Crítica | O Que Aconteceria Se… o Hulk Tivesse o Cérebro de Bruce Banner?

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estrelas 4

spoilers! Leia as outras críticas para a série O Que Aconteceria Se… aqui.

Depois de um início fraco, em Se… o Homem-Aranha Tivesse se Juntado ao Quarteto Fantástico?, a série What If? parece ter encontrado o caminho certo, trazendo a essência cheia de criatividade que marcaria suas melhores histórias. Roy Thomas, que assinou o roteiro da primeira edição da série, volta nesta segunda publicação para teorizar sobre uma das mais frequentes perguntas do público, levantando hipóteses sobre o estado mental do Hulk e o contraste absoluto de comportamento em relação ao genial e amigável Doutor Bruce Banner.

Levando em consideração que se trata de uma HQ de 1977 e que muitas conquistas ou modelos de ação que conhecemos hoje do Golias Verde ainda não tinham aparecido, a pergunta-título da revista é perfeitamente aceitável. Ou melhor, continua perfeitamente aceitável ainda hoje, até porque, serve como impulso para a criação de uma realidade paralela, gerando aqui um dos planetas-gêmeos mais interessantes do Multiverso Marvel, a Terra-774.

Ao invés de começar a história com uma narração básica e ir progressivamente apresentando um problema central com algumas repercussões para os heróis envolvidos, o autor optou pela representação da história de origem do Hulk, como a conhecemos na Terra-616, para depois investir em mudanças específicas e episódicas nesta outra realidade. Já no começo, o texto levanta o impedimento racional do Hulk, e esta reflexão nos leva de maneira sutil para os eventos que responderão à pergunta da revista.

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O leitor talvez torça um pouco o nariz para a presença do Quarteto Fantástico no meio da história, porque o grupo já tinha sido protagonista da saga anterior e seu retorno parece uma insistência boba por parte do autor. Em termos de marketing, porém, sabemos que não é verdade. Colocar o Quarteto nessas histórias era uma das formas de chamar a atenção do público. Mas há de fato uma excelente justificativa dramática para a presença da Primeira Família aqui, e é em torno dela que as grandes e verdadeiras mudanças causadas pelo fato de, nesta Terra, o Hulk ter o cérebro que Bruce Banner, acontecerão.

Os artistas Herb Trimpe (desenhos) e Tom Sutton (arte-final) são excelentes em composição de cenas (sem espaço para quadros grandes e painéis, eles são confinados à diagramação básica, o que é uma pena), interações de luta e anatomia dos personagens em uso de seus poderes. Eu fiquei um tantinho decepcionado com a versão deles para a primeira vinda de Galactus, pois gostaria que o vilão fosse maior — em tamanho direto ou pelo truque de perspectiva dos desenhos — mas isso não é algo negativo, apenas um apontamento comparado às outras aparições do Devorador de Mundos. Glynis Wein assina as cores da história e seu trabalho na criação de atmosferas é realmente admirável.

Um dos grandes conceitos de toda a série What If? é mostrar que o Universo procura compensar cada mudança de coisas que ele sabe (?) que deveria acontecer. Isso se torna mais impessoal, na prática, porque as mudanças da série acontecem em terras paralelas, mas a ideia permanece e é inclusive levantada por Roy Thomas aqui, ao aplicar uma grande ideia atrás da outra: a cura de Ben; a separação do Quarteto; a união de pesquisa entre Banner, Reed e Professor Xavier; a não-criação dos X-Men; a fusão da personalidade do trio de cientistas para formar o X-MAN (sombras de Nietzsche marcaram essa ideia, com certeza!); a perda dos poderes de Banner, Reed e Xavier e a volta de Ben como o Coisa, agora mais forte e mais agressivo, quase um vilão, exatamente como conhecemos o Hulk no início.

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Prof. Xavier + Reed Richards + Bruce Banner = X-Man!

O trabalho com os coadjuvantes é um dos pontos fracos do roteiro, assim como as conveniências toda vez que um novo contato é estabelecido. A nossa sorte é que essas rusgas do texto duram pouco e são rapidamente reparadas por acontecimentos grandiosos. É bom observar que há uma melhora colossal na narração do Vigia (se comparado à edição de estreia da série) e também nos diálogos, talvez porque parte deles possuem um viés científico.

Com duas inserções deslocadas de personagens (The Gargoyle e Loki) e com uma inesperada sequência de eventos, O Que Aconteceria Se… o Hulk Tivesse o Cérebro de Bruce Banner? é uma leitura muito divertida, cheia de reviravoltas e escolhas que fazem o autor vencer o desafio proposto na capa da revista. A gente realmente não consegue imaginar o final (chocante) da história antes de ler.

O Que Aconteceria Se… o Hulk Tivesse o Cérebro de Bruce Banner? (What If the Hulk Had Always Had Bruce Banner’s Brain? / What If? Vol.1 #2) — EUA, abril de 1977
Roteiro: Roy Thomas
Arte: Herb Trimpe
Arte-final: Tom Sutton
Cores: Glynis Wein
Letras: Joe Rosen Orz
Capa: Herb Trimpe, Joe Sinnott, Gaspar Saladino

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.