Crítica | O Que Aconteceria Se… o Capitão América e Bucky Tivessem Sobrevivido à 2ª Guerra Mundial?

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estrelas 2,5

spoilers! Leia as outras críticas para a série O Que Aconteceria Se… aqui.

Esta história, como é dito em uma das primeiras páginas da revista, é o outro lado da moeda em relação à aventura anterior, quando Os Invasores ficam juntos e o manto do Capitão América foi preservado a pedido do presidente Truman, a fim de não amedrontar e decepcionar a população em um momento tão frágil quanto aquele momento pós-Segunda Guerra. Se naquela ocasião o enredo lidava com a “morte” do Capitão e Bucky desde o início, o ponto de partida dessa 5ª edição da série O Que Aconteceria Se… é justamente o oposto.

Diferente da WI… #4, esta trama se passa em uma Terra paralela, a 77105, onde os eventos da Era de Bronze da Marvel (c.1970 – 1985) se passam, na verdade, nos anos 1960. Aqui, muitas nuances políticas se ligam a coisas que não aconteceram na Terra-616, tanto nos quadrinhos quanto na História real, e isso vai erguendo uma certa curiosidade no leitor, que reconhece uma parte dos eventos, mas vê aqui e ali diferenças bastante intensas que vão definir para sempre o destino dos heróis protagonistas da saga.

Don Glut pensou no conceito geral ao lado de Roy Thomas, mas foi o primeiro quem colocou no papel as ideias e os diálogos, criando algo que engaja o público até certo ponto, mas se dispersa em bobagens que nada acrescentam à narrativa, ou pelo menos nada que não pudesse ser conseguido de uma forma melhor, vide a arma que o Caveira Vermelha usa para colocar o Barão Zemo para dormir por não sei quanto tempo; a estranhíssima e confusa sequência onde Bucky resolve “tomar” de Steve Rogers o manto de Capitão América e a bizarra presença do Hulk por uns três quadros na história. E isso não parece ser uma falha isolada em roteiros do autor, pois três edições depois ele voltaria a cometer erros muito semelhantes em O Que Aconteceria Se… o Mundo Soubesse Que o Demolidor é Cego?.

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Até um certo momento, nós nos sentimentos curiosos pelo que está para acontecer, afinal, ver as consequências da passagem das décadas com o Capitão e Bucky na ativa é potencialmente algo bom. Já que as sequências na Segunda Guerra, a luta contra Zemo (que voltaria depois, no renascer da Hydra, com uma proposta de vingança besta e indigna de um vilão de seu porte), a breve aparição do Caveira e de Nick Fury e seu Comando Selvagem não são exatamente as coisas mais bem desenvolvidas ou relevantes da edição, nós esperamos resoluções muito boas e compensadoras dos momentos seguintes. Mas notamos que essas partes servem mais como fan service do que como real presença na revista (ok, os nazistas tem um peso grande sim, mas mesmo assim… não estão organicamente inseridos na história não).

Para piorar, a arte de George Tuska e principalmente a finalização de Russ Jones conservam apenas uns bons quadros e nada mais. A aparência meio bagunçada e com algumas estranhas proporções nas páginas me incomodaram bastante. Em alguns momentos, especialmente na reta final, a arte começa a ficar mais organizada, mas não é algo que salva essa parte do volume. Acompanhando um texto cada vez mais quadrado, que tenta nos vender um ideal heroico da “maneira errada”, forçando uma responsabilidade que já sabemos existir para alguns personagens, os desenhos tentam nos contar algo de maneira dinâmica, mas não consegue isso o tempo inteiro, gerando um hibridismo estético no mínimo bizarro.

No cômputo geral, esta sobrevivência do Capitão e de Bucky escrita por Don Glut não é uma história ruim. Ela é mediana… promete demais, apresenta coisas de grande peso e larga a meio caminho resoluções importantes. O final aberto e a morte de Buck, o atual Capitão, não tiveram o impacto que o autor pretendeu dar, um estranho fruto da construção dispersa do roteiro.

O Que Aconteceria Se… o Capitão América e Bucky Tivessem Sobrevivido à 2ª Guerra Mundial? (What If… Captain America and Bucky Had Both Survived World War II? / What If? Vol.1 #5) — EUA, outubro de 1977
Roteiro: Don Glut (conceito e roteiro), Roy Thomas (conceito)
Arte: George Tuska
Arte-final: Russ Jones
Cores: George Roussos
Letras: Carol Lay, Warren Greenwood
Capa: Rick Hoberg, Joe Sinnott

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.