Crítica | O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno

O Massacre da Serra Elétrica - Retorno

estrelas 1,5

No final da década de 1980, os filmes da franquia Sexta-Feira 13 já haviam saturado bastante o público consumir do subgênero slasher. No entanto, diferente das sequências de O Massacre da Serra Elétrica, estes filmes eram divertidos, dinâmicos e cuidadosos em alguns aspectos visuais. Esta quarta incursão de Leatherface nos cinemas, além de problemática em termos econômicos e industriais, causa frouxos risos ao espectador, bem como tédio, haja vista a ruindade do roteiro.

É possível afirmar que nada se salva nesta trama repetitiva e insossa. Kim Henhel, roteirista do primeiro filme, retorna como diretor (e também assume o roteiro) neste filme que é basicamente uma releitura do clássico de 1974: um grupo de jovens sofre um pequeno acidente de carro ao sair das festividades de uma formatura. Ao procurar ajuda pelas redondezas, o que significa passar por um trecho florestal para conseguir contato com uma casa/estabelecimento, os jovens se deparam com a família de “degenerados” e o banho de sangue entra na agenda de Leatherface.

Finalizado em 1993, chegou aos cinemas apenas em 1997, com exibição tímida em 23 salas, tendo arrecadado míseros U$141 mil. Pudera, pois quando os poderosos da indústria querem derrubar algo, agem com as mesmas forças de engrenagem dos interessados em alçar alguém para a fama. Muitos produtores acharam o filme cheio de violência, meteram bedelho, mexeram no roteiro, alteraram partes aparentemente interessantes, o que tornou a trama uma odiosa colcha de retalhos com pouco sentido.

Segundo relatos jornalísticos da época, os engravatados dos estúdios encarceraram o filme por conta dos protagonistas do enredo, na época, interpretados por Matthew McConaughey e Renee Zellweger, talentosos artista em ponto de ebulição que circundavam as bordas do sucesso com Tempo de Matar e Jerry Maguire – A Grande Virada. O filme ficou de molho tanto tempo e quando foi lançado em 1997, tornou-se obsoleto e renegado por todos, inclusive por quem produziu.

No quesito homenagem, algo sempre frequente na franquia, Marilyn Burns, a Sally do primeiro filme, interpreta uma paciente na maca numa cena em um hospital, além do vovô maléfico que surge aqui no papel de um policial. Resumindo, nem isso se salva, pois as pontas são inúteis diante de um filme com diálogos que beiram ao que o nosso dramaturgo Nelson Rodrigues chamaria de estupidez hedionda. A reflexão final acerca da natureza humana (ou desumana) da família soa como filosofia barata e tacanha, semelhante ao personagem feminino que é incluso no clã, a disfuncional Darla (Tonie Perensky), elemento de grau dramatúrgico nota zero.

Carente de ritmo, O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno é fraco, insosso e nos apresenta um psicopata sem impacto algum, munido de sua motosserra, mas impossibilitado de agir por conta dos produtores preocupados com a censura. Estranhamente, colocaram Leatherface, aqui interpretado por Robert Jacks, com roupas femininas, perucas e postura estereotipada. Se fosse para levantar alguma discussão ao nível de Bates Motel, tudo bem, mas o que interessa nesta sequência é apenas a tosca e velha caricatura.

O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno (The Return of the Texas Chainsaw Massacre) — Estados Unidos, 1994
Direção: Kim Henkel
Roteiro: Kim Henkel
Elenco: Joe Stevens, Lisa Newmyer, Matthew McConaughey, Renée Zellweger, Rob Jacks, Tonie Perensky
Duração: 85 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.