Crítica | “O Retorno É de Jedi” – Mr. Catra e Os Templários

estrelas 4

Acho que esse disco vai acabar com a brincadeirinha que virou o rock. Agora é porrada. O rock voltou. Acabou o colorido. Acabou a matinê.

Mr. Catra

O rock nacional atual precisa de um personagem importante. Ponto. Pode existir um cenário underground brilhante no rock brasileiro, mas é verdade que não temos uma figura influente no mainstream há muito tempo. E quando o lendário Mr. Catra dá uma pausa no funk e surge com a banda Os Templários pra fazer um “powerfunkinroll”, como ele mesmo disse, deixa no mínimo um pouco de interesse de todos conferir. E o resultado final do primeiro EP do grupo é bem próximo do que imaginava, só que surpreendendo ainda mais. O rapcore, funkmetal, ou sei lá qual melhor termo para o rock meio tribal do grupo, é impressionante e talvez o raio de luz mais próximo que o rock pesado chegou perto de receber no mainstream nacional dos últimos anos.

Intitulado como O Retorno É de Jedi (título do primeiro single) e lançado na mesma data de lançamento de Star Wars Episódio VII, o álbum é extremamente pesado, melódico e bem produzido. Quando Catra disse que “A brincadeira acabou. Agora é porrada. O rock voltou.” ele não fazia propaganda enganosa. Por mais que exista uma quantidade enorme de preconceituosos querendo dizer o contrário, o funkeiro-rockeiro faz um dos sons mais divertidos de veia pesada que vi no cenário brasileiro “””mainstream””” do metal nos últimos anos. E fica nítido que ele não é novo no ramo “rockeiro”, já que já integrou a banda O Beco algumas décadas atrás.

Creio que não vi nenhuma abertura tão fantástica quanto a risada fatal de Catra em meio aos riffs iniciais de Simpático. O single e melhor canção do álbum leva um daqueles refrões pra fazer o público nos shows gritarem incessantemente, além de riffs e solos de guitarra que lembram muito Zakk Wylde (Ozzy Osbourne, Black Label Society). Outra influência que parece forte no álbum, e que o cantor já havia revelado ser fã, é Titãs. Muita coisa lembra os pesados Titanomaquia e Tudo Ao Mesmo Tempo Agora da banda, seja as ótimas letras críticas e meio loucas (Filhos da Puta e Cativeiro) ou o jeito rouco de cantar de Catra que lembra o jeito esquizofrênico de Paulo Miklos.

Algo que gera inúmeros comentários é a voz do cantor. E eis o que acho: poucas vezes se escuta uma voz com tanta identidade. A questão se Catra canta bem é difícil, mas a verdade é que seu timbre rouco impede maiores problemas com desafinação dentro do gênero que aqui ele canta (ainda que ele vacile na voz em Cativeiro, causando estranheza), já que sua voz parece até apropriada para estilos como o Thrash Metal. No fim, o que parece indiscutível é a importância que sua voz toma pra impactar o ouvinte no meio daquele turbilhão de peso gritando coisas como “É UM VACILÃÃÃÃÃÃO” ou “Ô SIMPÁTICO, PARA DE MANDAR CAÔ”. Quanto aos Templários, definitivamente não há o que reclamar, cada um possui um primor técnico enorme  dentro daquela pancada sonora espetacular, desde o solo distorcido de Microondas até as batidas tribais de Vacilão (aliás, que refrão!).

Mr. Catra e Os Templários é de longe um dos projetos mais divertidos que saiu do cenário do rock/metal nacional recente. 2015 definitivamente foi um ano que reuniu coisas impensáveis, foi quando não só Catra quanto até o Papa se rendeu ao rock. Se Catra revolucionará o cenário nacional como profetizou, não se sabe. Mas não vou mentir pra você, ter Mr. Catra, o pai de todos, como o “salvador do rock nacional” seria sensacional e hilário ao mesmo tempo.

Aumenta!: Simpático
Diminui!:

O Retorno É de Jedi
Artista: Mr. Catra e Os Templários
País: Brasil
Lançamento: 17 de dezembro de 2015
Gravadora: Independente
Estilo: heavy metal, rapcore, funkmetal

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.