Crítica | O Homem Que Ri (1928)

estrelas 4O Homem Que Ri (1928), adaptação da obra homônima de Victor Hugo, foi o penúltimo filme do diretor Paul Leni, já em sua fase estadunidense. Leni vinha da escola expressionista alemã, onde dirigiu 18 filmes (curtas e longa-metragens), dentre os quais, O Gabinete das Figuras de Cera (1924), ao lado de Leo Birinsky.

Além de dirigir filmes, Paul Leni trabalhou como diretor de arte para muitos cineastas na Alemanha, o que explica o cuidado estético, tanto em cenários quanto em fotografia, de suas próprias produções. Ele esteve à frente da equipe artística de diretores como Ernst Lubitsch (Rausch, 1919); Alexander Korda (O Dançarino de Minha Esposa, 1925); e Michael Curtiz (Fiaker Nº13 e A Borboleta Dourada, 1926).

A estreia do diretor nos Estados Unidos foi com o filme O Gato e o Canário (1927), produzido por Paul Kohner, para a Universal Pictures, o mesmo produtor e o mesmo Estúdio que um ano depois lançariam O Homem Que Ri. O filme conta a história de Gwynplaine, uma criança que é entregue pelo rei James II a um grupo de ciganos. A atitude do monarca é para vingar-se do pai de Gwynplaine, acusado de trair o rei. Nas mãos dos ciganos, Gwynplaine passa pela mesa de operações do Dr. Hardquanonne, que corta-lhe os cantos da boca a fim de dar-lhe um eterno sorriso transformá-lo em uma atração circense.

Quando os ciganos “comprachicos” são expulsos da Inglaterra, Gwynplaine é deixado para trás. Na mesma noite, encontra Dea, um pequeno bebê cego, e Ursus, o homem que o irá acolher, alimentar e criar. A história segue com os protagonistas já adultos, e traz intrigas da corte, fortes sentimentos e um final emocionante, porém distinto da obra de Hugo, que finaliza de maneira trágica a história do casal protagonista.

Como não podia deixar de ser, os cenários do filme e toda a equipe técnica são admiráveis. A construção de salões e quartos reais, feiras circenses e docas recebem tantos detalhes que é difícil não ficar admirado. Com uma fotografia belíssima e elenco afinado, o filme consegue trazer de maneira impactante os sentimentos do homem que ri, o homem que apesar de sua aparência, é amado, mas se recusa a aceitar esse amor, por julgar-se indigno.

A maldade humana é um dos elementos mais presentes em toda a narrativa. Desde a primeira sequência do rei James II com o bobo Barkilphedro, percebemos o forte contraste moral entre os grupos de personagens, contraste que se arrasta até o desfecho. Essa característica vinda da obra literária é explorada exageradamente pelo roteiro, o que acaba conferindo a uma parte do filme uma atmosfera melodramática, indo na direção contrária ao realismo e críticas sociais presentes na obra.

Conrad Veidt dá vida ao personagem principal e brilha imensamente em sua interpretação. O ator já tinha trabalhado algumas vezes com Paul Leni e já tinha vivido uma personagem bastante parecida com Gwynplaine (o Cesare, de O Gabinete do Dr. Caligari), mas o que ele realiza em O Homem Que Ri vai bem mais além. A difícil caracterização da personagem, que o obrigava a atuar com uma prótese para que os cantos da boca fossem esticados em um sorriso permanente, e sua emotiva interpretação (com direito a lágrimas verdadeiras) são responsáveis por nos presentear com uma das personagens inesquecíveis do cinema silencioso.

Em 1943, Bill Finger e Bob Kane fizeram uso de uma foto de Conrad Veidt em O Homem Que Ri para criar o mais notável inimigo do Batman: o Coringa.

O Homem Que Ri é o representante de um momento único do cinema hollywoodiano, um dos pioneiros a utilizar o som no cinema (o filme é mudo na maior parte do tempo, tendo apenas sons gravados de ajuntamento de pessoas e alguns sons do ambiente), além de dar vida a uma poderosa história de Victor Hugo. Um verdadeiro clássico.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.