Crítica | O Que Aconteceria Se… os Invasores Tivessem Permanecido Juntos Depois da 2ª Guerra Mundial?

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estrelas 4

spoilers! Leia as outras críticas para a série O Que Aconteceria Se… aqui.

Roy Thomas se superou nas nuances políticas que adicionou a esta 4ª história da série What If…, uma das mais gostosas de se ler, nesta primeira fase. Se não fosse pela parcial enrolação e quebra dramática geral no texto na visita ao criador do Tocha Humana original (Jim Hammond, o androide), a edição certamente ganharia a nota máxima.

Em primeiro lugar, é importante dizer que esta história é um olhar carinhoso para a Marvel (Timely Comics) da Era de Ouro e o que ela se tornou na Era de Prata. Roy Thomas consegue capturar com perfeição — e expandir! — os momentos clássicos de luta do Capitão América contra o Barão Zemo, em Avengers #56, de 1968, e dar um “outro rumo” à história como conhecemos.

Primeiro, temos o desaparecimento e aparente morte do Capitão (Steve Rogers) e Bucky (Bucky Barnes), seguida de uma moralmente poderosa sequência no bunker de Hitler, onde ele pede para que o seu secretário pessoal, Otto Günsche [que havia ficado incumbido de garantir que o corpo do Füher fosse cremado após a morte — e sim, estas são informações historicamente verdadeiras, não são invenções do autor] não deixe os soviéticos encontrar seu corpo.

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O que acontece a seguir já é parte desse “mundo alternativo” que o Vigia nos apresenta, mas essa história, de uma forma ou de outra, não é tão alternativa assim. Há uma série de acontecimentos aqui que são aceitos como canônicos — ou foram aceitos, durante um bom tempo — na Terra-616, e isso é ainda confirmado pelo fato de que não existe uma Terra paralela onde essas coisas se passam. Como vocês sabem, o padrão das tramas desse título é se passar em um gêmeo do nosso planeta, no Multiverso, mas isso não ocorre aqui. Coisas como o fato de que foi o Tocha original quem matou Hitler incinerado ou o fato de o Presidente Truman ter pedido para William Nasland (ou Spirit of ’76, que morre nessa história, sendo substituído por Jeffrey Mace, o Patriota) assumir o manto do Capitão América, para não espantar a população; e o mesmo acontecendo com Bucky, cujo “manto” é assumido por Fred Davis, são coisas aceitas no cânone da Marvel.

Deixando de lado o quanto essas histórias já foram reticonadas, percebam a importância do roteiro de Thomas e como ele conseguiu criar uma continuidade harmônica e bem inteirada com a política dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial e os primeiros anos da Guerra Fria. Desde a manutenção do grupo “Os Invasores”, que em pouco tempo se tornaria “All-Winners Squad”, até a complicada e interessante relação entre os já citados segundo e terceiro Capitão América e Bucky, somam-se Namor, Tocha, Toro, Spitfire, Union Jack, Miss America e Ciclone, todos progressivamente colocados na história como partes da evolução do grupo e atendendo a novas necessidades de luta.

Como disse no início, o roteiro desvia-se dessa boa linha de “presença em campo” dos heróis quando o Tocha resolve visitar seu criador, o Professor Phineas Horton (rememorando os eventos de Marvel Comics #1, de 1939), acontecimento que tem um bom começo, mas não se desenvolve bem. Mesmo assim, conseguimos entender a existência dessa parte na história, pois ela serve como inserção do Patriota e o caminho que o leva a assumir a identidade de Capitão América. E por mais que o leitor note que a qualidade da reta final não tem a mesma força que teve o início da revista, o texto ainda se mantém em alta, com um plot para tirar o então Senador John F. Kennedy de cena e substituí-lo por um androide. É uma trama “barata”, mas funciona lindamente.

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A arte de Frank Robbins é quase inacreditável, de tão boa. O desenhista é responsável por belos painéis no início da aventura e soube usar como ninguém o espaço celeste, marcado pelo Tocha e por Toro e o espaço na terra, espalhando bem os heróis pelos quadros. As cores de George Bell também não ficam atrás. Vejam que lindeza é essa última página da revista, tanto em desenhos quanto em cores, e notarão que a dupla aqui é um dos grandes motivos para este número ser tão impressionante quanto é.

Com uma tragédia que afeta a linha corrente da Marvel e olhar nostálgico para a Era de Ouro e início da Era de Prata dos quadrinhos, Se… os Invasores Tivessem Permanecido Juntos Depois da 2ª Guerra Mundial? é um conto incomum dentro da série What If…, mas com certeza um de seus melhores exemplares, especialmente por abordar de maneira tão intensa e orgânica o nosso mundo, mesclado-o às ações de super-heróis. A mensagem patriótica é tão forte e bonita, que ao final, estamos quase cantando The Star-Spangled Banner com o peito cheio e os olhos marejados.

O Que Aconteceria Se… os Invasores Tivessem Permanecido Juntos Depois da 2ª Guerra Mundial? (What If the Invaders Had Stayed Together After World War Two? / What If? Vol.1 #4) — EUA, agosto de 1977
Roteiro: Roy Thomas
Arte: Frank Robbins
Cores: George Bell
Letras: Joe Rosen, John Costanza
Capa: Gil Kane, Frank Giacoia

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.