Crítica | O Que Aconteceria Se… O Quarteto Fantástico Fosse a Equipe do Escritório Original da Marvel?

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Quando eu vi o título dessa história pela primeira vez, eu abri um enorme sorriso. Só o fato de imaginar um What If… que assumisse de vez o seu lado metalinguístico e ainda por cima colocasse pessoas reais e notáveis da indústria dos quadrinhos vivendo como heróis já era algo que me animava bastante para conferir a história. E o hype aumentou ainda mais quando vi que o roteiro e a arte seriam do Mestre Jack Kirby. Não tinha como dar errado, certo? Bem… dessa vez deu. E muito errado.

Ambientada na Terra-1228, essa trama imagina o Quarteto Fantástico como sendo os membros do escritório original da Marvel Comics. Ou seja, algo aconteceria nessa realidade, em um típico dia de trabalho, que transformaria o time ali reunido em super-heróis. Aqui, o Senhor Fantástico é Stan Lee; Tocha Humana é Sol Brodsky; Coisa é Jack Kirby e Mulher Invisível é Flo Steinberg, na época secretária de Stan Lee, posto que exerceria até 1968, quando deixaria a Marvel para seguir carreira como editora de quadrinhos independentes e underground. Como era de se esperar, a origem dessa versão do Quarteto se dá em um “dia normal de trabalho” e os personagem guardam mais ou menos as caraterísticas de cada uma das personas reais que espelham. Até pouco antes da metade da trama, o leitor se diverte vendo como cada um lida com seus novos poderes. Mas infelizmente esse bom momento dura pouco.

Kirby simplesmente faz das interrupções do Vigia um momento aleatório para comentários que nada têm a ver com o que está acontecendo, dando saltos temporais e locacionais que vão nos irritando, interrompendo uma linha interessante de eventos para mostrar outra que, obviamente, não se completa e isso seguindo até a parte realmente insuportável da revista, que é a chegada do Quarteto a Atlantis. Por se tratar de uma história do Quarteto Fantástico, mesmo em uma Terra paralela, é claro que Namor precisava aparecer. Mas sua participação transita entre um mal-entendido e uma parceria que não convence, trazendo o uso de uma tecnologia aleatória e com um encerramento e derrota final dos verdadeiros inimigos que é algo simplesmente vergonhoso.

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Kirby faz as devidas apresentações.

Mas se tem algo que realmente vale a pena aqui é a arte. Claro. Estamos falando de Jack Kirby! Mesmo quando o roteiro fica verborrágico e a diagramação das páginas na segunda parte da aventura atrapalha muito a arte ter o destaque que merecia, ainda é possível rir com o estilo de batalha, as caras, bocas e manhas do Coisa-Kirby e a sempre incrível visão de grandes cenários tecnológicos que o artista tinha. Inclusive coisas que não funcionam no roteiro, como a “máquina de identificar aliens” de Namor, acabam tendo uma recepção completamente diferente em termos artísticos. Um ponto a ser observado é que a primeira parte da revista possui planos mais abertos e cenas muito mais imaginativas, tanto nas lutas quanto em cenários mais simples. Já a segunda parte parece bem mais retraída, talvez com uma única exceção, quando o Quarteto embarca na nave para fazer a visita a Namor.

Os diálogos escritos para Flo Steinberg são bastante vergonhosos e mesmo fazendo a adequação de tempo, é risível que Kirby tenha pensado em colocar a pobre da secretária agindo como uma criança com mil e um problemas de confiança e identidade. A Mulher Invisível merecia coisa muito melhor. Já o Senhor Fantástico de Stan Lee é um personagem simplesmente chato. Insuportável, até. Não dá para ter simpatia alguma por ele. As únicas versões realmente interessantes aqui são as do Coisa-Kirby e do Tocha-Brodsky.

Começando bem e terminando muito mal, essa aventura vale apenas pela arte e para dar uma risada ou outra das tiradas bem humoradas do pedregoso. Fora isso, é daquelas tramas que a gente se arrepende de ter perdido tempo lendo, ou, em última instância, uma daquelas que a gente comemora por ser uma história bem curta.

What If the Fantastic Four Were the Original Marvel Bullpen? (What If? Vol.1 #11) — EUA, outubro de 1978
Roteiro: Jack Kirby
Arte: Jack Kirby
Arte-final: Mike Royer, Bill Wray, Scott Shaw, Dave Stevens
Cores: Carl Gafford
Letras: Bill Wray
Capa: Jack Kirby, Joe Sinnott
Editoria: Roy Thomas, Jack Kirby
34 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.