Crítica | O Paladino da Vitória

estrelas 3

Depois de sua estreia no cinema em Amor de Índio (1914), DeMille se estabeleceu como um diretor promissor e de rápido amadurecimento, tendo um gosto especial por histórias de muitas reviravoltas, grandes cenários… épicos, em uma palavra. Sua versão para a peça The Virginian, de Owen Wister, foi o 5º filme creditado que realizou, um curta-metragem no qual ele explora habilmente a densidade do drama teatral e, com isso, prende o espectador em uma malha ética e emotiva a partir de determinado ponto da reprodução.

Em alguns aspectos, o roteiro de Paladino se assemelha ao de Amor de Índio, porque ambos trabalham com a adaptação de uma pessoa completamente fora do universo do Velho Oeste, contando aí a difícil vida na região — não só de escassez de coisas materiais e naturais mas também devido à violência imperante — e a tentativa de voltar “para casa”, uma fuga que, em ambos os casos, não acaba acontecendo.

Mas o que de fato marca O Paladino da Vitória são as liberdades que DeMille tomou ao materializar o fio condutor e futuramente emotivo da obra. Depois de uma abertura de contexto — bem filmada mas ainda assim com falhas de sequência narrativa –, temos o primeiro contato entre os dois melhores amigos, “o Virginiano” (Dustin Farnum, que aqui repete o seu papel do teatro) e Steve (Jack W. Johnston). Diferente da maioria esmagadora dos amigos vaqueiros, rancheiros ou pistoleiros do Velho Oeste, os dois homens aqui são realmente muito próximos e não se tratam apenas com o distante aperto de mão, tapas nas costas e toques respeitosos no chapéu. Essa proximidade entre eles (não como aquela que Alice Guy-Blaché instituiu em seu Algie, the Miner) tem um grande peso quando o amigo mais jovem se envolve com ladrões de gado e o mais velho deve julgá-lo e executá-lo à maneira “selvagem” do Velho Oeste (questão que anos depois se tornaria tema de Consciências Mortas), o ponto mais cruel e sem concessão de toda a trama. Essa relação por sí só já garantiria o filme, não era preciso a heroína apaixonada para servir de complemente à história.

Mesmo se considerarmos a desnecessária cena em que os índios aparecem em um cameo nonsense e a terrível atuação da atriz Winifred Kingston, teremos em O Paladino da Vitória um filme que vale a pena ser visto. Sua temática ética e a forma como DeMille guiou a história são realmente interessantes e, de certa forma, incomuns para a época, algo que com certeza irá trazer uma visão diferente sobre os primeiros westerns para o espectador, mesmo que este já conheça bem o gênero.

O Paladino da Vitória (The Virginian) – EUA, 1914
Direção:
Cecil B. DeMille
Roteiro: Kirk La Shelle, Owen Wister
Elenco: Dustin Farnum, Jack W. Johnston, Sydney Deane, William Elmer, Winifred Kingston, James Griswold, Horace B. Carpenter, Tex Driscoll
Duração: 55 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.