Crítica | O Gato de Botas (1969)

estrelas 2,5

Uma das animações mais fracas da Toei, O Gato de Botas estrou em março de 1969 no Japão, apresentando para o público uma versão semi-musical do famoso personagem criado por Charles Perrault em 1697. Mesclando elementos da cultura e mitologia japonesas com os ingredientes da cultura ocidental — especialmente na construção do conto de fadas — esta versão de Kimio Yabuki para O Gato de Botas tem um ótimo trabalho de animação e até agrada o espectador em um momento ou outro, mas seu produto completo é bem ordinário, quase ruim.

A obra não foge muito aos padrões de animes japoneses da mesma década, como Príncipe Suzano, Gulliver e Horus. Temos em destaque um jovem garoto pobre que enfrenta circunstâncias adversas em casa. Ele é colocado pra fora pelos próprios irmãos e faz amizade com o gato de botas, que o ajuda a conquistar a princesa Rosa, que está prometida para o homem mais rico do mundo (pois é!). Na formalização dos pretendentes surge Lúcifer, o príncipe do inferno. E aí as coisas começam a ficar um pouco mais interessantes.

De fato, o início da animação só funciona mesmo pelo tom cômico vindo com o gato de botas e seus perseguidores. O roteiro, no entanto, não sabe a hora de diminuir essa força do humor e atrapalha o andamento da história colocando como subtrama a luta do protagonista em duas frentes: contra os gatos que querem matá-lo porque ele não devora ratos e a favor do amigo Pierre, que, contra a vontade, engana a princesa Rosa, dizendo ser um Marquês, e acaba tendo que enfrentar Lúcifer. Simples assim.

O que se põe a favor do longa é a forma graciosa como a questão de amizade entre o garoto e os animais acontecem e, como sempre, a boa criação do suspense nas lutas finais. O texto no entanto, intercalado com canções e permeado de diálogos e resoluções demasiadamente bobas, atrapalham e diminuem o alto valor fabular que poderia ter o final. Como já dito antes, o ponto realmente forte da fita é a animação, porém, se comprarmos com as outras produções do gênero lançadas pela Toei, é possível dizer que a estética aqui foi colocada em segundo plano.

Talvez pela popularidade do personagem o estúdio tenha achado importante realizar uma animação com o máximo de elementos ocidentais possíveis, o que resultou em um filme estranhamente confuso em termos de identidade. Eu citei que a mescla que elementos torna a trama interessante e isso é verdade, mas, ao mesmo tempo, observamos que não existe um equilíbrio ou intenção geral nessa mistura, o que acaba fazendo mais mal do que bem à história.

O Gato de Botas serve como exemplo de trabalho no qual Hayao Miyazaki esteve envolvido nos primeiros anos de sua carreira (ele fez parte do time de animadores aqui), mas é apenas isso. O longa tem seus momentos de diversão mas não convence por completo, grande parte, por culpa de um roteiro cuja intenção em pincelar características de duas culturas distintas saiu pior que a encomenda.

O Gato de Botas (Nagagutsu o haita neko) — Japão, 1969
Direção: Kimio Yabuki
Roteiro: Hisashi Inoue, Morihisa Yamamoto (baseado nos personagens de Charles Perrault )
Elenco (vozes): Susumu Ishikawa, Toshiko Fujita, Rumi Sakakibara, Asao Koike, Kin’ya Aikawa, Isamu Tanonaka, Ado Mizumori, Kazuo Kumakura, Yoko Mizugaki, Kenji Utsumi, Shun Yashiro, Kiiton Masuda
Duração: 80 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.