Crítica | O Que Aconteceria Se… Conan, o Bárbaro Andasse Pela Terra Hoje?

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Ambientada na Terra-79213, entre a Era Hiboriana e o século XX, esta história coloca Conan em contato com um mundo cheio de “maravilhas” e também de bastante hostilidade, todas elas executadas de diferentes formas em relação ao personagem. Escrita por Roy Thomas, esta edição da série O Que Aconteceria Se…? dialoga com diferentes espaços e dimensões, mantendo os perigos inerentes a cada uma delas, mostrando que ladrões e inimigos das mais diversas ordens podem ser encontrados em qualquer civilização, mudando apenas de nome conforme a conveniência ou uma particularidade histórica.

O leitor não deve esperar grande força narrativa do roteiro de Roy Thomas aqui. Claro que a aventura entretém e é mantida a essência de Conan ao longo das páginas — ou seja, ele está fora de seu espaço, confuso e agindo de maneira consideravelmente diferente, mas não a ponto de se tornar descaracterizado ou irreconhecível –, mas o desenvolvimento e especialmente a finalização acabam se entregando mais facilmente às eventualidades do roteiro, tomando um caos social como justificativa única para uma interferência maior do protagonista e o estabelecimento de sua marca na Terra, notadamente através do contato com Danette (Dan), a motorista de táxi que serve de “guia e amante temporária” do hiboriano.

No início, Conan está em Akbitana, onde é seduzido por uma bela mulher e levado a um lugar onde um “poço do tempo” é apresentado, um “dispositivo” capaz de transportá-lo para outros lugares e Eras daquela Terra. A motivação inicial, embora básica, é bem utilizada, não deixando pontos soltos quanto às intenções iniciais dos peões do jogo. Conan está em viagem há tempos e fica caidinho por uma bela mulher (nada de novo no front, certo?). E como também acontece frequentemente com ele, a traição e o encontro com inimigos dotados de poderes inimagináveis surgem em cena. Como disse, é uma estrutura básica, se pensarmos em como boa parte dos quadrinhos de Conan se estruturavam no início. Mas claro, é um serviço bem feito. Aos poucos, porém, o destino dos personagens e mesmo a tumultuada estadia do personagem na Era Moderna irá enfrentar alguns obstáculos que atrapalharão a avaliação final da saga.

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Conan chega à Era Moderna.

A arte de John Buscema, com finalização de Ernie Chan funciona muito mais quando abraça o propósito relativamente místico ligado à Era Hiboriana e ao próprio Conan em ação, com suas expressões fortemente definidas e clara dificuldade de comunicação, reagindo instintivamente a toda a tecnologia do século XX (só para constar, o roteiro é extremamente preciso ao definir quando ele chega em Nova York: quarta-feira, 13 de julho de 1977, às 20h37). As cenas de luta, portanto, são o grande destaque da trama, mas sinceramente não se encaixam com perfeição no enredo. E claro, não estou dizendo isso considerando a estética, mas a abordagem textual para ela. Embora o anacronismo seja uma das colunas centrais aqui propostas, ver isso representado da forma como é causa uma estranheza maior que o esperado.

Talvez se o roteiro não tivesse deixado de explicar algumas coisas e se não estivesse o tempo inteiro jogando com condicionais (puxando reações imediatas para o Selvagem), a saga poderia ser um tanto mais reflexiva e igualmente violenta, sem necessariamente criar uma crônica mundana (o apagão, que é comentado por mais de um personagem), sem precisar levar Conan para um museu, se aproveitar da falta de luz e então trazer o fim da linha para ele nessa viagem espaço-temporal. Como disse no início, é perfeitamente possível se divertir com o que vemos aqui, mas a resolução do caso — especialmente as páginas finais — não são exatamente a nata literária de Roy Thomas. Entre citações a Rocky: Um Lutador e Star Wars, encontramos aqui uma história onde podemos identificar um instigante encontro de mundos e comportamentos, com uma dura lição no final. Apesar dos pesares, vale bastante a pena a leitura.

What If Conan the Barbarian Walked the Earth Today? (What If? Vol.1 #13) — EUA, fevereiro de 1979
Roteiro: Roy Thomas
Arte: John Buscema
Arte-final: Ernie Chan
Cores: Glynis Wein
Letras: Joe Rosen
Capa: John Buscema, Ernie Chan
Editoria: Roy Thomas, Jim Shooter
35 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.