Crítica | O Pequeno Nicolau

estrelas 3,5

O Pequeno Nicolau (2009), comédia francesa de muito bom gosto, pode não ser (e não é) um filme bem fechado, tendo tropeços imperdoáveis de edição, mal uso de uma trilha sonora muito boa e interpretação medíocre do protagonista mirim, cuja simpatia não salva o personagem; mas é um filme que guarda um doce ar nostálgico de uma França de tempos idos, tendo um grupo de estudantes como foco central da trama – que, diga-se de passagem, sofre por querer levar adiante narrativas paralelas que só são suportáveis por algumas sequências salvadoras, como a que Clotaire (este sim, muito bem interpretado por Victor Carles), acerta pela primeira vez uma pergunta na sala de aula e é aplaudido por um bom tempo na frente do Ministro da Educação, que se espanta com o entusiasmo dos colegas, refletindo: “Foi tão difícil assim [a pergunta]?”. Apesar de todos os tropeços técnicos, o filme de Laurent Tirard consegue fazer o espectador rir com gosto, mesmo com o uso de clichês cômicos e gags já vistas por amantes do cinema mudo.

O filme conta a história de Nicolau (Maxime Godart), garoto de infância tranquila e feliz que se vê extremamente preocupado depois de ouvir a história do “Pequeno Polegar”, pois imagina que sua mãe está grávida e que irá abandoná-lo em uma floresta. O roteiro (que se baseia nas histórias em quadrinhos de René Goscinny e Sempé) circula uma série de absurdos dos batutinhas que interpretam de forma trágica a conversa dos adultos e procuram de algum modo alterar o que pensam ser a realidade. Um gângster assassinado, um mecânico confundido com um matador de aluguel, uma poção mágica que dá extrema força a quem bebe (como a de Asterix e Obelix), a tentativa de ganhar 500 francos com uma roleta em miniatura e a “direção” de um carro por um garoto que usa fantasia de astronauta são algumas das aventuras do grupo de amigos, formado por diversos estereótipos de crianças em idade estudantil, desde o “burrinho da sala” ao “queridinho da professora”. O filme termina com a aprendizagem de uma lição de vida para Nicolau: quando crescer, ele quer…

A inocência perdida e as burlescas situações ganham um ar vintage querido e admirado por muitos, o que faz de O Pequeno Nicolau um filme que agrada mesmo os mais exigentes espectadores, se não como produto fílmico, ao menos como diversão, já que é impossível não rir de algumas (e são tantas!) situações apresentadas.

A direção do elenco infantil deixa a desejar em muitos pontos, especialmente no que se refere ao protagonista da obra. Mesmo assim, como já dissemos, algumas “sequências salvadoras” equilibram quase que por completo as barrigas contidas nos 100 minutos de filme. Também como salvador está o belíssimo trabalho da fotografia e da direção de arte, trazendo cores quentes e neutras em pontos distintos do longa, lembrando-nos com grande beleza a França dos anos 1950.

O Pequeno Nicolau não é uma comédia francesa do porte de Bem Vindo ao Norte (2009) — só para citar uma outra do mesmo ano — , mas trabalha suas imagens para tocar no espectador através de um conto infantil cheio de imaginação e muita ação inteligente sem nenhum tipo de apelo absurdo. Certamente estamos diante de um conto infantil necessário em tempos como os nossos. Um filme com um delicioso sabor de infância.

O Pequeno Nicolau (Le petit Nicolas) – França, Bélgica, 2009
Direção: Laurent Tirard
Roteiro: Laurent Tirard, Grégoire Vigneron, Alain Chabat (baseado nos personagens de René Goscinny e Jean-Jacques Sempé) .
Elenco: Maxime Godart, Valérie Lemercier, Kad Merad, Sandrine Kiberlain, François-Xavier Demaison, Michel Duchaussoy, Daniel Prévost, Michel Galabru, François Damiens, Louise Bourgoin
Duração: 91 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.