Crítica | O Mar Não Está Pra Peixe 2 – Tubarões à Vista

O MAR NÃO ESTÁ PARA PEIXE 2 - TUBARÕES A VISTA PLANO CRITICO PLANO CRITICO

As aventuras envolvendo a vida marinha já não continuavam tão em alta quando O Mar Não Está Pra Peixe 2 – Tubarões à Vista foi lançado nos cinemas quase seis anos depois do primeiro. A primeira produção, realizada por coreanos em 2006 retornou com trabalho de animação mais bem delineado pela equipe de designer gráfico, gerenciada por Junghum Kim.  Mais uma vez, o peixe saltitante e bem enérgico Pê precisará enfrentar uma série de obstáculos para manter-se vivo, além de proteger o recife que agora é seu lar.

Sob a direção de Mark A. Z. Dippé, tendo como base o roteiro de Chris Denkis e Johnny Hartman, O Mar Não Está Pra Peixe 2 – Tubarões à Vista repete a fórmula batida do primeiro filme e, consequentemente, a sua história fraca, dando alguma vida e brilhantismo em alguns pontos ali e aqui. Entre desastrados e equilibrados, malvados e bonzinhos, fieis escudeiros e traidores sem escrúpulos, a animação estabelece a sua história sobre a guerra entre o Pê e o “brutamonte” Troy, agora modificado geneticamente depois de ficar preso durante um tempo numa jaula subaquática, a sofrer os experimentos de uma embarcação pomposa de pesquisa.

Maior e mais forte, Troy anda com a sua gangue de tubarões que variam nas espécies, mas não no caráter. Frios, calculistas e cruéis, os animais aguardam a próxima oportunidade para entrar no recife e acabar com todos, inclusive sequestrar Cordelia para uma relação forçada com o valentão, sendo que o coração da fêmea exuberante já tem dono. Troy só precisa aguardar quatro dias para conseguir o que deseja, pois depende que a maré fique cheia para ter acesso ao recife em águas rasas. Dessa vez, Pê tem um tubarão disfarçado como membro que enrola o grupo, tendo em vista desconcentrá-los de sua maior função: organizar a defesa do espaço.

As mensagens acerca da importância do trabalho em equipe e do respeito ao próximo continuam, agora acompanhadas da importância da amizade e do amor, bem como a compreensão da diferença em um mundo cada vez mais segregado e conflituoso. Mais uma vez, as tentativas meigas de mostrar como o mundo pode ser um lugar melhor ficam em desarmonia com o caráter essencialmente infantil da produção, com diálogos e situações que se tornam entretenimento para o público que possui até dez anos de idade. Depois disso pode se tornar tédio. Editado pelo trio formado por Jim Flynn, Tom Sanders e Michael Rafferty, a animação possui condução musical de Todd Haberman, acima da média. Mesmo com três profissionais na justaposição de imagens, a sensação de marasmo às vezes toma conta da tela.

Lançado em 2011, O Mar Não Está Pra PeixeTubarões à Vista é relativamente divertido e faz algumas referências aos mais variados nomes da cultura pop de gerações distintas, em especial, Indiana Jones e Beyoncé. Se a plateia infantil vai pegar as referências eu realmente não creio, mas que o público adulto provavelmente vai agradecer quando o filme chegar ao fim, isso, tenho quase certeza, pois falta autenticidade e força na animação, produto requentado da indústria

O Mar Não Está Pra Peixe – Tubarões à Vista — (The Reef: High Tide) Estados Unidos, 2012.
Direção: Mark A. Z. Dippé
Roteiro: Chris Denk, Johnny Hartmann
Elenco: Andy Dick, Busy Philipps, Donal Logue, Frankie Jonas, Jamie Kennedy, Rob Schneider, Stephen Stanton
Duração: 88 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.