Crítica | O Imortal Punho de Ferro: Volumes 1 a 3 (2006 a 2008)

Obs: Leiam, aqui, todas as nossas críticas de quadrinhos do Punho de Ferro.

Quando em 2005 Ed Brubaker começou a escrever a publicação mensal do Capitão América, ele tinha a missão de reerguer o interesse sobre o herói, que há tempos vinha definhando. O genial roteirista, então, partiu para estratégia batida das grandes editoras: fazer um retcon. Esse artifício, que significa alterar retroativamente a continuidade de determinado personagem, é normalmente muito mal visto por leitores que acabam se frustrando com as saídas baratas de uma infinidade de autores menos talentosos. Mas Brubaker basicamente reinventou o retcon,  ressuscitando Bucky Barnes, parceiro do Bandeiroso e inteligentemente inserindo-o de forma ampla e completa em toda a história do Universo Marvel (vide nossa crítica das 25 primeiras edições do trabalho do roteirista com o Capitão, aqui).

E o que mais impressiona é que, logo no ano seguinte, em 2006, o autor começou a escrever sua consagrada visão do Demolidor, além de reviver, finalmente, o Punho de Ferro em sua primeira publicação solo mensal desde o longínquo ano de 1977. E o melhor é que seu trabalho foi em parceria com Matt Fraction, em seu primeiro grande contrato com Marvel, autor que, em 2012, escreveria o excepcional quadrinho “independente” do Gavião Arqueiro dentro da engrenagem da editora. David Aja, co-responsável pela festejada publicação solo do Gavião Arqueiro, é o terceiro grande nome dessa nova fase do Punho de Ferro, com sua inconfundível arte minimalista recriando o herói mais uma vez como um homem musculoso, mas esguio e atlético, além de ter finalmente a coragem de redesenhar magnificamente seu espalhafatoso uniforme original.

O resultado desse encontro de grandes mentes foi O Imortal Punho de Ferro, série mensal que durou por 27 edições, de novembro de 2006 a agosto de 2009, além de algusn spin-offs em forma de one-shots e a minissérie Armas Imortais, de cinco edições. Mas a trinca Brubaker/Fraction/Aja só permaneceria no leme da publicação – que também contou com diversos outros roteiristas e artistas – pelas 16 primeiras edições e mais o Anual #1, além dos one-shots Guerra Civil: Escolhendo Lados #1 e O Imortal Punho de Ferro: Orson Randall e a Névoa Verde da Morte que, mais tarde, seriam organizadas em três volumes.

São, portanto, esses três volumes que serão objeto do presente artigo, com análises e notas individuais para cada um deles.

estrelas 5,0

Volume 1: A Última História do Punho de Ferro

o_imortal_punho_de_ferro_vol_1_capa_plano_criticoO primeiro volume da nova série solo do Punho de Ferro é do tipo world builder (ou “construtor de mundo”), expressão usada para literalmente fazer isso que a expressão dá a entender: erigir bases – no caso, novas bases – por meio das quais a história passará a ser regida. A essa altura do campeonato, todo leitor da Marvel conhecia o Punho de Ferro e sua origem que é literalmente repetida a cada nova publicação com o herói, mesmo que seja em apenas um ou dois quadros. Pai leva esposa, filho e sócio para uma expedição no himalaia para achar a Cidade Sagrada de K’un Lun, mas seu sócio o mata por ser apaixonado por sua esposa que, ato contínuo, foge com o filho, somente para ser morta por lobos e o filho salvo por arqueiros do tal lugar místico, onde treina por 10 anos para tornar-se o Punho de Ferro, capaz de concentrar seu “chi” em um dos punhos e golpear com força descomunal.

A grande vantagem do herói – nunca realmente aproveitada – é que, desde sua criação em 1975, ele ganhou uma sólida mitologia que permitiu que seus primeiros anos fossem,também, os seus melhores em termos editorais (isso se pensarmos em carreira solo, claro). Mas Ed Brubaker e Matt Fraction precisavam de algo mais e esse algo mais veio em forma familiar para Brubaker: a inserção retroativa de personagem na história de Danny Rand. O referido personagem é Orson Randall, o chamado Punho de Ferro da Era de Ouro, ainda vivo e repartindo o poder do dragão Shou Lao com Danny.

Ele surge em meio à uma tomada hostil do conglomerado de Danny por uma empresa chinesa fachada para a Hidra e comandada pelo Sr. Xao e pelo arqui-inimigo do Punho de Ferro, Davos, o Serpente de Aço que volta com novos poderes obtidos por intermédio de Crane Mother, da cidade de K’un-Zi. Repararam na quantidade de informações na frase anterior? É mais ou menos assim que a mente de Brubaker funciona quando faz um retcon profundo como esse.

Orson Randall, aos poucos descobrimos, auto exilou-se de K’un Lun, depois que, em sua primeira passagem pela Terra, viu os horrores da 1ª Guerra Guerra Mundial. Ao voltar para a Cidade Sagrada, ele se recusa a lutar no torneio organizado a cada 88 anos pelas Sete Cidades Celestiais (sim, outras cidades sagradas!) e, na confusão, acaba matando uma das Armas Imortais (sim, cada cidade tem seu equivalente a um Punho de Ferro, mas cada uma com poderes bem diferentes!), fazendo-o fugir novamente para a Terra onde encontra Wendell Rand (sim, pai de Danny!), que se torna seu pupilo e forma um grupo chamado de Confederados dos Curiosos, bem ao estilo de heróis como Mandrake e outros. Mas, mais impressionante ainda, é que o roteirista consegue abordar até mesmo Phineas Randall, o pai de Orson e como ele, sem querer, descobrira K’un Lun originalmente, dando ignição aos Punhos de Ferro ocidentais que conhecemos.

Ou seja, é muita coisa para mastigar, mas a grande mágica de Brubaker e Fraction é saber inserir essa enorme quantidade de novos elementos sem ferir tudo o que veio antes e ao mesmo tempo criar uma história instigante que o leitor não consegue parar de ler não só por curiosidade, mas por perceber o quão dinâmico é o que eles contam. Poucos roteiristas são capazes desse feito e, nesses seis primeiros números iniciais de O Imortal Punho de Ferro, os dois conseguem algo praticamente perfeito. Afinal, não só eles reiteram todos os elementos mais importantes do herói desde seu début em Marvel Premiere, seguido por sua breve primeira publicação solo, como ampliam incomensuravelmente esse universo. Se, antes, o Punho de Ferro era um personagem praticamente divorciado de pares, agora ele é  66º de uma longa linhagem só em K’un Lun, sem contar com as Armas Imortais de cada uma das seis outras cidades. E, de quebra, os roteiristas ainda vão vagarosamente preenchendo espaços em branco na mitologia estabelecida, notadamente a fixação de Wendell Rand por K’un Lun.

David Aja, na arte, é o equivalente a Brubaker e Fraction no roteiro. Ele trabalha com diversos outros artistas ao longo dos seis números, mas é seu traço que realmente faz com que o Punho de Ferro volte a ser o que ele era sob a batuta de John Byrne. Famosamente, Aja usa menos detalhes elaborados do que a maioria de seus pares, mas sua simplicidade é enganosa. O artista tem profundo respeito pela proporção corporal e cada personagem é meticulosamente desenhado para ser facilmente identificável, sem que ele repita rostos ou formas corporais (reparem como é fácil diferenciar Orson de Danny, mesmo quando completamente uniformizados). Além disso, ele tinha a difícil tarefa de redesenhar o uniforme espalhafatoso – mas clássico – do Punho de Ferro, aproveitando-se do roteiro de Brubaker e Fraction que, logo no primeiro número, transforma-o em farrapos nas cores verde e amarela. E o redesenho é brilhante em sua simplicidade. Mantendo todos os principais elementos do clássico, ele cria algo prático e realista, permitindo uma transição fácil mesmo para aqueles que adoram o original.

A Última História do Punho de Ferro é um excelente e irretocável recomeço para o herói. Um magnífico trabalho da trinca imbatível formada por Brubaker, Fraction e Aja.

O Imortal Punho de Ferro: A Última História do Punho de Ferro (The Immortal Iron Fist: The Last Iron Fist Story, EUA – 2006/7)
Contendo: O Imortal Punho de Ferro #1 a 6 e Guerra Civil: Escolhendo Lados #1
Roteiro: Ed Brubaker, Matt Fraction
Arte: David Aja com Travel Foreman e Derek Fridolfs (#1 a #5), Russ Heath (#3 e #6), John Severin (#2), Sal Buscema e Tom Palmer (#4)
Cores: Matt Hollingsworth com Dean White (#2), Laura Martin (#6)
Letras: Dave Lanphear
Editoral original: Marvel Comics
Data original de publicação: novembro de 2006 a julho de 2007

estrelas 4

Volume 2: As Sete Cidades Celestiais

o_imortal_punho_de_ferro_vol_2_capa_plano_criticoDiferente do primeiro volume, As Sete Cidades Celestiais é um arco que se passa quase que integralmente no lado místico do mundo do Punho de Ferro, com as tais cidades alinhando-se e materializando-se ao mesmo tempo para o torneio entre as Armas Imortais que acontece a cada 88 anos. Mas Fraction e Brubaker não tinham plano algum de facilitar as coisas para os leitores e fugiram brilhantemente da estrutura básica “Karate Kid” de pancadaria entre seres super-poderosos.

Ao contrário, os autores – agora mais Fraction do que o ocupadíssimo Brubaker – continuam sua construção de mundo, ampliando detalhes da mitologia do Punho de Ferro, especialmente como foi a origem da fortuna dos Rand, algo que é explicado de maneira maravilhosamente circular, envolvendo Phineas e Orson Randall e o pequeno Wendell Rand, já treinado como sidekick. Da mesma forma, finalmente há uma explicação para Wendell Rand, mesmo depois de derrotar Davos, ter se recusado a lutar contra Shou Lao, algo que é explicado de forma orgânica no arco, por intermédios de flashbacks bem inseridos.

Além disso, há tempo para que o leitor seja detalhadamente apresentado a cada uma das outras Armas Imortais: o volumoso Cobra Gorda, a mortal Noiva das Noves Aranhas, o violento Irmão Cão, a tentadora Bela Filha do Tigre e o misterioso Príncipe dos Órfãos, além da nova versão do Serpente de Aço: o Fênix de Aço (nada mais do que Davos com nova tatuagem no peito e novos poderes). E isso sem contar com uma silenciosa revolução em K’un Lun liderada por Lei Kung, o Trovejante, que tem um exército de mulheres treinadas na arte da luta para destronar Nu-An, tio de Danny e atual Yu-Ti (líder da cidade) e o estudo de Danny Rand de novas técnicas baseadas em seu poder a partir do “Livro do Punho de Ferro” que Orson o presenteia e sua busca pelo passado do mentor de seu pai.

O resultado orgânico de A Última História do Punho de Ferro não se faz sentir completamente no segundo volume. Enquanto há grande destaque para as Armas Imortais, pouco vemos da revolução de Lei Kung ou mesmo do desenvolvimento dos poderes de Danny. E ele, que foge cedo da dimensão onde estão as Sete Cidades por intermédio de uma máquina de teletransporte criada por Phineas Randall, tem uma aventura na Terra que, ainda que muito interessante, soa separada demais de todo o resto da narrativa. Mas talvez o maior pecado, aqui, seja o plano exagerado e absurdo do Sr. Xao que força Jeryn Hogarth, advogado de Danny, mas que, aqui, “transforma-se” em um engenheiro civil altamente especializado, a montar uma ferrovia de trem Maglev (levitação magnética) para abrir um portão dimensional e destruir as cidades sem maiores explicações. É esse o ponto fraco de todo o arco e de longe o menos interessante, por falhar em estabelecer-se como uma ameaça realmente crível, por vezes soando até levemente cômico.

Mas seria muito injusto de minha parte se eu não reconhecesse o valor do que os roteiristas fazem aqui. O arco, antes de mais nada, quase que integralmente “fecha” a narrativa relacionada com Orson Randall no primeiro volume, o que é ótimo para evitar enrolações. Além disso, amplia-se sobremaneira a lenda do Punho de Ferro e abre-se portas para sensacionais histórias sobre Randall e seu grupo de heróis da Era de Ouro. E, claro, vê-se que o “punho de ferro” é muito mais do que apenas a capacidade de socar alguém com um punho luminoso. As demais Armas Imortais, da mesma forma, mostram fascinantes possibilidades, ao ponto de terem ganhado uma minissérie própria e o mais intrigante de todos, o Príncipe dos Órfãos, ter sido usado posteriormente em algumas outras histórias.

A arte varia muito no arco, com Aja tendo uma participação menor, no cômputo geral. Mas seu trabalho no clímax é espetacular, colocando o Punho de Ferro e seu grupo contra o Sr. Xao e seus minions intermináveis, o que comprova toda sua capacidade em trabalhar cirurgicamente a distribuição de personagens nos quadros, todos com movimentos fluidos e críveis, além de deixar evidente sua genialidade na criação de novos personagens, bastando ver as cinco Armas Imortais (duas já eram conhecidas: Danny e Davos). Dos artistas que trabalham no arco, vale destaque Howard Chaykin, Dan Brereton e Jelena Kevic Djurdevic, no Anual, que se passa quase que integralmente em uma casa de repouso da já idosa antiga equipe de Orson Randall (tornados mais longevos do que o normal pelas várias vezes que o herói da Era de Ouro teve que compartilhar seu chi com eles). Nessa edição, o objetivo é fazer remissão às HQs antigas, clássicas e os artistas conseguem nos passar essa exata impressão, com traços mais rebuscados e detalhados, mas mantendo um leve e divertido ar de caricatura em cada personagem, incluindo Danny.

As Sete Cidades Celestiais é um menos do que perfeito segundo arco de O Imortal Punho de Ferro, mas que abre e muito o leque de possibilidades narrativas do herói. Um verdadeiro tour de force de Brubaker e Fraction, que impressionam a cada página por seu respeito ao original e capacidade de criar em cima das lacunas em branco.

O Imortal Punho de Ferro: As Sete Cidades Celestiais (The Immortal Iron Fist: The Seven Capital Cities of Heaven, EUA – 2007/8)
Contendo: O Imortal Punho de Ferro #8 a 14 e O Imortal Punho de Ferro Anual #1
Roteiro: Ed Brubaker, Matt Fraction
Arte: David Aja (#8 a #14) com Roy Allan Martinez (#8 e #9), Scott Koblish (#9), Kano (#10 a #13), Javier Pulido (#12), Tonci Zonjic (#13); Tonci Zonjic com Clay Mann (#14); Howard Chaykin, Dan Brereton e Jelena Kevic Djurdevic (Anual #1)
Arte-final: Stefano Gaudiano (#14)
Cores: Matt Hollingsworth com June Chung (#8 e #9), David Aja (#10), Kano (#10), Javier Rodriguez (#11 a #14), Paul Mounts (#14); Edgar Delgado, Jelena Kevic Djurdevic (Anual #1)
Letras: Artmonkeys Studios
Editoral original: Marvel Comics
Data original de publicação: outubro de 2007 a junho de 2008

estrelas 4

Volume 3: O Livro do Punho de Ferro

o_imortal_punho_de_ferro_vol_3_capa_plano_criticoO terceiro e último volume de O Imortal Punho de Ferro a reunir Ed Brubaker, Matt Fraction e David Aja não tem uma narrativa continua. Muito ao contrário, seu formato é de antologia, reunindo as edições #7, #15 e #16 da publicação, além dos dois one-shots Orson Randall e a Névoa Verde da MorteA Origem de Danny Rand. A reunião em um volume só serve de conveniente intervalo para o próximo, que continua a história do volume 2 a partir de uma importante revelação no final, mas altera completamente a equipe criativa.

A primeira edição do volume (#7) antecede, na ordem de publicação, o Volume 2, mas sua reunião, aqui, faz todo sentido, já que o objetivo foi abordar os vários “Punhos de Ferro” ao longo dos tempos. Vemos, assim, a origem da Rainha Pirata da Baía Pinghai, a última Punho de Ferro mulher. Wu Ao-Shi é uma menina que é treinada por Lei Kung e, no processo, apaixona-se por um mero pescador de K’un Lun. O foco, então, é todo nesse relacionamento peculiar entre a guerreira destinada a mergulhar suas mãos no coração de Shou-Lao e uma pessoa comum, sem ambições. A narrativa de Brubaker e Fraction é leve, por vezes cômica, mas com um belo verniz melancólico, finalista, estabelecendo o tema geral que os Punhos de Ferro são seres fadados a serem infelizes e a morrerem cedo. A arte, por sua vez, ficou ao encargo de uma vasta equipe encabeçada por Travel Foreman, o que acaba levando a uma oscilação grande em estilos, mas nada que realmente afete o ótimo resultado final dessa fascinante Punho de Ferro que mereceria ganhar uma publicação própria um dia desses.

A edição #15 lida com outro Punho de Ferro, Bei Bang-Wen, que consegue canalizar seu chi para aumentar sua capacidade mental e criar estratégias de combate infalíveis. Matt Fraction escreve sozinho o número e acaba criando uma história cansativa, apesar de original, que coloca o herói – de repente sem poderes e derrotado apesar de sua perfeita mente estratégica – em uma prisão inglesa na Índia, onde encontra-se com outro herói místico despoderado, Vivatma Visvajit. Eles, então, partem em uma jornada para reaver seus respectivos poderes. Em nenhum momento, porém, Fraction consegue realmente criar algo diferente ou que justifique uma edição inteira. Seu Bei Bang-Wen é mal aproveitado e as soluções narrativas são fáceis demais, convenientes demais. A arte, que ficou ao encargo de Khari Evans, com arte final de Victor Olazaba, por outro lado, é muito bem trabalhada e homogênea, com belas soluções estéticas para os dois heróis muito parecidos.

Voltando para efetivamente encerrar o arco anterior e para abrir espaço para o seguinte, Matt Fraction e David Aja trabalham em um exemplar epílogo na edição #16, que aborda os acontecimentos seguintes à volta de Danny e as Armas Imortais para Nova York. Vemos Danny dando aula de kung-fu a jovens promissores, Jery Hogarth, depois do trauma de ter sua mãe sequestrada pelo Sr. Xao deixando a empresa, Danny encontrando-se com as Armas Imortais que procuram a 8ª Cidade Celestial mencionada por Xao segundos antes de se matar, ele e Misty na cama tentando se acertar, ele entregando a Luke o novo quartel-general secreto dos Vingadores Secretos e, finalmente, ele descobrindo que não os Punhos de Ferro todos (menos Orson Randall) morreram com 33 anos e que ele próprio faz, naquele dia, 33 anos. Um belo e misterioso cliffhanger para deixar os leitores curiosos.

Mas o volume não acaba aí. A edição seguinte – na ordem do Volume 3 – é o one-shot Orson Randall e a Névoa Verde da Morte que explica algo que Danny Rand descobre em suas pesquisas sobre Orson: que o poderoso John Aman, o Príncipe dos Órfãos, volta e meia aparecia na vida de seu predecessor. Descobrimos, então, em uma edição quebrada em diversos capítulos ao longo de vários anos, que Aman persegue Orson violentamente, fazendo-o aos poucos perder tudo o que lhe é mais importante, mas ao mesmo tempo criando laços com o Punho de Ferro desgraçado. De todas as histórias originais do volume, esta é, sem dúvida, a melhor de todas, não só por estar de alguma forma costurada com os volumes anteriores, mas, também, por ter Orson Randall como figura central, personagem absolutamente fascinante em sua construção e desenvolvimento. Assim como na edição #7, há uma equipe grande na arte, mas, aqui, a oscilação é menor em razão da divisão da história em “pequenas missões” em ambientes diferentes, o que torna a alteração nos desenhos mais natural e esperada.

Finalmente, na edição que fecha o volume (o one-shot A Origem de Danny Rand), há uma bela homenagem aos criadores do Punho de Ferro em Marvel Premiere, com a republicação, com novos desenhos e um início original com Danny relembrando sua origem com Misty, das duas primeiras edições do herói. Ainda que a arte original seja melhor, o interessante daqui é reparar o quão respeitoso é o trabalho de Fraction e Brubaker, já que nada dos números originais de 1975 contradiz o que eles criaram.

O Livro do Punho de Ferro é um volume que dificilmente pode ser julgado no conjunto, tamanha são as variações de história para história, mas uma coisa é certa: sua leitura é essencial.

O Imortal Punho de Ferro: O Livro do Punho de Ferro (The Immortal Iron Fist: The Book of Iron Fist, EUA – 2007/8)
Contendo: O Imortal Punho de Ferro #7, #15 e #16, O Imortal Punho de Ferro: Orson Randall e a Névoa Verde da Morte, O Imortal Punho de Ferro: A Origem de Danny Rand
Roteiro: Matt Fraction, Ed Brubaker (#7)
Arte: Travel Foreman, Derek Fridolls, Leandro Fernandez, Francisco Paronzini, Khari Evans e Victor Olazaba (#7); Khari Evans e Victor Olazaba (#15); David Aja (#16); Nick Dragotta, Mike Allred, Russ Heath, Lewis Rosa, Stefano Gaudiano e Mitch Breitweiser (Orson Randall)
Cores: Dan Brown (#7), Jelena Kevic Djurdevic e Paul Mounts (#15), Matt Hollingsworth (#16), Laura Allred, Russ Heath e Matt Hollingsworth (Orson Randall)
Letras: Dave Lamphear, Artmonkey Studios
Editoral original: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto de 2007,  fevereiro, julho e agosto de 2008

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.