Crítica | O Mundo Perdido: Jurassic Park

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estrelas 2

Com as proporções de popularidade atingidas pelo primeiro Jurassic Park era só questão de tempo pra termos uma sequência. E foi exatamente isso que aconteceu em 1997, quando ela foi lançada. Após sofrer pressão de fãs e de Spielberg, Crichton escreveu uma sequência para seu livro lançado dois anos antes do filme. O Mundo Perdido: Jurassic Park é um exemplo de como algo feito sob pressão e sem real inspiração pode trazer resultados terríveis.

O longa se passa quatro anos depois do ocorrido na Ilha Nublar. Hammond perdeu o poder sobre a InGen e seu sobrinho, Peter Ludlow, agora passa a controlar a empresa. Peter decide enviar uma expedição para Ilha Sorna – onde ainda há várias espécimes de dinossauros e onde os dinossauros eram criados antes de enviados a Ilha Nublar – para coletar algumas espécies para uma sede do Jurassic Park em San Diego. Sabendo dos planos do sobrinho, Hammond monta sua expedição liderada pelo matemático do primeiro longa, Ian Malcolm, para registrar os seres e apresentar ao público antes de Peter, afim de convencer o público de preservarem os dinossauros onde estão.

Como já é percebido no parágrafo anterior, o primeiro grande erro da sequência é sua sinopse totalmente confusa. É bem nítido o quanto o roteiro força a barra pra dar justificativa à sequência. E, para terminar, Spielberg acaba desconstruindo a maravilhosa aventura realizada no filme anterior pra construir um filme com uma temática bem mais sombria, focada em um roteiro falho e personagens isentos de carisma.

A escolha de fazer um filme mais sombrio é uma das piores ideias implantadas. Se o que fazia o primeiro único era seu bom humor aventuresco, aqui ele se perde totalmente tentando passar uma ideia de perigo maior. E, para infelicidade do roteiro, é muito difícil comprar isso, parte porque durante todo o filme nenhum personagem – com exceção de Malcolm – parece realmente transmitir o perigo que está enfrentando. A falta de diálogos funcionais prova isso, acaba banalizando o poder dos velociraptos e de uma dupla de T-Rex, fazendo com que nem mesmo um deles solto em plena cidade consiga passar alguma preocupação ao telespectador. Ainda por cima, a escolha pelas cenas durante a noite cansam tanto visualmente quanto roteiristicamente, com insistência em uma abordagem mais escura.

No que se diz respeito aos personagens, o longa tenta montar um time seguindo o modelo do primeiro, só que, agora, com Malcolm como “líder”. Tal abordagem não funciona, mesmo com os esforços de Jeff Goldblum. Temos aqui a namorada de Malcolm, vivida por Julianne Moore, inicialmente bem apresentada, mas que logo se perde totalmente; a filha de Malcolm interpretada por Vanessa Lee Chester, uma garota totalmente descartável para a trama; e um fotógrafo muito mal desenvolvido interpretado por Vince Vaughn. Toda essa fraqueza é consolidada na metade do filme, onde muitas outras figuras aparecem sem serem aprofundadas, assim como uma preocupação em mostrar um excesso de dinossauros, fazendo com que a equipe protagonista perca sua força.

É em uma continuação medíocre e mal trabalhada que Jurassic Park prova que é preciso bem mais que dinossauros e cenas de ação pra se fazer um clássico como o original. E é justamente em ferramentas pobres, direção cansativa pelos takes à noite, más interpretações e roteiro cheio de furos que O Mundo Perdido: Jurassic Park se mostra o pior filme da franquia e um verdadeiro desperdício de potencial.

O Mundo Perdido: Jurassic Park (The Lost World: Jurassic Park – EUA, 1997)
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp
Elenco: Jeff Goldblum, Julianne Moore, Pete Postlethwaite, Richard Attenborough, Vince Vaughn
Duração: 129 minutos

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.