Crítica | O Pesadelo – Paralisia do Sono

estrelas 4

Meu desgosto pelo gênero terror teve origem ainda na década de 90, com a banalização completa das tramas e com o lançamento de uma infinidade de filmes ruins que só pioraram a partir dos anos 2000. Sei que estou generalizando e a generalização é sempre perigosa e injusta, mas esse é um sentimento que carrego há muitos anos e nenhum filme que tenha assistindo nos últimos 20 e tantos anos conseguiu reacender a curiosidade pelo gênero que eu tinha quando mais jovem.

Isso até O Pesadelo – Paralisia do Sono, claro.

E estamos falando, por incrível que pareça, de um documentário. No entanto, classificar essa produção apenas como um documentário é, talvez, deixar de compreender o que Rodney Ascher, seu diretor e idealizador, quis realmente fazer. Apesar de seu objetivo ter sido, bem na superfície, investigar o fenômeno conhecido como paralisia do sono, pelo qual algumas pessoas desafortunadas passam e que consiste em um estado de consciência, mas sem que possa ter algum controle sobre o corpo, o que Ascher acaba fazendo é atestar a existência do distúrbio, mas sem qualquer pretensão de investigar causas ou mergulhar a fundo no problema.

Composto de entrevistas com oito pessoas que sofrem ou sofreram do mal, o diretor, que estreou nos longas com o excelente O Labirinto de Kubrick (também conhecido como Quarto 237), faz a encenação dos pesadelos de cada um de maneira que a fusão entre documentário e ficção seja uma constante. Aparentemente, além da incapacidade de controlar o corpo, alguns dos que têm paralisia do sono também sentem presenças malignas ao seu redor e essas histórias dão pano para manga para o diretor, que se esmera em fazer um excelente filme de suspense dentro de uma estrutura de documentário. Chega a ser difícil explicar, mas as encenações de Ascher são mais do que apenas isso. Ele se esmera em transmitir aos espectadores aquilo que as vítimas dessa doença (por falta de uma palavra melhor) passam. E ele alcança seu intuito, podem ter certeza.

Até mesmo as entrevistas com as oito pessoas são encenadas com atmosferas lúgubres e, com apenas uma exceção, em ambientes escuros e com a câmera distante, misteriosa, perturbadora, muitas vezes até cavando suspense com situações banais. Ainda que as criaturas que são vistas/sonhadas/imaginadas pelos entrevistados não tenham a polidez que mais dinheiro para efeitos em computação gráfica com certeza trariam, a crueza do que vemos acaba contribuindo para um tom verídico que realmente é capaz de deixar o espectador irrequieto. Afinal, Ascher lida com fatos e apenas os reencena para nosso “prazer” visual e, sabendo que estamos vendo o que os entrevistados veem em seus momentos noturnos terríveis, conseguimos automaticamente nos colocar no lugar deles. É aflitivo e desesperador em muitos momentos.

Se, porém, encararmos O Pesadelo – Paralisia do Sono apenas como um documentário, então a produção é muito falha, pois não passa de uma sucessão de relatos reencenados. Não há investigação, não há sequer uma tentativa de entender o problema fora dos relatos dos entrevistados. Não ouvimos depoimentos de psiquiatras, médicos e outros profissionais que possam contribuir com abordagens científicas ao tema. O que temos são as racionalizações – ou não – dos que sofrem de paralisia do sono e nada mais, além das já mencionadas encenações. Mas a classificação como documentário é apenas pela falta de outra categorização melhor e, como fica evidente que a intenção de Ascher foi a de fazer um filme de terror que permita a imediata conexão com o espectador, não tenho dúvidas que ele foi bem sucedido. De certa forma, é como se estivéssemos diante do nascimento de um novo sub-gênero do terror como aconteceu com A Bruxa de Blair e o found footage.

Realmente não esperava encontrar em um documentário, razão para ter esperanças novamente com o gênero do terror. Só não sei realmente se acho isso uma coisa boa, pois dormir não será mais uma tarefa simples…

O Pesadelo – Paralisia do Sono (The Nightmare, EUA – 2015)
Direção: Rodney Ascher
Roteiro: Rodney Ascher
Elenco: Siegfried Peters, Stephen Michael Joseph, Yatoya Toy, Elise Robson, Nicole Bosworth, Age Wilson
Duração: 91 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.