeiras edições, todavia, no final parece que a dupla de roteiristas esquecem quem é o personagem e simplesmente entregam uma luta livre que tem um desenvolvimento brusco, rude, baseado em murros e raios de calor, totalmente diferente dos diálogos apresentados no primeiro arco da história.

Não posso afirmar o que fez com que Peter Tomasi e Patrick Gleason mudassem totalmente o teor de sua trama, o que pode ser dito é que o filho de Superman tem um grande potencial, explorar a paternidade do herói e entrar em um terreno nunca antes visto durante esses mais de 75 anos de história do personagem,  espero somente que ambos os roteiristas, juntos com seus editores, façam mais a pergunta que se mostra essencial para escrever um arco sobre o personagem que é a epítome de todos os heróis.

Superman: O Filho do Superman (Superman: Son of Superman) — EUA, 2016
Roteiro: Peter Tomasi e Patrick Gleason
Arte: Doug Mahnke, Jaime Mendoza, Jorge Jimenez e Patrick Gleason, Mick Gray
Cores: Wil Quintana, John Kalisz, Alejandro Sanhez
Letras: Rob Leigh
Editora original: DC Comics
Datas originais de publicação: 2016
Editora no Brasil: Panini
Data de publicação no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 163

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".