Crítica | O Que Aconteceria Se… o Homem-Aranha Tivesse se Juntado ao Quarteto Fantástico?

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estrelas 2,5

spoilers! Leia as outras críticas para a série O Que Aconteceria Se… aqui.

A série O Que Aconteceria Se… (What If…, no original), explora a ocorrência ou não de determinados eventos dentro do Universo Marvel e traz inúmeras variações para a continuidade oficial da editora, tendo o Vigia como guia dos acontecimentos e fazendo o papel de narrador ou comentarista pontual daquilo que cada edição apresenta. O primeiro volume da série, que contou com 47 edições (algumas com mais de uma história em seu interior) traz Uatu de sua base lunar, descrevendo os pontos de divergência para esta O Que Aconteceria Se… o Homem-Aranha Tivesse se Juntado ao Quarteto Fantástico?.

Nesta edição de estreia, Roy Thomas reimagina os eventos de Amazing Spider-Man #1 (1963), e cria um Universo (a Terra 772) onde Peter Parker repensa a sua constante necessidade de dinheiro e resolve se exibir para o Quarteto Fantástico, tentando mostrar o seu valor e talvez ser aceito no grupo. O Cabeça de Teia tem a coragem de sugerir, depois de uma desnecessária batalha contra o Quarteto, a sua integração no grupo, que passaria a se chamar QUINTETO Fantástico. Claro que isso irrita profundamente o Coisa e o Tocha, deixa Reed um pouco indeciso e Sue em uma encruzilhada. É por causa dela que a entrada do Teioso se efetiva no grupo. E é ela quem “pagará” as consequências disso.

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Para quem não está acostumado com a série, é bom deixar claro que toda mudança que vemos ocorrer em relação ao Universo principal da Marvel na Terra 616, resulta em algo triste para os personagens envolvidos. Muitas vezes o resultado é a morte, mas essa não é a regra, também existem outros resultados finais que são tão cruéis quanto e têm um enorme impacto sobre o público. Roy Thomas previne muito bem o leitor quando estabelece as muitas realidades alternativas para o que conhecemos na “nossa versão” das histórias em quadrinhos, tanto no duo passado-presente quanto para coisas futuras, projeções, previsões.

Se a edição estivesse preocupada apenas em dissecar a presença do Homem-Aranha no agora Quinteto Fantástico, a estreia da série teria um destino narrativo muito melhor. Há uma impossível quantidade de fan service nas lutas que o autor inventa, sendo a maioria delas desnecessárias, longas demais e que tomam o espaço de coisas mais interessantes. A única verdadeira missão com o Aranha no grupo parece uma piada sem graça de tão rápida e termina já com as consequências dessa entrada do herói no antigo Quarteto.

Não temos tempo de digerir a história, porque vilões dos dois lados aparecem em cameos vazios, que só servem mesmo para exibição e memória de cenas já vistas em edições passadas, mas agora, seguindo por um outro caminho. É paradoxal analisar isso, porque esse princípio é interessante, mas se desvia demais do foco principal — ou força demais a barra –, o que o torna um impasse. A única coisa verdadeiramente aceitável no time dos antagonistas é a entrada de Namor, no final da história. Mas se funciona de um lado, essa entrada também tem seus problemas, porque não coloca o Príncipe Submarino agindo por ele mesmo, mas influenciado pelo Mestre dos Bonecos (Phillip Masters).

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Em todo o trajeto, independente do que está sendo representado no roteiro, a arte de Jim Craig, com finalização de Pablo Marcos e cores de Janice Cohen se mostra um verdadeiro espetáculo. A estrutura narrativa consegue juntar muitos eventos passados ou imaginados em uma diagramação rica, que segue uma linha coerente de ritmo das ações em cada pedaço da página (quando não está dividida em quadrinhos) e todas as lutas e criações de cenário — destaque para os aparatos tecnológicos — são excelentes. A parte inicial da história tem uma figuração melhor do que o restante, mas a diferença é apenas na composição estética das páginas, não da qualidade da arte.

O desfecho desse What if…, porém, é interessante. O que acontece com Sue, no final, é algo que não esperávamos como consequência dessa aventura, mas levando tem conta o histórico dela com Namor e o enredo não feliz das histórias dessa série, faz sentido. É uma espécie de salvação, na verdade, porque ressignifica parte das coisas menos instigantes do roteiro. Reed talvez tenha aceitado tudo muito fácil, mas é melhor isso do que uma dramatização extrema, que não combinaria com o personagem. Mais uma vez, a lição de “cuidado ao mexer com pontos fixos na história e no tempo” é aprendida da pior forma.

O Que Aconteceria Se… o Homem-Aranha Tivesse se Juntado ao Quarteto Fantástico? (What If Spider-Man Had Joined the Fantastic Four? / What If? Vol.1 #1) — EUA, 1º de fevereiro de 1977
Roteiro: Roy Thomas
Arte: Jim Craig
Arte-final: Pablo Marcos
Cores: Janice Cohen
Letras: John Costanza
Capa: Jim Craig, Joe Sinnott, John Romita, Gaspar Saladino

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.