Crítica | O Massacre da Serra Elétrica 2

estrelas 0,5

Sabe um filme ruim? Sim, aquele que te irrita e mostra que não há nenhuma razão plausível para a sua existência? Pronto, este é o caso de O Massacre da Serra Elétrica 2, dirigido por Tobe Hooper, tendo como base o roteiro ruim de L. M. Carson. Se não fosse o trabalho na seara dos efeitos especiais, realizados por Tom Savini, este filme seria inteiramente descartável.

O salto temporal é de 12 anos. Na já comum abertura gutural e explicativa dos eventos que carregam o filme, o narrador nos explica que Sally, sobrevivente do filme anterior, conseguiu escapar e contou detalhadamente todos os fatos da pior noite de sua vida para a polícia. As autoridades decidem investigar, mas quando chegam ao local indicado, não encontram as tais evidências. O caso, então, fica por “isso mesmo”, ganhando projeção depois que o valentão Lefyt (Denis Hopper), tio de Sally, decide vingar a morte do sobrinho Franklin, uma das vítimas do banho de sangue do filme anterior.

Antes de conhece-lo somos apresentados a final girl da vez: a DJ Stretch (Caroline Williams). Ela trabalha numa rádio local e durante a transmissão do seu programa, é importunada por dois jovens que ligam para fazer gozações. O que torna tudo imprevisível é uma perseguição sofrida pelos rapazes. Rumo a um jogo de futebol, eles são atacados na estrada e Stretch é testemunha, juntamente com os ouvintes. Será brincadeira ou eles realmente foram dizimados pelo que parece ser o som de alguém empunhando uma serra elétrica?

O caricato personagem de Hooper solicita o áudio da transmissão e a partir da gravação, segue rumo às investigações que permeiam a sua vingança, o que nos leva a um parque macabro cheio de cenários horrorosos, reduto da família de canibais degenerados. Como todos os excessos possíveis num roteiro desanimador e absurdo, a história de Stretch se entrelaça com os demais acontecimentos e o que segue é um festival de baboseiras, personagens rasos, narrativa arrastada e todos os elementos que um filme de terror não pode ter, inclusive um desenvolvimento anticlimático.

Caricatura do anterior, não funciona nem como paródia. Direção de arte, figurino e montagem caóticos, tendo no trabalho de Savini a única salvação, haja vista a experiência do maquiador em filmes como Sexta-Feira 13 e Despertar dos Mortos.

Interpretado por Bill Johnson, Leatherface surge sem o mesmo impacto do filme anterior, uma figura misteriosa, insana e doentia, de fazer qualquer um ficar apavorado. Há ainda a adição de um personagem chamado Chop Top, dono de falas dadaístas e comportamento bizarro. Segundo a história que envolve a produção, o roteiro original tinha como foco uma cidade com vários moradores canibais, no entanto, por conta das mudanças exigidas pelo estúdio, o que chegou ao público nada mais é que uma colcha de retalhos que prenunciava o destino da franquia, recuperada apenas com a refilmagem de 2003, conduzida pelo novato Marcus Nispel e produzida pelo cineasta “explosivo” Michael Bay.

O Massacre da Serra Elétrica 2 (The Texas Chainsaw Massacre 2) — Estados Unidos/1982
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Tobe Hooper
Elenco: Bill Johnson, Bill Moseley, Caroline Williams, Dennis Hooper, Jim Siedow, Lou Perry
Duração: 80 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.