Crítica | O Garoto da Casa ao Lado

estrelas 1

Rob Cohen é um diretor que tem conhecimento de causa quando se trata de filmes comerciais. São seus os famosos – e campeões de bilheteria – Triplo X, A Múmia: Tumba do Imperador Dragão e o primeiro filme da franquia pop milionária Velozes e Furiosos. Cohen, por algum motivo, resolveu, em 2015, se enveredar pelo campo do suspense erótico (se é que podemos chamar este filme disso) com este insípido O Garoto da Casa ao Lado.

Jennifer Lopez encarna Claire, uma professora de Literatura que acabou de ser traída pelo marido e está passando por aquele momento delicado de sepração com o filho. Carente e vulnerável, ela acaba conhecendo o super solícito e simpático vizinho “adolescente”, Noah. Os dois, obviamente, acabam transando em uma noite chuvosa e isso é o suficiente para que o rapaz desencadeie uma obsessão por ela.

É com esse fiapo de história e motivação que O Garoto da Casa ao Lado dá início ao seu festival de clichês. É claro que Noah vai aparecer de regata, sujo de graxa, consertando o carro. É claro que Claire vai ficar observando o rapaz pela janela. É claro que ele vai se envolver com o filho dela para complicar a situação. É claro que ele tem um passado que ela vai precisar descobrir através de uma investigação banal. É claro que todas as respostas estarão no computador – sem senha – de alguém. Você pode até querer se enganar e achar que não, mas você já viu esse filme pelo menos um milhão de vezes.

Na introdução desta crítica, eu disse que o filme é um suspense erótico, mas O Garoto da Casa ao Lado se revela uma ofensa tanto aos filmes de suspense quanto aos eróticos. O suspense é praticamente inexistente e a sensualidade se apóia apenas na beleza física dos atores, já que não existe um contexto erótico que se sustente o suficiente. Jennifer Lopez e Ryan Guzman até que tentam, mas o material dado a eles é tão banal e insosso que seu trabalho, até que coerente e correto, não convence muito.

A primeira impressão ao entrar em contato com O Garoto da Casa ao Lado é que ele será um passatempo divertido em um entediado sábado a noite, mas a verdade é que o filme ainda tem que comer muito arroz e feijão até para chegar nesse patamar. O carisma de Jennifer Lopez é o que salva o filme do completo fracasso, mas ainda assim, não vale a pena enfrentá-lo apenas para vê-la – fica a dica de Nunca Mais, suspense de stalker de Michael Apted com a atriz, que não é excelente, mas funciona bem mais que esse.

O Garoto da Casa ao Lado (The Boy Next Door) – EUA, 2015
Direção: Rob Cohen
Roteiro: Barbara Curry
Elenco: Jennifer Lopez, Ryan Guzman, John Corbett, Ian Nelson, Kristin Chenoweth.
Duração: 90 min.

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira