Crítica | O Que Aconteceria Se… o Quarteto Fantástico Tivesse Diferentes Poderes?

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estrelas 3,5

spoilers! Leia as outras críticas para a série O Que Aconteceria Se… aqui.

O roteiro deste 6º número da revista What If… foi escrito por Roy Thomas, mas teve outros três autores como contribuidores do enredo, que imagina o Quarteto Fantástico com poderes diferentes. A história aqui se passa na Terra-7712 e o roteiro recria ou faz referências às edições #1 a 5 da Fantastic Four (1961 – 1962), mostrando o surgimento do Quarteto na nossa Terra e também na Terra-7712, seguindo até o primeiro encontro com o Doutor Destino, que evidentemente tem um final inimaginável, pois estamos falando de um Universo onde Reed Richards é um cérebro sem corpo chamado Big Brain; Susan Storm é uma mulher elástica chamada Ultra Woman; Johnny Storm virou um androide com pinta de Colossus e atende pelo nome de Mandroid; e Ben Grimm ganhou asas rosas de dragão, sendo chamado de Dragonfly.

Digam o que disserem: depois de conhecer esta versão alternativa do quarteto, eu passo a preferi-la à da nossa Terra-616. Uma coisa que eu nunca havia prestado atenção ou mesmo parado para analisar o motivo é a relação dos raios cósmicos que atingiram o grupo em sua viagem e os poderes que eles adquiriram nesse processo. Nesta história, o texto de Thomas fez uma relação de comportamentos psicológicos e visões sociais para explicar o por quê os raios deram a cada um deles um determinado poder, condição que viria aparecer na linha canônica dos heróis um tempo depois de sua criação. Ver isso como elemento de origem, porém, dá uma significado diferente, fortalecendo e ampliando o significado dos poderes ou mesmo a forma como olhamos para eles.

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Desculpe, mas eu prefiro muito mais o Quarteto da direita.

É ainda mais interessante que o papel de Susan na versão da Terra-616 é explicado como “alguém que sempre estava nas sombras, em comparação aos seus companheiros“, uma interessante visão de Thomas para o papel da mulher como um todo na sociedade dos anos 1960, quando o Quarteto foi criado. Já a versão da Terra-7712 traz um pouquinho mais de participação dela, mas a transforma em “mulher elástico” por conta de sua capacidade de adaptação, especialmente diante das mudanças que precisava enfrentar, agora que seu irmão, amigo e futuro marido (?) tinham super poderes. Vejam que o papel dela ainda está aliado ao de seus companheiros e eu fiquei espantado em ver isso de forma tão aberta em um roteiro para um grupo mainstream da Marvel, mesmo que em uma realidade alternativa. Mostra uma preocupação em dar à personagem o valor e identidade histórica correntes nos anos 70, colocando grande veracidade no contexto, algo que também é visto em Ben e Johnny, mesmo que de maneira menos intensa; e em mínimo grau, ao se tratar de Reed e Doom.

Esta edição é muito diferente do que qualquer outra da série até o momento. A explicação para a realidade alternativa tem como ponto de partida uma luta do Quarteto que conhecemos, mas tem uma interferência bastante orgânica do Vigia, fazendo uma ponte entre eventos e personagens para então nos transportar até este outro mundo. A cadência do texto é elogiável do início ao fim. Há apenas uma segmentação desnecessária quando Doom aparece, porque cada um dos membros do Quarteto precisarão provar um valor que já havia ficado muito claro para nós que eles tinham (até porque são derivados de heróis que conhecemos muito bem); todavia, pode-se entender essa exposição como um espelho do formato clássico de aventuras da família, que sempre possuiu várias pequenas lutas no meio de uma luta maior, ao menos nas histórias da Era de Prata.

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O melhor Quarteto que você respeita…

Com uma arte que sempre faz questão de destacar a intensidade das lutas e a movimentação dos heróis pelo cenário — poucos são os “quadros calmos” nessa edição — o leitor captura a fluidez do texto com total apoio da imagem, muitas vezes tendo o elemento nostálgico ativado, quando uma recriação ou outra aparece, e destaco aqui a introdução do Doutor Destino na saga. Há apenas um problema de coloração, para o demônio que o Quarteto enfrenta no começo, mas fora isso, todo o aspecto imagético e diagramação dessa edição são aplaudíveis.

É instigante pensarmos na continuação da história, agora com o cérebro-Reed “encarnado” no corpo de Victor Van Doom, solução que à primeira vista parece um Deus Ex Machina barato, mas funciona bem, principalmente pela troca de consciência ter sido feita entre esses dois personagens. Esta é uma das vantagens dessas realidades alternativas. Quando bem escritas, são capazes de nos fazer gostar mais delas do que da realidade que conhecemos. Máxima do escapismo que Roy Thomas e os roteiristas que ajudaram a criar o enredo dessa história conseguiram representar muito bem.

O Que Aconteceria Se… o Quarteto Fantástico Tivesse Diferentes Poderes? (What If the Fantastic Four Had Different Super-Powers? / What If? Vol.1 #6) — EUA, dezembro de 1977
Roteiro: Roy Thomas (conceito e roteiro), Christy Marx, Rick Hoberg, Don Glut (conceito)
Arte: Jim Craig, Rick Hoberg
Arte-final: Sam Grainger
Cores: Phil Rache
Letras: John Costanza, Joe Rosen
Capa: Rick Hoberg, Annette Kawecki

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.