Crítica | O Que Aconteceria Se… o Homem-Aranha Não Tivesse Casado com Mary Jane?

estrelas 3,5

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Se você é um daqueles leitores que, assim como eu, não gostam da ideia de terem casado o Homem-Aranha, esta pode ser uma história alternativa que certamente irá lhe deixar um pouco feliz. Não porque a trama central de Danny Fingeroth seja cômica ou os acontecimentos sejam positivos, afinal, é o Homem-Aranha, mas porque vê-lo desprendido de Mary Jane já é uma vitória [um pouco patética, mas… quem se importa?], mesmo que seja em um outro Universo.

Dentro da série What If?…, ótima criação da Marvel de 1977, cuja ideia era apresentar territórios dramáticos trágicos e possíveis para seus heróis, vilões e outros personagens, esta presente aventura — edição #20 do volume 2 da série — foi publicada em dezembro de 1990 nos Estado Unidos, e narra a chamativa teia de eventos que levam à pergunta-título: O que aconteceria se… o Homem-Aranha não tivesse casado com Mary Jane?

Em primeiro lugar, é preciso dizer que o roteiro de Danny Fingeroth é bastante inteligente ao trabalhar as coisas dentro do universo do Aracnídeo, quanto a isso, não há muito o que reclamar. A presença de Silver Sable, Paladino e Homem-Areia talvez incomode alguns leitores, mas apenas por gosto pessoal, uma vez que não há negligência na exploração dos personagens e a parceria deles com o protagonista é justificável dentro e fora desse Universo Alternativo.

Outro acerto do autor é a sequência de desgraças que ele escolhe para o Cabeça de Teia enfrentar ao longo da aventura, colocando bons vilões em cena, com destaque para os blocos do Kraven e do Abutre, além das aparições mais que bem vindas de Venom e Gata Negra, esta última, um dos motores essenciais para a “segunda parte” da aventura, que mostra o lado homem de Peter Parker à procura de alguém para estar junto, sua tentativa desesperada de formar uma família e ser feliz.

o que aconteceria se o homem aranha nao tivesse casado com mary jane

Tente não pensar besteira… Pobre Peter…

Até aí, as coisas funcionam bem, mas é justamente com os “finalmentes” após a chegada da Gata Negra que o texto tropeça um pouco. Um motivo é claro: Gata e MJ são personagens de caráter muito forte, cada uma em seu desenvolvimento psicológico como as conhecemos, isso não muda aqui. Essa força, no entanto, é partida em duas e colocadas em conflito. Ambas amam o mesmo homem e ambas acabam tendo (quase) o mesmo destino de vida com ele. Para que isso aconteça, uma pequena forçada de barra do autor acontece no meio do roteiro e então as coisas caminham um tanto aos trancos para o desfecho, que rapidamente se ajusta e convence o leitor.

O final não é exatamente o que esperamos, mas talvez agrade justamente porque é uma surpresa. Dramaticamente falando não é um desfecho alinhado ao núcleo da história, mas, pensando pelo lado positivo, não há negação alguma dos acontecimentos até ali.

Jim Valentino e Chris Ivy tem bons destaques nas páginas duplas ou com diagramação de quadros grandes. Eles conseguiram organizar a maior parte do texto em um ritmo adequado para o que é exposto, mas não estão livres de erros, principalmente pelo exagero ou escolhas questionáveis (novamente: olhem aquela página lá em cima). Fora isso, não fazem feio.

É um pouco cruel dizer que a vida do Homem-Aranha seria melhor se ele não tivesse se casado com Mary Jane, até porque a Gata Negra não merecia aquele destino, mas esse é um caso em que o fim justifica os meios (eu disse que seria cruel!). Definitivamente prefiro essa realidade alternativa à realidade canônica. Mary Jane e família que me desculpem.

O que aconteceria se… o Homem-Aranha não tivesse casado com Mary Jane? (EUA, dezembro de 1990)
Título original: What If?… Vol 2 #20 — What If… The Amazing Spider-Man Had Not Married Mary Jane?
No Brasil: Homem-Aranha – Edição Extra: Uma Aventura na Realidade Alternativa(Editora Abril, 1991)
Roteiro: Danny Fingeroth
Arte: Jim Valentino
Arte-final: Chris Ivy
Cores: Nel Yomtov

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.