Crítica | O Manicômio do Coringa

estrelas 1,5

É comum esperar bons desempenhos de projetos mais simples, uma vez que a boa execução apresenta-se, na maioria desses casos, como uma consequência ao próprio cumprimento do roteiro, do planejamento. Os projetos mais complexos, quando mal elaborados, tendem a reservar sequelas mais graves.

Antes, então, de começar a ler Manicômio do Coringa, meu impulso inicial foi o de depositar boas fichas e apostar na boa qualidade do produto. Afinal, é preciso ressaltar que a ideia de apresentar em uma minissérie um monólogo do Coringa narrando contos independentes sobre outros emblemáticos vilões do universo de Arkham é, no mínimo, interessante.

Assim, a antologia divide ao meio os dez contos, cinco para cada revista. A primeira reúne relatos sobre o próprio Coringa, o Pinguim, a Hera Venenosa, o Espantalho e o Duas-Caras. A segunda revista, por sua vez, apresenta os contos protagonizados por Charada, Chapeleiro Louco, Arlequina, Crocodilo e Cara de Barro.

A discrepância entre a seleção de vilões do primeiro exemplar para o segundo é enorme, mas nem de longe é o principal dos problemas das publicações. A ideia de trazer o Coringa como narrador comum a todas as histórias é boa. Não só por sentidos óbvios, já que o Coringa é a cabeça insana e pensante de Arkham. Não se pode negar, no entanto, que a estratégia de marketing por trás da publicação é muito maior quando a série se chama Manicômio do Coringa. Uma série intitulada o Manicômio do Crocodilo, por exemplo, não teria o mesmo efeito, o mesmo hype, tampouco a mesma quantidade de leitores.

O problema começa na execução dessa ideia. Os contos simplesmente são inúteis e mal desenvolvidos. Os roteiros se apresentam instáveis, sem uma boa linearidade e, por muitas vezes, sem propósito aparente no argumento.

A impressão que tive ao terminar de ler as duas revistas é que houve um bom investimento no projeto. A arte gráfica é excelente e traz marcas conceituais muito interessantes. A forma narrativa em que as histórias se encaixariam é bastante eficaz. Faltou, entretanto, o principal: um grupo de roteiristas decente. Os roteiros da série não chegam nem perto de ser medianos. Assim, a revista não serve nem para ocupar o tempo em um dia particularmente tedioso.

Manicômio do Coringa (Joker’s Asylum, EUA – 2009)
Roteiro:
Arvid Nelson, Jason Aaron, J. T. Krul e outros
Arte:
Guillem March, Jason Pearson, Alex Sanchez e outros
Editora:
Panini Comics
Páginas:
24 por conto

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.