Crítica | O Grande Roubo do Trem e The Red Man and the Child

Se você for rigoroso em relação ao surgimento dos gêneros cinematográficos (procurando mais substância na frase comum: “o cinema nasceu como Documentário, com os irmãos Lumière“), certamente irá trazer à tona o fato de que o western, se não foi o primeiro gênero cinematográfico estabelecido como tal, certamente surgiu em par com a fantasia ou o sci-fi primordial de Méliès, tendo aí em pauta uma cadeia estabelecida de produção, criação de uma imediata mitologia, representantes, etc.

O propósito deste presente texto é apresentar duas críticas rápidas para westerns da primeira fase o cinema. Os filmes aqui abordados datam de 1903 e 1908.

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O Grande Roubo do Trem

estrelas 4

Lançado em 1º de dezembro de 1903, O Grande Roubo do Trem entrou para a História como o primeiro Western do cinema. O filme foi produzido no Edison Studio e dirigido por Edwin S. Porter, que realizou uma série de inovações na condução da obra, uma contribuição que não só a colocaria nos autos da cinematografia mas também lançaria as sementes da linguagem cinematográfica como filmagens em externas, o uso de “dublês”, a montagem paralela e episódica, ações em vários lugares, zoom e movimento de câmera. Nos anos vindouros, diretores dos Estados Unidos (especialmente D.W. Griffith) e Europa iriam mergulhar nesse modelo de narrar histórias em imagem, estabelecendo o primeiro momento da narrativa convencional no Primeiro Cinema.

O Grande Roubo do Trem mostra, como o título nos adianta, narra uma ação criminosa que se tornaria uma espécie de atitude esperada em alguns westerns (roubar trens), assim como cenas de perseguição, sequestro e tiroteio. Apesar de todas as falhas comuns de se encontrar em um filme de 1903, é impressionante o quanto o objeto do gênero já estava formado, com suas características ainda brutas e insossas, mas existentes. Com certeza é um filme que deveria ser conferido não só por admiradores dos famosos bang bangs mas por todo cinéfilo, já que se trata de um dos primeiros filmes do cinema, logo depois de Viagem à Lua (1902) de Méliès, a ter uma estrutura clara daquilo que hoje chamamos de “filme”.

O Grande Roubo do Trem (The Great Train Robbery) – EUA, 1903
Direção: Edwin S. Porter
Roteiro: Edwin S. Porter
Elenco: A.C. Abadie, Gilbert M. ‘Broncho Billy’ Anderson, George Barnes, Justus D. Barnes, Walter Cameron, Donald Gallaher
Duração: 11 min.

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The Red Man and the Child

estrelas 4

 

Produto da primeira fase de D.W. Griffith no cinema, The Red Man and the Child mostra uma aventura simples, mas facilmente identificável como western, dentro daquela temática indianista de meados para final do século XIX: o colono branco chega a uma região de índios, expulsa-os e alguma consequência advinda dessa migração/expulsão é explorada dramaticamente a partir daí.

Griffith cria um bom ambiente de tensão e, ao contrário do que possa imaginar o espectador que não viu a muitos filmes dele, não condena os “vermelhos” no enredo da obra. É claro que o diretor faria esse tipo de filme mais adiante (Batalha em Elderbush Gulch, de 1913, é um exemplo), no entanto esse tipo de roteiro, com os índios postos como vilões, não foi o único com a qual o cineasta trabalhou os westerns que dirigiu ao longo da carreira.

The Red Man and the Child – EUA, 1908
Direção: D.W. Griffith
Roteiro: D.W. Griffith (baseado na obra de Bret Harte)
Elenco: Charles Inslee, John Tansey, Linda Arvidson, George Gebhardt, Harry Solter
Duração: 14 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.