Crítica | O Mágico de Oz

estrelas 4

O Mágico de Oz de 1939 é, com certeza, um filme bastante importante para o crescimento do que hoje chamamos de cultura pop. A obra revolucionou cinema, música e outras artes. Naquela época, a MGM estava a todo vapor, lançava, além de O Mágico de Oz, um outro filme que faria história: …E o Vento Levou. Os dois se tornaram os destaques daquele ano, sendo o primeiro dirigido ao público infantil e o segundo ao público adulto. Ambos os filmes brigaram no oscar de 1940 e …E o Vento Levou saiu como o grande vencedor daquele ano. No entanto, a verdadeira vencedora foi a MGM que levou 10 estatuetas, sendo 8 de …E O Vento Levou e 2 de O Mágico de Oz (Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original). Victor Fleming saiu com moral alta, responsável pela direção de ambas as produções, ainda ganhou o oscar pela direção no romance dramático.

A obra, uma adaptação do livro de L. Frank Baum, conta a saga de Dorothy, uma jovem moradora do Kansas que, após um tornado, é levada para um mundo mágico chamado Oz. Enquanto no Kansas, somos apresentados a sua família, seu cachorro Totó, seus amigos e inimigos, personagens que fazem um paralelo com os que ela viria a conhecer na terra mágica. Após chegar em Oz, a menina é recebida em clima de celebração por anões chamados Munchkins e por Glinda, a bruxa boa do Norte. O motivo: a casa, acidentalmente, esmagara a bruxa má do leste. Não demora muito para a comemoração acabar, a bruxa má do oeste – irmã da morta -, aparece e declara guerra a Dorothy, desejando seus sapatos de ruby. A menina embarca em uma jornada atrás do famoso Mágico de Oz, o único capaz de poder levá-la de volta para casa. Nessa aventura, conhece amigos que partem em busca do mágico para obter o que não possuem, são eles: um espantalho sem cérebro, um homem de lata sem coração e um leão sem coragem.

A obra é um marco para o audiovisual. No campo do “visual”, a imagem dos cinco personagens bem distintos (não se esqueça de Totó!) ao longo da estrada de tijolos amarelos é utilizada em várias obras, sem contar o figurino, o cenário e a fotografia do filme que recebem destaque até hoje. No campo do áudio, a música tema que recebeu oscar de Melhor Canção Original, Somewhere Over The Rainbow, se tornou um clássico indiscutível da música. Já foi tocada/cantada por Kenny G, Beyoncé, Chris Impellitteri, Aretha Franklin e uma lista infinita que não convém falar aqui. Além de tudo, ainda existe a relação do filme com os álbuns The Dark Side Of The Moon do Pink Floyd e Goodbye Yellow Brick Road do Elton John.

A fotografia e o cenário são características que merecem o maior destaque. O filme foi um dos primeiros a usar a Technicolor, uma técnica que consistia na coloração dos filmes. A introdução do filme com fotografia em sépia é bem bonita e dá uma profundidade grande à região do Kansas, sobretudo quando chega o tornado. Quando a personagem abre a porta da casa e chega em Oz, você vê a contradição: Oz é colorido e belo, é a terra perfeita, o mundo que a menina procurava. Os cenários de Oz são extremamente bem feitos, unidos com efeitos visuais que para a época eram excelentes e, até para a atualidade, não parecem tão estranhos.

O roteiro é eficiente, no entanto, não possui tanto destaque quanto a parte técnica, ainda que mereça grandes méritos. Os diálogos da garota com os personagens que encontra ao longo do caminho são de uma simplicidade e autenticidade ímpar, bem escritos, conseguem passar um ar infantil, mas verdadeiro à obra. Por outro lado, existem pequenas falhas, mas a maior de todas está na resolução simplória – digna de ser considerada um Deus ex machina – a respeito da bruxa má do oeste.

As interpretações do núcleo protagonista são verdadeiros exemplos de como ser caricatural sem ser ridículo. Judy Garland realmente parece convencer como criança, além de encantar com a atuação de uma menina bondosa e ingênua. Já o trio de criaturas de Oz, consegue divertir, seja com as danças atrapalhadas de espantalho, o melodrama do Homem de Lata ou a falsa pose heróica do Leão.

O filme fecha com a mensagem “Não há lugar como o nosso lar”, mas muitas outras ainda podem ser tiradas, o que possibilitou a criação de diferentes conspirações sobre os temas do filme. A ideia de que o que você procura sempre estará dentro de você é uma delas, mas o mais importante é assistir e tirar suas próprias conclusões. Eu garanto, entrar no mundo de Oz vai ser fantástico.

PS.: Bem antes de Michael Jackson, o Homem de Lata já fazia a famosa dança em que se inclina sem cair.

O Mágico de Oz (The Wizard Of Oz, EUA – 1939)
Direção:
Victor Fleming
Roteiro:
Noel Langley, Florence Ryerson, Edgar Alan Woolf
Elenco:
Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Jack Haley, Bert Lahr
Duração:
112 minutos

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.