Crítica | Titãs: O Retorno de Wally West (Renascimento)

estrelas 4

A DC Comics sempre teve o legado como conceito chave para as suas histórias e é justamente dessa palavra que os Titãs foram feitos. Criar um grupo jovem foi um grande acerto da editora, eles podiam alcançar um público que Batman e Superman nunca alcançariam. Isso vez com que eles, logo no começo de sua jornada, já alcançassem o status de queridinhos de todo o fandom.

Infelizmente, o grupo não foi muito bem manejado durante o período dos Novos 52. A DC parece ter esquecido daquilo que era bom, não apenas nos Titãs, mas em todos os seus outros títulos, e resolveu apostar no novo. Com a queda dessa visão editorial, a DC resolveu lançar o Renascimento. Junto com essa nova linha diversos títulos foram lançados, e entre eles temos Titans.

O grupo é composto por Asa Noturna, Aqualad, Arsenal, Donna Troy, Omen e Flash (Wally West). A trama é toda movimentada pelo velocista, que tem uma grande importância, não apenas nessa história, mas em toda a trama do Rebirth. Aqui os Titãs são atacados por Maestro, um personagem que vem do futuro, e que usa de tecnologia mascarada como magica para cometer seus atos de vilania.

Maestro, que foi o responsável pelo desaparecimento de Wally, pois ele sabia que um dia seria derrotado pelo herói, então resolveu se livrar dele antes que isso acontecesse. Como o velocista voltou para o mundo real, o vilão também dá as caras para derrota-lo novamente. Mas agora o Flash tem ajuda de todos os seus amigos super-poderosos.

O roteiro escrito por Dan Abnett faz questão de bater na tecla da amizade, em todo o arco, composto da edição 1 a 6, o escritor coloca em diálogos, ou em caixas de pensamento, o quanto cada Titã é importante. Essa é uma escolha certa da trama, porém repeti-la durante todo o arco faz com que o leitor se canse e o que era pra ser interessante acaba sendo maçante.

Além disso Abnett cria uma trama muito aventuresca, o autor consegue manter seu público muito conectado com a história, isso graças a uma boa visão de seu título, ele sabe que Titãs é mensal e usa isso a seu favor. Na primeira edição somos apresentados, nas ultimas páginas, a Maestro, esse que é o principal motivo para todo o suspense do quadrinho.

Nas próximas edições vemos o vilão fazer de tudo com os heróis, ele faz marionetes dos Titãs e até sequestra o amor da vida de Wally, Linda Park. Abnett escreve um vilão espalhafatoso, que faz coisas malucas, mas que consegue em sua loucura agradar o leitor. E nem só de vilão vive o roteiro de Dan, todos os seis heróis, que fazem parte do grupo, são muito bem escritos, o roteirista não chega a dar desenvolvimento em detalhes, mas consegue colocar cada um em seu devido lugar.

A arte de Norm Rapmund e Brett Booth, é, no mínimo, de tirar o fôlego, eles tem um excelente desempenho durante todo o arco. Vemos traços muito bem trabalhados, páginas que contem muitos detalhes, e que mantêm esse alto padrão em todos os seis títulos. Os combates também são maravilhosos, tanto em sua dinâmica, quanto em suas sequências. E até as expressões, campo que está cada vez mais fraco, não são espalhafatosas e sim muito criveis.

Entretanto, o maior trunfo da arte de Norm Rapmund e Brett Booth são os quadros. Fugir do padrão é muito difícil quando se trata de quadros. Porem vemos um enquadramento muito interessante nas edições de Titãs. Abnett constrói um roteiro muito dinâmico, principalmente nas partes em que o Flash está correndo, e os dois artistas conseguem colocar muito bem essa velocidade da trama, sem nunca deixar o leitor confuso na leitura.

Titãs é um quadrinho que mostra o potencial das histórias da DC Comics. Não estamos colocando-a ao lado de grandes clássicos como, Cavaleiro das Trevas ou Grandes Astros – Superman, mas tenho certeza que essa HQ tem seu espaço dentro de boas narrativas da editora. Abnett faz um bom trabalho, apesar de ser bem repetitivo e Norm Rapmund e Brett Booth são impecáveis. Que isso possa continuar e que esse grupo possa ser cada vez mais querido perante aos fãs da DC.

Titãs: O Retorno de Wally West (Titans: The Return of Wally West) — EUA, 2016
Roteiro: Dan Abnett
Arte: Norm Rapmund e Brett Booth
Cores: Andrew Dalhouse
Letras: Carlos M Mangual
Editora original: Dc Comics
Datas originais de publicação: junho a dezembro de 2016
Editora no Brasil: Panini
Data de publicação no Brasil: não lançado até a data de publicação da crítica

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".