Crítica | O Invencível Homem de Ferro #55 [Primeira Aparição de Thanos e Drax, o Destruidor]

estrelas 5,0

A primeira aparição de Thanos, um dos mais importantes vilões da Marvel e de Drax, o Destruidor, personagem de menos relevância, mas com história extremamente trágica e interessante, se deu de maneira prosaica, dentro do número 55 das edições normais do Volume 1 da revista O Invencível Homem de Ferro, em fevereiro de 1973. No entanto, trata-se de um magnífico número, que demonstra não só a criatividade de Jim Starlin em design de personagens, como também – e principalmente – um impressionante controle narrativo raro de se ver hoje em dia.

iron-man55 cover finalDigo controle narrativo, pois Starlin, que viria a criar o sensacional Dreadstar, em 1982, conta uma auto-contida história de proporções épicas em pouco mais de apenas 20 páginas. Um feito raro que reúne concisão, diálogos inteligentemente expositivos, personagens fascinantes e um absoluto rigor de forma que engaja o leitor do começo ao fim. E o melhor é que Starlin, a caminho de se estabelecer em sua carreira, evita os jargões pseudo-científicos, atendo-se à essência, que é contar uma boa história sem necessariamente pensar nos usos futuros dos personagens que criou.

Imaginem só, prezados leitores, Starlin, em um canetada só, não só criou Thanos e Drax, com lhes deu uma história pregressa sólida, criando também Mentor, Eros (Starfox), os titãs moradoras da lua Titã do planeta Saturno e até mesmo o Eterno Kronos. É como se, guardadas as devidas proporções, Stan Lee criasse o Homem-Aranha, Doutor Octopus, Duende Verde, Gwen Stacy e Mary Jane logo no primeiro número da revista do Aracnídeo. Um feito realmente impressionante e que já coloca Starlin, sem dúvida alguma, no panteão dos maiores autores de quadrinhos de super-heróis.

Em sua narrativa, logo a primeira página é um aviso profético vindo de um Drax aprisionado (conforme a imagem em destaque, sua primeira aparição na revista) ao Homem de Ferro: “Ouça-me, Homem de Ferro! Eu sou Drax, o Destruidor! Eu trago uma mensagem através de meio continente, uma mensagem de medo e horror! Preste atenção, Homem de Ferro: cuidado, cuidado com os Irmãos de Sangue” (tradução livre). E logo somos arremessados a uma luta do Ferroso contra os tais Irmãos de Sangue (Blood Brothers) e aprendemos que Drax está falando com Stark telepaticamente.

O leitor que entrar na história desprevenido achará que se trata da continuação de alguma narrativa anterior, mas não. Esse é o exato começo do trabalho de Starlin, que logo volta ao passado imediatamente anterior para nos mostrar como Stark foi atacado. E, finda a luta com o heróis capturado pelos dois monstros, ele logo é levado para a prisão de Drax e os dois continuam conversando telepaticamente de forma que nós aprendamos que Drax é prisioneiro de um ser escondido nas sombras chamado Thanos. Thanos havia traído seu pacífico mundo (Titã) e saiu pela galáxia criando a guerra e jurando vingança. Desesperado, seu pai, Mentor, pede ajuda a Kronos que, então, cria Drax do solo do planeta com a única função de matar Thanos.

mosaico drax pages

Páginas importantes: (1) primeira aparição de Thanos (sentado, de costas); (2) Tony Stark “vestindo” sua armadura no estilo antigo e (3) primeira aparição completa de Thanos, ainda magrinho.

Mas não esperem explicações detalhadas e enfadonhas. Starlin trabalha tudo de forma muito dinâmica e econômica, corretamente inserindo sequências de ação para evitar que a história esmoreça. Além disso, o artifício da telepatia é logicamente inserido de maneira que as explicações possam ocorrer simultaneamente à ação. Ele nos conta apenas aquilo que precisamos saber para apreciar a história, sem firulas, sem enrolações, algo muito diferente do que veríamos, por exemplo, na famosa Trilogia do Infinito, também encabeçada por Starlin e que colocou Thanos no merecido pedestal de super-vilão Marvel.

E, redondinha, exatamente como começou, a história acaba. O leitor não fica preocupado em saber o que vai acontecer dali para frente, pois a narrativa tem efetivos começo, meio e fim, algo raríssimo de se ver hoje em dia. É evidente que Starlin deixa sua porta aberta, porta essa que seria mais do que escancarada nos anos seguintes, mas é uma porta discreta e funcional, além de bem inserida.

Um pouco mais sobre Drax, o Destruidor

Assim como Thanos, Drax se mostra um personagem interessante, ainda que unidimensional. Ele só viria a ganhar camadas e mais camadas de complexidade quando sua gênese é “recontada” mais para a frente, pois nos é revelado que ele era um humano – Arthur Douglas – com esposa e filha. O carro que dirigia é atacado por Thanos que suspeita que eles o viram sobrevoando a Terra e Arthur e sua esposa morrem. Heather, sua filha, é adotada por Mentor e se transforma na Serpente da Lua, personagem que acabaria, depois, assassinando seu próprio pai revivido. E, mesmo depois dessa tragédia, Drax teria uma terceira vida, concedida novamente por Kronos, mas como um herói extremamente forte, mas descerebrado, no estilo do Hulk original. Somente depois de muitos anos, na saga cósmica Aniquilação, Drax, reformulado visualmente, volta à sua forma total, juntando-se, em Aniquilação: Conquista a saga cósmica seguinte, à segunda versão dos Guardiões da Galáxia (mas essa é uma outra história…).

O Invencível Homem de Ferro (The Invincible Iron Man, Vol. 1: #55, EUA – fevereiro de 1973)
Roteiro: Jim Starlin
Arte: Jim Starlin, Mike Friedrich
Editora: Marvel Comics
Páginas: 26

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.