Crítica | O Indestrutível Hulk # 1 – Marvel NOW!

A Marvel já fez tudo que podia fazer com o Hulk. De cinza ficou verde por um erro de impressão, depois ficou cinza novamente. Foi a razão dos Vingadores terem se juntado. Foi separado de Banner depois juntado novamente. Sofreu retcons, foi para um mundo distópico onde se chamava Maestro, gerou uma família de caipiras violentos na minissérie Old Man Logan. Já foi um ser irracional. Já foi super-inteligente. Banner já o controlou e perdeu o controle. Já foi exilado para um planeta distante. Teve um filho também monstruoso. Voltou para a Terra e começou uma guerra mundial. Em suma, fizeram miséria com o coitado e olha que eu nem comecei a arranhar a superfície. Achei que não conseguiriam mais enfocá-lo de alguma maneira nova e original.

Mas O Indestrutível Hulk # 1 mostrou-me que estava errado. Muito errado.

Mark Waid que, dentre outras obras, relançou o Demolidor nos quadrinhos mensais em 2011, para sucesso absoluto de vendas e crítica, conseguiu abordar o Gigante Esmeralda com um novo olhar, algo que, pelo menos se minha memória não falha (e confesso que ela anda cambaleante hoje em dia) ainda não havia sido tentado. E que olhar seria esse?

Bom, se existe uma coisa em comum em todas as encarnações do Hulk é que sua contrapartida normal, o físico gênio Bruce Banner, sempre foi tratado como um pobre coitado, como o verdadeiro patinho feio de todas as narrativas. Ele é que era o mendigo, o doente, o fracote e o apaixonado eternamente condenado a ficar longe de sua amada Betty Ross. Waid vira isso de cabeça para baixo e começa sua releitura do Hulk nos mostrando Maria Hill, a diretora da S.H.I.E.L.D., sentada em um restaurante mequetrefe no meio do Alabama, frustrada por sua incapacidade em capturar o Hulk. Essa introdução literalmente me fez revirar os olhos e pensar: “Ah não! Mais uma caçada ao Hulk? Haja paciência!”

Mas eis que, sem mais nem menos, chega Bruce Banner, de óculos escuros, jaqueta clara e camisa preta, todo cool e cheio de si e, para a total estupefação de Hill, começa a dizer que ele tem tanto a oferecer para o mundo quanto os outros geninhos da Marvel Hank Pym e Tony Stark, mas que o Hulk sempre o impediu de alcançar esse potencial. Afirma que o Hulk é incurável, mas que é controlável e se oferece de corpo e alma para a S.H.I.E.L.D. De um lado, ele pode ser valioso na invenção dos mais variados gadgets, incluindo armas e, por outro, quando necessário for, ele próprio pode ser a arma. E tudo isso fica provado na ação que se desenvolve.

Banner dessa maneira, todo marrento e engolindo Maria Hill sem dar a menor chance de ela pensar em uma saída esperta? Não tem preço! O Hulk usado como arma de destruição em massa? Não tem preço! Banner com inveja de Pym e Stark e querendo mostrar que é melhor que os dois juntos? Não tem preço!

Quero mais desse personagem. Aliás, quero mais das duas facetas desse personagem. Waid, com essa pegada, que escreve brilhante e naturalmente, mostra que é realmente um autor de mão cheia e que não se cansa de apresentar conceitos novos e desafiadores.

Além disso, toda a cena no restaurante se passa com Hill olhando para o relógio na parede, como se uma bomba fosse explodir e, por diversas vezes, quase como em filme pastelão, testemunhamos situações que efetivamente podem fazer Banner transformar-se em Hulk. Impagável e espertamente escrito.

Mas os elogios não param por aí.

Leinil Francis Yu, como de costume, arrasa na arte, com traços fortes, marcantes, que exultam personalidade quando lidam com os personagens em cenas mais paradas (como toda a sequência do restaurante). Na ação, Yu passa velocidade, força e confusão total, mas de maneira tão bela e eficiente que mais parece um balé perfeitamente sincronizado.

E ainda teremos muitas novidades pela frente, já que, nos teasers, a Marvel chegou a revelar que o Hulk usará uma armadura (resta saber para que) e será acompanhado de um robô voador (seu Grilo Falante?). Mark Waid e Leinil Yu têm tudo para esmagar!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.