Crítica | O Mar Não Está Pra Peixe

As aventuras envolvendo a vida marinha estavam em alta quando O Mar Não Está Pra Peixe foi lançado nos cinemas. Produzido pela Coreia do Sul, a animação com desenho gráfico bastante irregular, criado pela dupla formada por Ha-jun Lee e Jung Hoon Yeon, empolga o seu público alvo, isto é, as crianças com idade abaixo de dez anos, mas em compensação, pode ser uma tortura para adultos ou até mesmo crianças contemporâneas, dotadas de mentalidades velozes e cada vez mais furiosas.

Sob a direção de Howard E. Baker, Kyung Ho Lee e John Fox, O Mar Não Está Pra Peixe segue a trajetória do alegre e saltitante Pê, um peixe órfão que viaja durante um longo tempo até um recife, tendo em vista encontrar a sua tia Pérola. Logo nos primeiros dias de instalação, Pê vai se descobrir apaixonado por Cordelia, uma fêmea belíssima, dona de uma calda exuberante e cores bem vibrantes. Ela é um dos destaques do lugar e chama à atenção de todos, até mesmo do perigoso Troy, um tubarão mal grosseiro e valentão. Troy não é uma besta de imensas proporções, tal como a criatura do filme de Spielberg, mas comporta-se como ameaçador semelhante.

Ao assumir o seu posto de inconveniente e vestir a camisa de fera assassina comum aos filmes sobre ataques de tubarões, Troy vai travar uma disputa com Pê, tendo em vista a dominação local. Com roteiro de Scott Clevenger, Chris Denkis e Timothy Wayne Peternel, O Mar Não Está Pra Peixe traz alguns momentos divertidos, mas bem passageiros, graças ao seu roteiro pouco trabalhado, em especial, aos personagens planos e ao apelo essencialmente infantil. A edição de Tom Sanders busca o máximo de movimento para os 80 minutos de animação, mas ainda assim falta um ritmo ao conteúdo.

As mensagens acerca da importância do trabalho em equipe e do respeito ao próximo são meigas, mas nada que impeça a narrativa de ter ousado mais, afinal, não é preciso ser bobo para se classificar como produção infantil. Lançado em 2006, O Mar Não Está Pra Peixe tem condução musical acima da média, composta pela dupla formada por Paul Buckley e Christopher Lennertz. Com referências diretas ao ótimo Procurando Nemo e também ao mediano O Espanta Tubarões, a animação produzida pela Wonderworld Studios, FX Digital e Digiart Productions trouxe Tom Cavalcante, Grazi Massafera e Felipe Dylon como dubladores dos principais personagens, profissionais que não ajudaram muito na aproximação do público com a história.

O Mar Não Está Pra Peixe — (Shark Bait) Coréia do Sul, 2006.
Direção: Howard E. Baker, John Fox
Roteiro: Anurag Mehta, Chris Denk, Scott Clevenger, Timothy Wayne Peternel
Elenco: Andy Dick, Evan Rachel Wood, Fran Drescher, Grazi Massafera, John Rhys-Davies / na versão brasileira de: Felipe Dylon, Rob Schneider, Tom Cavalcante. Freddie Prinze Jr.
Duração: 78 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.