Crítica | O Que Aconteceria Se… Os Vingadores Tivessem Surgido Durante os Anos 1950?

plano critico vingadores anos 1950

Juntamente com E se… o Mundo Soubesse Que o Demolidor é Cego?, esta nona edição da série What If… Vol.1 é uma das criações mais fracas do título até este ponto, mesmo tendo um interessantíssimo ponto de partida que é a possibilidade de pensar Os Vingadores a partir de uma outra formação e em uma década de difíceis arranjos históricos e geopolíticos, o que poderia tornar o grupo ainda mais interessante.

A história é escrita por Don Glut, com base em um enredo de Roy Thomas, e começa com um motor narrativo pouco interessante, com uma convocação de emergência do Homem de Ferro para que alguns de seus colegas Vingadores pudessem assistir a uma história na tela do QG. Causa uma grande estranheza no leitor esse tipo de início, porque a série tem mais impacto quando o Vigia assume a narração principal ou quando há uma imediata exposição de que determinada história ocorre em nossa Terra-616. Aqui, além de ter um início duvidoso, apenas com uma exibição de acontecimentos em uma grande tela, o roteiro não deixa claro em que mundo toda a saga acontece, retirando uma das coisas mais legais da revista, que é a ideia de viagem pelo Multiverso Marvel.

Foi só em Avengers: Forever (1999 – 2000) que as coisas se resolveram. Porque a pergunta do Fera sobre que Universo eles estavam assistindo fica sem resposta e nem o Vigia no final se dá o trabalho de responder. Em Avengers: Forever revela-se que a trama aqui contemplada se passa em outra dimensão, na Terra-9904. Nesta realidade, os Vingadores surgiram com um pequeno acerto de bastidores e oficializaram o grupo após se encontrarem para batalhar, em parceria com o agente James Woo, contra o Garra Amarela.

plano critico o que aconteceria se os vingadores

Um apanhado visual da Terra-9904 nos anos 1950. Não muito diferente da nossa, não é mesmo?

Nesta realidade existe uma equivalência entre heróis, como é de praxe nessas histórias de Universos mostrados na série What If… A teoria é que o Cosmos tenta compensar ou rearranjar a ausência ou presença de pessoas diferentes vestindo um manto heroico, o que de certa forma também é uma das coisas que contribuem para as falhas no roteiro desta presente edição, que trabalha com uma trama direta, uma narração sem maiores consequências, no máximo servindo para fazer a seguinte aproximação entre os Vingadores da Terra-616 e 9904: Homem Tridimensional equivalente ao Capitão América; Marvel Boy (Robert Grayson) equivalente ao Homem de Ferro; Homem-Gorila equivalente ao Fera; Robô Humano equivalente ao Visão e Vênus equivalente a Thor. As relações são interessantes, claro, mas não bastam para tornar a revista mais interessante.

A arte de Alan Kupperberg, com finalização de Bill Black faz uma ótima ligação entre os heróis das diferentes mundos, oferecendo painéis muito bem diagramados e uma boa interação entre espaços abertos e fechados. Alguns momentos podem parecer muito, muito estranhos, como no caso do desenho do Vigia e algumas expressões faciais, mas isso é de menos, não chega a constituir um problema da arte. De todos os elementos desta HQ, a arte é o setor que menos tropeça, ganhando ainda uma ótima coloração de Carl Gafford.

Sem criar uma base que verdadeiramente justificasse a mudança de espaço, Don Glut fez esta trama alternativa se perder em divagações de um grupo com o qual o público não tem ligação alguma e do qual espera grandes ações, o que simplesmente não vem. Ao longo do enredo existem um ou outro diálogo que chama a atenção e um leitor mais atento perceberá as nuances da Guerra Fria propositalmente destacadas. Vemos um período marcado pela paranoia nuclear e a escalação de um antigo médico nazista entre os vilões, para ressaltar este lado. De uma forma ou de outra isso chama a nossa atenção, mas ainda é preferível um bom enredo a ter grandes citações vazias de inimigos históricos, ainda mais em um Universo com tantas boas possibilidades.

What If… the Avengers Had Been Formed During the 1950’s? (What If? Vol.1 #9) — EUA, junho de 1978
Marvel Comics
Roteiro: Don Glut (sob conceito de Roy Thomas)
Arte: Alan Kupperberg
Arte-final: Bill Black
Cores: Carl Gafford
Letras: Tom Orzechowski
Capa: Jack Kirby e Joe Sinnott
Editoria: Roy Thomas
34 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.