Crítica | O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger

estrelas 3

Obs: Leia sobre os demais filmes da franquia, aqui.

Freddy Krueger estava morto. Depois de 6 filmes e muito dinheiro e fãs arrecadados, o mito criado por Wes Craven parecia estar aposentado para sempre… Bem, pelo menos em um período de 3 curtos anos, que é o tempo que separa A Morte de Freddy de seu próximo e mais irreverente capítulo, encabeçado pelo próprio Craven: O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger.

Para quem não conhece, Novo Pesadelo é um dos filmes mais metalinguísticos já feitos, sem dúvida alguma servindo como a gênese da franquia Pânico, que Wes Craven viria a dirigir alguns anos depois. Mas aqui, todos os atores, produtores e diretores interpretam versões deles próprios, que trabalham em um novo filme de Freddy Krueger. O que acontece, é que Krueger é revelado como um espírito demoníaco que assume muitas formas, e a franquia A Hora do Pesadelo foi uma forma de mantê-lo aprisionado em um mundo ficcional. Com sua presença ameaçando invadir o mundo real, cabe a Wes Craven (sério) escrever um filme definitivo para que Heather Langenkamp (a Nancy Thompson do original) possa derrotar Krueger de uma vez por todas.

Certo, mas que premissa absolutamente brilhante. Não só é uma ideia verdadeiramente original para trazer a franquia de volta, como também dá vida a antiga ideia de Craven de produzir um filme em que Freddy assombraria os produtores que garantiam infinitas continuações para A Hora do Pesadelo; vale lembrar que o idealizador nunca quis que o personagem ganhasse continuações, e já demonstrou mais de uma vez sua insatisfação com o nível dos longas produzidos.

E O Novo Pesadelo funciona? Definitivamente, mas acerta muito mais baixo do que poderia. É fascinante ver Langenkamp, Robert Englund e principalmente Wes Craven interpretarem versões idealizadas de si mesmos (Craven é o escolhido para realizar a tarefa divina de aprisionar o demoníaco Krueger, com a magia de suas palavras…), assim como as cenas em que algum personagem lê uma página de roteiro que diz exatamente o que acontece em cena. O novo visual de Freddy Krueger também é espetacular. Segue mais a proposta original de Craven, com um longo sobretudo, uma maquiagem mais profunda e uma luva de garras que se aproximasse de garras de osso. Na pele de Englund, Freddy nunca esteve tão amedrontador, além de não trazer consigo o humor galhofa que dominou suas últimas aparições.

O problema é que não há nada de realmente marcante. Nenhum dos ataques de Freddy traz a criatividade que tornou o personagem tão amado, nem o terror que a abordagem mais séria prometia. Há algumas cenas de suspense, como quando o filho de Nancy adota um comportamento estranho em um playground, ou a própria primeira aparição de Freddy, que traz de volta o truque de andar nas paredes do longa original, mas nada digno de Wes Craven. O núcleo de Heather protegendo seu filho de uma ameaça invisível não empolga, mesmo que a atriz entregue uma performance protetora notável.

Wes Craven parte de um conceito genial para seu Novo Pesadelo, mas não foi o bastante para que Freddy Krueger voltasse a ser uma força marcante. É uma despedida muito mais eficiente do que a porca conclusão da franquia, mas o personagem ainda assim merecia mais.

Mais do que viria a seguir, ainda.

O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger (Wes Craven’s New Nightmare, 1994 – EUA)

Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Elenco: Robert Englund, Heather Langenkamp, Wes Craven, David Newsom, Marianne Maddalena
Duração: 112 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.