Crítica | O Planeta dos Macacos – 2001 (Trilha Sonora Original)

estrelas 1,5

A parceria entre Danny Elfman e Tim Burton é uma das mais longevas da carreira do diretor, tendo iniciado no primeiro longa-metragem de Burton, As Grandes Aventuras de Pee-wee. Desde então, ambos trabalharam juntos mais quinze vezes, incluindo em icônicas obras como O Estranho Mundo de Jack (produzida por Burton) e Batman. Apesar de ter nos entregado marcantes temas ao longo de sua carreira, sempre considerei a maior parte das composições de Elfman como sendo genéricas e sem muita inspiração, não dialogando bem com o filme em que tais músicas estão atreladas. A trilha de O Planeta dos Macacos, remake do clássico de 1968, infelizmente, não está aí para me provar o contrário.

De início, o compositor já não contava com uma tarefa exatamente fácil. Assim como a responsabilidade em recriar o filme original era grande, o mesmo pode ser dito de Elfman, que precisaria nos trazer algo tão impactante quando a música de Jerry Goldsmith, que compusera a trilha do primeiro longa. Logo na primeira faixa, Main Titles, tocada enquanto assistimos os longos créditos iniciais da obra, podemos perceber notáveis similaridades dessa trilha com a de Goldsmith. Mais uma vez o som se apoia fortemente na percussão, com os instrumentos sendo utilizados para criar efeitos sonoros, que se misturam com a musicalidade.

Elfman, porém, se apoia consideravelmente em sons metálicos, com instrumentos de sopro ganhando um perceptível destaque, na tentativa de transmitir um tom mais épico ao álbum. Enquanto que as composições de Goldsmith evocavam o suspense, as de Elfman trabalham mais a ação. São temas mais agitados, criando a atmosfera de que muito acontece ao mesmo tempo. Quando a percussão assume o comando, o maestro acerta em cheio, criando algo facilmente distinguível e que perfeitamente se enquadra dentro da narrativa do filme, além, é claro, de “combinar” com toda a trama de O Planeta dos Macacos.

Constantemente, porém, o músico faz uso de tons eletrônicos e sinos que criam um péssimo estranhamento no espectador, visto que não há uma boa fusão entre imagem e espaço sonoro. Diversas vezes sentimos como se a trilha caminhasse seu próprio caminho, tentando ser grandiosa sem se preocupar em ajudar na construção atmosférica do filme. Justamente nessa tentativa de criar algo majestoso é que o compositor se perde completamente, estabelecendo músicas parecidas, mas que não seguem um tom específico. Facilmente Elfman poderia construir variações do tema de abertura, mas não é isso o que vemos aqui. Temos apenas algo genérico, que, por pouco, não cumpre sua função, muitas vezes destacando-se mais do que deveria, sem verdadeiramente captar nosso encantamento.

Bons exemplos desse trabalho pouco inspirado são Preparing for BattleThe Battle Begins, duas faixas que duram mais do que deveriam, não seguindo qualquer lógica interna, como se o músico tivesse misturado mais de uma música de tal forma que a confusão sonora não causa o menor impacto no ouvinte/espectador. Mesmo os ocasionais destaques das cordas não conseguem salvar essa trilha, visto que, no momento em que começam a sobressair, logo são caladas pela mesmice que perpassa todo o álbum.

Certamente não considero O Planeta dos Macacos, de Tim Burton, como um filme tão ruim quanto muitos dizem por aí, mas a trilha de Danny Elfman claramente é muito aquém do que poderíamos esperar de uma obra de tal porte e com tamanha responsabilidade. Temos, aqui, uma verdadeira bagunça, com o som tentando demais sobressair-se, criando apenas melodias genéricas que não chegam aos pés das criadas por Jerry Goldsmith para o filme de 1968.

O Planeta dos Macacos (Trilha Sonora Original)
Compositor:
 Danny Elfman
País: Estados Unidos
Lançamento: 27 de julho de 2001
Gravadora: Sony Classical
Estilo: Trilha sonora

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.